Após passar um mês preso na Cadeia Pública de Foz do Iguaçu (Oeste), Marcos Panissa chegou em Londrina para seguir cumprindo a pena de 19 anos e seis meses de prisão a qual foi condenado pelo homicídio da ex-esposa, Fernanda Estruzani, com 72 facadas em 1989. Ele está na PEL 1 (Penitenciária Estadual de Londrina) desde 15 de maio, unidade definida pela Polícia Penal do Paraná considerando critérios técnicos e de segurança, além da grande repercussão acerca do caso nas últimas décadas.

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O órgão informou que a transferência foi realizada em conformidade com protocolos institucionais, sem dar mais detalhes “referentes à execução penal de pessoas privadas de liberdade”. O condenado possui grau de periculosidade médio, sem histórico de fuga ou registro de facção. Antes de Panissa chegar em Londrina, a FOLHA noticiou que a demora na remoção se dava por conta da falta de vagas no sistema prisional da região, devido à superlotação carcerária. O juiz Osvaldo Taque, da Vara de Execuções Penais de Londrina, havia determinado a transferência ainda em abril, no dia 23.

O advogado de Panissa, Antônio Carlos Vianna, comunicou que só irá se manifestar sobre a chegada de seu cliente na próxima semana. Com o homem preso em solo londrinense, a defesa deve interpor um recurso ao TJPR (Tribunal de Justiça do Estado do Paraná) solicitando uma revisão criminal, almejando uma redução da pena a partir do reconhecimento de que o homicídio de Estruzani foi um crime passional. A ideia é pleitear uma nova sentença de seis a oito anos de prisão.

Relembre o caso

Fernanda Estruzani e Marcos Panissa se conheceram quando tinham 17 e 20 anos, respectivamente, e tiveram uma filha juntos. O homem assassinou a ex-esposa em 6 de agosto de 1989 no apartamento onde ela morava, no centro de Londrina, quando Estruzani tinha 21 anos e ele, 23. A mulher foi surpreendida enquanto dormia. Panissa desferiu 72 golpes de faca na vítima. À época do crime, confessou que foi motivado por ciúmes, visto que a mulher estava namorando o vendedor autônomo Edilson Ferreira da Silva, conhecido como Buzina, que tinha 23 anos. O homem, que foi testemunha no processo criminal que teve Panissa como réu, foi executado a tiros anos depois, em 2004, em uma lanchonete na região central de Londrina.

Panissa não compareceu ao seu terceiro julgamento em 1995, sendo considerado foragido desde então. A pena de 19 anos e seis meses prisão foi definida pela Justiça em 2010 após uma apelação da defesa, mas ele iniciou o cumprimento somente no dia 15 de abril deste ano, quando foi capturado no Paraguai depois de passar três décadas impune e expulso para Foz do Iguaçu. No país vizinho com documentos falsos, se apresentava como José Carlos Vieira e constituiu uma nova família, trabalhando no comércio. Se ele não fosse capturado até 2033, o crime iria prescrever.

Marcos Panissa foi capturado no Paraguai por meio de ação conjunta da Polícia Federal e autoridades locais
Marcos Panissa foi capturado no Paraguai por meio de ação conjunta da Polícia Federal e autoridades locais | Foto: Senad/PY

Confira a cronologia completa do caso no podcast Banco dos reús, da FOLHA.

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