O governo do Paraguai divulgou fotos e detalhes da prisão de Marcos Campinha Panissa, 57 anos, ocorrido na quarta-feira (15), em San Lorenzo, na Região Metropolitana de Assunção. Panissa foi condenado a duas décadas de prisão por ter assassinado a ex-mulher Fernanda Estruzani em 1989, em Londrina. A vítima foi esfaqueada 72 vezes. Panissa permaneceu 31 anos foragido e estava com mandado de prisão internacional por homicídio, com alerta vermelho da Interpol. Ele entrou no Paraguai usando identidade falsa, de acordo com o governo paraguaio.

Por meio de nota o Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai informou que agentes especiais do Gise (Grupo de Investigação Sensível) localizaram Panissa na quarta-feira, por volta do meio-dia, em uma via pública de San Lorenzo, cidade localizada na Região Metropolitana da capital Assunção.

Imagem ilustrativa da imagem Polícia do Paraguai divulga fotos da prisão de Marcos Panissa
| Foto: Senad/PY

À tarde, ele foi transferido para Ciudad del Este, que fica na fronteira do Brasil. "Às 23h, na Ponte da Amizade, após passar pelos trâmites de imigração, foi deportado e entregue à Polícia Federal brasileira", diz a nota.

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| Foto: Senad/PY

Identidade falsa e família

Ainda de acordo com o governo paraguaio, a Senad havia recebido informações da PF do Brasil, indicando a presença do fugitivo naquele país. "Com base nessas informações, foi instaurada uma investigação que determinou que o indivíduo havia entrado no país utilizando a identidade falsa de José Carlos Vieira, com a qual também obteve documentação paraguaia."

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| Foto: Senad/PY

"A investigação apurou que ele inicialmente se estabeleceu no departamento de Concepción, onde constituiu família. Posteriormente, mudou-se para a cidade de San Lorenzo, onde levava uma vida discreta e se dedicava a atividades comerciais com sua companheira", detalhou a Senad.

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PF do Brasil

Também por meio de nota, a Polícia Federal do Brasil em Foz do Iguaçu (Oeste) confirmou a prisão, informando que Panissa foi entregue às autoridades brasileiras na aduana da Ponte Internacional da Amizade, por volta das 20h de quarta-feira.

"Após os procedimentos de praxe, o preso permanecerá custodiado na Polícia Federal, à disposição da Justiça, para o imediato cumprimento da pena", acrescentou a PF. Até a manhã desta quinta-feira (16), ainda não havia informações sobre quando e para onde Panissa seria transferido.

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| Foto: Senad/PY

72 facadas

O assassinato de Fernanda Estruzani ocorreu em 6 de agosto de 1989, no apartamento onde morava, na região central de Londrina. Ela foi morta pelo ex-marido Marcos Panissa com 72 golpes de uma faca de mergulho. Eles se conheceram quando ela tinha 17 anos e Panissa, 20. Réu confesso, ele foi julgado e condenado a 20 anos e seis meses de detenção em 1991.

Foi submetido a um novo julgamento em 1992, tendo a pena reduzida para nove anos de prisão​. A defesa e a acusação recorreram e um terceiro julgamento foi marcado em 1995. Panissa não compareceu e era considerado foragido desde então​. Julgado pelo conselho de sentença do Tribunal do Júri de Londrina em 2008, seu mandado de prisão foi renovado, com a condenação definida em 21 anos e seis meses de detenção. Se ele não fosse capturado até 2033, o crime iria prescrever.

Confira a cronologia completa do caso no podcast Banco dos reús, da FOLHA.

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