A influência da UEL nas vocações de Londrina

As marcas que a universidade deixou na cidade vão das artes aos serviços de saúde, passando pela construção civil e tecnologia

Janaína Ávila/Especial para a FOLHA
Janaína Ávila/Especial para a FOLHA

Uma universidade do porte e importância da UEL (Universidade Estadual de Londrina) influencia de forma muito positiva as cidades que fazem parte da sua área de abrangência. Na setor artístico e cultural, as marcas que a UEL imprimiu em Londrina são muito fortes, como mostra texto sobre os também 50 anos da Casa de Cultura da UEL (páginas 12 e 13).

 

 

O presidente do Sinduscon, Sandro da Nóbrega: profissionais disputados no mercado
O presidente do Sinduscon, Sandro da Nóbrega: profissionais disputados no mercado | Divulgação
 

Um outro viés de desenvolvimento muito importante para a cidade está na área da construção civil, com uma colaboração importante da UEL na formação dessa mão de obra de “exatas”. O curso foi criado em 1971, e implantado em 1972, ou seja, praticamente nasceu com a instituição e para o presidente do Sinduscon Paraná Norte, Sandro Marques de Nóbrega – também formado em engenharia pela UEL – foi um divisor de águas para a construção civil, não só em Londrina, mas em toda a região Norte do Paraná.


“Após o reconhecimento nacional da excelência do curso de engenharia, a UEL passou a receber estudantes de todo o País, grande parte deles fixou residência na cidade, o que colaborou para o fomento da atividade. Atualmente, a construção civil em Londrina responde por 15% do PIB, emprega cerca de 10 mil pessoas e a cidade é sede das maiores construtoras do País. Empresas que absorveram e seguem absorvendo novos talentos oriundos da universidade. Há ainda um importante movimento voltado à inovação do segmento, em que a UEL desenvolve papel essencial”, afirma.


Para Nóbrega, os profissionais formados pela UEL são disputados pelo mercado, reconhecidos pelo alto nível de formação técnica, aptidão para o crescimento profissional e para os mais diversos campos da ciência graças ao acessos aos projetos de pesquisa. “Entre as características, possuem uma forte capacidade de empreender, apontar caminhos, trazer soluções e antecipar problemas. São talentos com senso de comunidade, com peculiar interesse e curiosidade profissional. Conheço grandes empresários e executivos não só de Londrina, mas de todo o país, que têm orgulho de dizer que são formados pela UEL”, comenta.


Ele ainda destaca como a UEL vem se abrindo ao setor produtivo e se posicionando como um player fundamental no progresso econômico e social da região dentro da aceleração dos processos de inovação, inserida no Ecossistema de Inovação e parte do Construhub, o habitat de inovação do Sinduscom, com seis startups.

 

 Para Beatriz Tamura, um médico formado pela UEL carrega consigo uma formação humanizada que acaba sendo um grande diferencial
Para Beatriz Tamura, um médico formado pela UEL carrega consigo uma formação humanizada que acaba sendo um grande diferencial | Elvira Alegre/Divulgação/AML
 


A presidente da Associação Médica de Londrina, Beatriz Emi Tamura, também é uma cria da UEL. “A UEL sempre foi revolucionária, atraindo os melhores especialistas de grandes centros, desde a sua fundação, assumindo um papel de extrema importância e relevância”, diz. Além da sólida bagagem teórica e profundo conhecimento da prática, Beatriz Tamura diz que um profissional da área médica, formado pela UEL, carrega consigo uma formação humanizada que acaba sendo um grande diferencial. “É muito fácil ele ser absorvido pelo mercado e ter a habilidade na lida direta com o paciente”, diz. Ela também observa um ambiente muito propício à inovação na área..


A pandemia consagrou, na opinião da presidente da AML, a importância dos órgãos suplementares no setor da saúde. “São fundamentais. Além do atendimento no HU com seus profissionais capacitados, de suma importância os projetos da psicologia, as ações sociais entre os idosos, a Farmácia da UEL com um aumento de produção e capacidade de distribuição mostrando a todos que esses órgãos são essenciais para a saúde da população de Londrina”, analisa.


O HU é o maior órgão suplementar da Universidade Estadual de Londrina, está ligado academicamente ao CCS (Centro de Ciências da Saúde) e administrativamente à reitoria da UEL e também comemora o Jubileu de Ouro em 2021. Sua missão é prestar assistência integral à saúde, com excelência e qualidade, participando na prática do ensino, pesquisa e extensão, integrado ao SUS e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população. Pelos corredores do hospital circulam estudantes dos cursos de enfermagem, farmácia, fisioterapia, medicina e mais recentemente nutrição além de estagiários de outras áreas, como administração, arquitetura, direito, design, serviço social, comunicação entre outros. E ainda tem o pessoal da pós-graduação que faz residência, doutorado e mestrado e mais 2.588 colaboradores. Professores? São 375.

Desde o final de janeiro de 2020, o HU é a unidade de referência regional para o atendimento de casos suspeitos e confirmados de Covid-19, com uma capacidade instalada que aumento em 55% desde o início da pandemia. A enfermeira Vivian Feijó, diretora superintendente do HU, também se formou na UEL e afirma que os desafios são diários. Inspirada pelos seus antecessores, diz que os esforços são direcionados na inovação, impulsionada pela criatividade para manter e honrar a instituição nos seus propósitos de ensino, pesquisa e extensão. “Ao longo desses 50 anos, houve uma constante renovação das habilidades estratégicas na administração. Este é um elemento essencial de sobrevivência institucional sem perder o perfil acolhedor e humanizado, sempre compartilhando o conhecimento científico e experiências”, afirma.

"Espero que o HU continue crescendo, seguindo os fundamentos da sua existência: assistência, ensino e pesquisa; agregando inovação, novas tecnologias e equipe capacitada para realizações em prol da sociedade”, completa Feijó.


Pioneirismo


Em cinco décadas de existência, perto de 80 mil profissionais saíram das salas de aula da UEL  para ganhar as diferentes áreas do mercado de trabalho. No aniversário da instituição de ensino mais importante de Londrina, é impossível não lembrar os desafios superados e projetar os que ainda virão. Para a pró-reitora da Prograd (Pró-Reitoria de Graduação), Marta Favaro, o pioneirismo começou logo nos primeiros anos, tendo sempre a qualidade como carro-chefe. "Seguir essa diretriz possibilita que vejamos a relevância de quem se formou na UEL em todos os níveis, seja municipal, estadual, federal e até internacionalmente. Até a década de 70, já tínhamos 35 cursos de graduação, que foram mantidos e ganharam novos companheiros", disse.

Recentemente, a UEL passou a oferecer os cursos de Nutrição e Biotecnologia. Os 52 existentes devem passar por uma reformulação nos currículos até 2024. "Estamos atentos às exigências da inovação e do avanço tecnológico, que têm sido determinantes para a revisão da organização curricular, sem, é claro, deixar de lado a tradição", explicou. Favaro adiantou que sete cursos já devem trazer as mudanças no ano letivo de 2022. "Todo o processo de transformação passa por uma série de órgãos internos da universidade. É uma reformulação gradativa, mas feita a muitas mãos", afirmou. (Colaborou Rafael Machado) 


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