Bate-boca entre Gilmar e Mendonça avança para as redes sociais
Após atrito durante julgamento de Alexandre de Moraes, ministros levaram o desentendimento sobre afastamento de Paulo Gonet às plataformas digitais
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sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Após atrito durante julgamento de Alexandre de Moraes, ministros levaram o desentendimento sobre afastamento de Paulo Gonet às plataformas digitais

Brasília - O STF (Supremo Tribunal Federal) viveu momentos de forte tensão institucional durante a sessão plenária da última terça-feira (15), durante julgamento do ministro Alexandre de Moraes. Um pedido de afastamento e o levantamento de sigilo envolvendo o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, catalisaram um embate verbal direto entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça. A animosidade, iniciada presencialmente na Corte, rapidamente migrou no decorrer da semana para o ambiente digital, transformando-se em uma guerra de notas, declarações públicas e acusações de uso político de investigações.
O atrito começou quando os ministros debateram os desdobramentos de investigações sensíveis, incluindo elementos ligados ao chamado caso Banco Master e menções a autoridades num dos celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude financeira bilionária. A decisão de tornar públicas conversas que atingiam indiretamente a imagem de Paulo Gonet gerou reações divergentes.
Durante o julgamento, Gilmar Mendes saiu em firme defesa do chefe do Ministério Público Federal. O decano da Corte não poupou críticas e classificou a exposição como fruto de um "sentimento policialesco", desferindo ataques verbais e chamando a atuação de "leviandade" e "desfaçatez". Em um dos trechos mais ríspidos da discussão no plenário, Gilmar disparou:
"É impressionante que uma pessoa da estatura do Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso, sim, é leviandade. Um sujeito investido de um sentimento policialesco. É impressionante a desfaçatez desse sujeito!", atacou Gilmar.
A reação de André Mendonça foi imediata e inflamada. Sentindo-se acuado pelas alusões e interrupções, o ministro exigiu respeito em tom elevado, rebatendo à altura: "A desfaçatez de Vossa Excelência! Me respeite! Me respeite, não está falando com qualquer um. Respeite este tribunal!"
O bate-boca escalou rapidamente com apartes irônicos de Gilmar — que chegou a dizer: "Pode chorar, pode chorar". Ao que Mendonça retrucou: "Não estou chorando, não. Aqui não tem choro, não". A tensão levou à intervenção de outros magistrados, como Flávio Dino, que classificou o clima como insustentável antes de solicitar vista do processo para evitar um desgaste ainda maior.
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NAS REDES SOCIAIS
A trégua estabelecida pelo pedido de vista de Flávio Dino que paralisou o julgamento de Moraes durou pouco, migrando de imediato para as plataformas digitais. Gilmar Mendes utilizou suas redes sociais para reforçar a solidariedade a Paulo Gonet. Na manifestação, o decano comparou os métodos de exposição de sigilos às práticas da extinta Operação Lava Jato, escrevendo que a medida buscou criar "fatos consumados" e gerar "linchamentos coletivos".
Gilmar também destacou na web: "Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então, por que expor?"
Em resposta, André Mendonça rebateu as críticas apontando contradições regimentais e lembrando que a legislação brasileira proíbe magistrados de comentarem publicamente processos em curso.
Mendonça pontuou que a publicidade inicial dos autos não partiu de uma iniciativa isolada de seu gabinete, declarando: "É no mínimo curioso que a crítica venha de quem sempre pleiteou publicidade irrestrita, da integralidade de toda a investigação".
O episódio aprofunda as divergências internas na Suprema Corte brasileira, evidenciando fraturas sobre os limites da publicidade de inquéritos, o papel do Ministério Público e o tom das relações entre os próprios ministros perante a opinião pública.


Da Redação
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