Brasília - Um novo desdobramento nas investigações que envolvem o STF (Supremo Tribunal Federal) e os reflexos do caso Banco Master veio a público. Reportagens publicadas por veículos de imprensa revelaram que o Instituto Iter - criado pelo ministro André Mendonça - recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa controlada pelo empresário Lucas Kallas, apontado como ex-parceiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso por fraude financeira bilionária. O ministro deixou o Iter no início do mês após recebeu R$ 10,8 milhões de órgãos públicos, a maioria sem licitação.

A informação foi trazida à tona por investigações jornalísticas e análises de contratos divulgadas por portais de notícias e colunistas.

O repasse ocorreu por meio de um acordo de mútuo conversível firmado em abril de 2024, estruturado para financiar a estruturação e as atividades do instituto voltado a cursos jurídicos.

Com o desdobramento do escândalo envolvendo o Banco Master e o escrutínio sobre as relações financeiras do Iter, os pagamentos foram interrompidos e o instituto começou a devolver os recursos em janeiro deste ano — período que antecedeu a designação de André Mendonça como relator do caso Master na Corte.

A instituição informou oficialmente que o ministro André Mendonça e o empresário Lucas Kallas não participaram diretamente das negociações dos termos do contrato, cujas tratativas foram conduzidas pelo presidente-executivo do Iter, o ex-ministro Victor Godoy Veiga, junto a diretores da Cedro. O Iter destacou ainda que os valores foram devidamente contabilizados, que nunca houve distribuição de lucros ou dividendos a Mendonça, e que o magistrado deixou a sociedade do instituto no início de setembro.

Representantes da Cedro Participações negaram qualquer vínculo comercial ou societário entre Lucas Kallas e Daniel Vorcaro, afirmando que a atuação da holding se concentra no setor de mineração.

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O QUE DIZ MENDONÇA

Procurado para comentar as revelações sobre o repasse milionário ao instituto que fundou, o ministro André Mendonça optou por não se manifestar diretamente sobre o contrato de mútuo.

No entanto, em declarações e notas emitidas em meio ao acirramento das tensões no STF, o magistrado tem rechaçado tentativas de intimidação e afirmado que tem sido vítima de ataques injustos.

Mendonça sustenta que sua atuação processual e jurisdicional nos casos sob sua relatoria — incluindo decisões relacionadas a investigações da cúpula financeira — tem ocorrido com estrita observância à lei e à imparcialidade, pontuando que diversas de suas decisões no processo foram, inclusive, contrárias aos interesses defendidos por Daniel Vorcaro.

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