Sandro Alex denuncia suposta manobra para beneficiar vice de Moro
Conforme denúncia feita ao TCU pelo candidato do PSD, Fiep teria alterado estatuto para retirar regra que impediria Edson Vasconcelos ser vice de Sergio Moro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Conforme denúncia feita ao TCU pelo candidato do PSD, Fiep teria alterado estatuto para retirar regra que impediria Edson Vasconcelos ser vice de Sergio Moro

Curitiba - A Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) teria alterado seu estatuto, em plena disputa eleitoral de 2026, para retirar uma regra que impediria Edson Vasconcelos, candidato a vice-governador na chapa de Sergio Moro, de reassumir a presidência da instituição. A mudança é apontada como favorecimento direto ao ex-presidente da entidade em denúncia apresentada por Sandro Alex (PSD) ao Tribunal de Contas da União (TCU), que também questiona o uso da estrutura da Fiep para dar exposição política a Moro em eventos realizados no ano passado, quando Vasconcelos já conduzia a entidade.
Em 2025, Moro participou de praticamente todos os Fóruns Regionais da Indústria promovidos pela Fiep no Paraná, aponta Sandro Alex. Em Irati, por exemplo, o senador aproveitou o evento para falar sobre sua atuação política e sobre as demandas que havia identificado durante sua passagem pelos municípios. A denúncia feita ao TCU sustenta que a participação extrapolou a pauta industrial e assumiu contornos eleitorais.
Vasconcelos, eleito presidente da Fiep para o mandato 2023-2027, deixou o cargo em março de 2026 após se filiar ao PL para disputar a eleição como vice de Moro. Até então, o estatuto previa que quem renunciasse ou perdesse o mandato ficaria cinco anos impedido de ocupar qualquer cargo na Federação, inclusive de representação.
Em 26 de agosto, porém, uma Assembleia Geral Extraordinária aprovou uma exceção à regra. O novo dispositivo retirou a quarentena para casos de perda de mandato decorrente de incompatibilidade com função política ou de renúncia – exatamente as hipóteses relacionadas à saída de Vasconcelos. A denúncia sustenta que a alteração foi feita sob medida para beneficiar o candidato a vice de Moro.
USO DE ESTRUTURA
A denúncia também questiona cinco contratos do Sistema Fiep, Sesi, Senai e IEL relacionados à divulgação e estrutura dos fóruns realizados em 2025. Os ajustes citados somam, na forma apresentada na denúncia, cerca de R$ 11,27 milhões, incluindo R$ 600 mil para mídia e divulgação do “Momento Indústria”, R$ 496,1 mil em propaganda de rádio, R$ 2,27 milhões para locação de tendas e estruturas, R$ 1,9 milhão para organização de eventos e alimentação e contratos de R$ 6 milhões para serviços de live marketing. A execução registrada nos contratos citados supera R$ 5,18 milhões.
A própria denúncia ressalva que os contratos, individualmente, podem corresponder a atividades legítimas de comunicação institucional. O questionamento é se a estrutura de mídia, eventos e marketing financiada por esses recursos foi efetivamente separada dos eventos nos quais, segundo a peça, Moro recebeu exposição política e Vasconcelos ampliou sua presença institucional.
A alteração do estatuto foi aprovada apenas em 26 de agosto, a pouco mais de um mês do dia da eleição e em meio à realização da Expo+Indústria, evento promovido pela própria Fiep em Pinhais. Para e equipe jurídica que representa Sandro Alex, a mudança foi acelerada para ser aprovada ainda antes do fim do prazo previsto nas regras da entidade e acabou criando uma exceção que se encaixa justamente na situação de Vasconcelos.
A denúncia pede ao TCU que investigue se a alteração foi feita para atender a um interesse político específico. O documento também solicita a preservação e análise dos registros relacionados aos eventos e à assembleia, incluindo os gastos realizados e a origem dos recursos. A preocupação apresentada ao Tribunal é verificar se a estrutura financiada pelo Sistema Fiep foi utilizada para favorecer candidaturas e interesses eleitorais.
Em nota, a Fiep disse "tomou conhecimento da existência da denúncia protocolada perante o Tribunal de Contas da União, mas esclarece que ainda não foi formalmente citada para apresentar manifestação". A entidade informou ainda que dispõe ampla "documentação que, certamente, será suficiente para demonstrar a plena regularidade das deliberações estatutárias, dos eventos institucionais e dos contratos celebrados, desqualificando as ilações constantes da peça acusatória".
Por fim, a Fiep disse que, "por rigor institucional e respeito ao devido processo legal, aguardará a notificação oficial para apresentar essa documentação e se manifestar de forma completa sobre cada um dos pontos levantados, não sendo apropriado antecipar, pela imprensa, argumentos de mérito que serão devidamente instruídos no âmbito próprio do processo".
A entidade lamentou que o" teor da denúncia ainda pendente de notificação formal, com tramitação em sigilo, tenha sido antecipado à imprensa antes mesmo de a entidade ser cientificada".


Da Redação
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