Juiz pode formalizar transferência de Panissa a Londrina em poucos dias
Marcos Panissa está preso na Cadeia Pública de Foz do Iguaçu, aguardando decisão sobre onde irá cumprir a pena pelo homicídio de Fernanda Estruzani
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sábado, 18 de abril de 2026
Marcos Panissa está preso na Cadeia Pública de Foz do Iguaçu, aguardando decisão sobre onde irá cumprir a pena pelo homicídio de Fernanda Estruzani

Após ser capturado no Paraguai na quarta-feira (15), Marcos Campinha Panissa foi expulso do país e entregue à PF (Polícia Federal) de Foz do Iguaçu (Oeste). Diogo Adelino, escrivão da delegacia da PF, informou que Panissa está preso na Cadeia Pública do município, onde aguarda a decisão do juiz da Vara de Execuções Penais de Londrina, Osvaldo Taque, sobre uma possível transferência a cidade, para que seja iniciado imediatamente o cumprimento da pena de 19 anos e seis meses de reclusão. Panissa passou 31 anos foragido pelo homícidio de sua ex-esposa Fernanda Estruzani, com 72 facadas.
O advogado do condenado, Antônio Carlos Vianna, almeja que seu cliente cumpra a pena em Londrina, visto que, “em regra geral, será na cidade onde está a Justiça que o condenou”. Conforme Silvana Pedroso, que atua junto de Vianna, a Vara de Execuções Penais foi comunicada formalmente da prisão de Panissa na sexta (17) à tarde, também sendo informada do seu paradeiro atual, no presídio do município fronteiriço.
“Agora, o juiz de Londrina pode formalizar o pedido de transferência dele para cumprir a pena aqui em Londrina. Assim, a formalidade até ele ser transferido deve demorar alguns dias”, considerou Pedroso. Após a definição do local por parte do magistrado, o Depen/PR (Departamento Penitenciário do Estado do Paraná) será responsável pelo transporte de Panissa.
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Crime passional
Vianna irá interpor um recurso ao TJPR (Tribunal de Justiça do Estado do Paraná) solicitando uma redução substancial da pena de seu cliente. Se o crime for reconhecido como passional, como o advogado espera, a defesa irá pleitear uma nova pena de seis a oito anos de prisão. Ele visa que Panissa cumpra um sexto do período e passe para o regime semiaberto, podendo trabalhar durante o dia e se recolher à noite.
Já o tio de Fernanda Estruzani, José Antônio Mota, considera o homicídio uma “barbaridade”, e não resultado de “briga de marido e mulher”. Ele espera que Panissa cumpra os 19 anos e seis meses de pena definidos pela Justiça em 2010 - após uma apelação da defesa -, sem que uma redução seja concedida.
Captura no Paraguai
Panissa entrou no Paraguai com uma identidade falsa, com o nome José Carlos Vieira, e constituiu uma nova família, trabalhando no comércio. A esposa e filhos não sabiam que o patriarca havia assassinado a ex-esposa e não conheciam sua identidade verdadeira, conforme Jalil Rachid, ministro da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai), que viabilizou a captura junto de órgãos brasileiros.
Por volta do meio-dia de quarta, Panissa foi abordado em uma via pública de San Lorenzo, cidade localizada na Região Metropolitana da capital Assunção, e entregue à PF de Foz do Iguaçu naquela noite, por meio da Ponte Internacional da Amizade.

Relembre o caso
Fernanda Estruzani e Marcos Panissa se conheceram quando tinham 17 e 20 anos, respectivamente e tiveram uma filha juntos. Ele possuía uma cópia da chave do apartamento onde a vítima morava, no centro de Londrina, que foi a cena do crime em 6 de agosto de 1989.
O tio de Fernanda afirmou que Panissa entrou no local e avistou a ex-esposa dormindo no sofá da sala, pegou uma faca e desferiu os 72 golpes. Reconhecendo o corpo no IML (Instituto Médico Legal) posteriormente, disse que a jovem aparentava ter sido atingida ainda mais vezes. “Ela estava furada do couro da cabeça à sola do pé”, lamentou.
Panissa não compareceu a seu terceiro julgamento em 1995, sendo considerado foragido desde então. Se ele não fosse capturado até 2033, o crime iria prescrever.
Confira a cronologia completa do caso no podcast Banco dos reús, da FOLHA.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.





