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m de leitura Atualizado em 17/02/2021, 18:51

Quadrinho na Tela: o que mudou em 154 anos de histórias em quadrinho no Brasil?

O 30 de janeiro marca o Dia do Quadrinho Nacional. Entre charges, balões e muito humor, o cenário passa por intensas mudanças com a chegada da internet

PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de janeiro de 2021

LARA BRIDI COSTA
AUTOR autor do artigo

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Dentuça, baixinha, gorducha. Não é preciso nem dizer seu nome para saber de quem estamos falando. Brasileiro que é brasileiro já se divertiu muito com Cebolinha, Magali, Cascão e o toda a Turma da Mônica. A dona da Rua do Limoeiro é a mais icônica figura dos quadrinhos nacionais, sendo sucesso por gerações, ganhando filmes e trazendo sorrisos a crianças e adultos. Seu criador, Maurício de Souza, ao lado de grandes nomes como Laerte e Angeli, são alguns dos autores que inspiram novas gerações de cartunistas.  E é justamente hoje, no dia 30 de janeiro, em que se celebram esses artistas do Brasil, no Dia do Quadrinho Nacional.

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|  Foto: Will TIrando
 

A data foi criada nos anos 80, pela Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas de São Paulo, e oficializada em 1985. O 30 de janeiro foi escolhido por ser a centelha de uma cultura: foi nesse dia, em 1867, em que se publicou a considerada primeira história em quadrinhos do país. O italiano Ângelo Agostini, radicado no Brasil, fez história ao apresentar As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte no jornal paulista O Cabrião. Até então, o país não conhecia essa forma tão dinâmica de se fazer uma narrativa. Mas não se engane! O aniversário não é o “Dia Nacional do Quadrinho”, mas o Dia do Quadrinho Nacional, ou seja, uma celebração a arte genuinamente brasileira.

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|  Foto: wikipedia
 

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Hoje, 154 anos depois, “mudou praticamente tudo”. Essa é a percepção de Marco Jacobsen, cartunista de Santos que mora em Curitiba. Você já deve conhecê-lo, ele é o autor das charges que são publicadas aqui na Folha de Londrina. Jacobsen começou a criar quadrinhos aos 16 anos, quando precisou ficar um longo período de repouso por conta de um quadro de Hepatite. Desde então, publicou em diversos jornais impressos paranaenses, alguns dos quais nem existem mais. Hoje, com 48 anos, percebe que a chegada das redes sociais alterou o modelo de trabalho de chargistas de maneira geral. Quando ele entrou no mundo dos quadrinhos, suas maiores inspirações vinham de autores estrangeiros, como Robert Crumb, ou de publicações no O Pasquim, mas ele relata que não havia tantas referências à mão. Jacobsen entende que, atualmente, o acesso a “muitos outros artistas, muitos livros vieram a favor do artista. Mas tem a questão de você perder um pouco a exclusividade o que baixou muito o valor do trabalho”.

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|  Foto: Arquivo pessoal
 
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|  Foto: Marco Jacobsen
 
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|  Foto: Marco Jacobsen
 

Já para Will, esta sempre foi uma realidade. Willian Leite é o porecatuense por trás de “Will Tirando” e tantos personagens que divertem os internautas. Foi ele quem idealizou a Dona Anésia, uma senhora rabugenta que faz sucesso nas redes sociais, mas não foi assim que tudo começou. Na juventude, Will utilizava a hoje falecida rede Orkut para publicar tirinhas humorísticas com desenhos muito mais simples, apenas bonecos de palito. Mas o que antes era apenas uma diversão entre amigos acabou virando profissão.

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|  Foto: Will TIrando
 
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|  Foto: Arquivo Pessoal
 

Ele observou que o modelo de tirinhas caiu muito bem no mundo digital, em que os usuários não querem gastar muito tempo para ler um grande texto, enquanto se pode ler um tweet de apenas 280 caracteres. “Talvez esse seja um dos méritos das tiras para a internet: você conseguir, rapidamente, com pouco texto e, às vezes, com texto nenhum passar uma mensagem” – avalia. Paralelamente a isso, alcançar o público é um desafio. Na web, a concorrência é mais ampla, “não só com os quadrinhos, mas com a enxurrada de conteúdo, já que todo mundo hoje pode ser um gerador de conteúdo e é” – completa o artista.

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Apesar dessa popularização, autores percebem que nem sempre as pessoas reconhecem seu trabalho como arte e profissão. Parte da população “acha que quadrinho é coisa de criança, que charge é só para deboche, não tem uma leitura mais apurada dessa modalidade de arte” - conta Jacobsen, que além de chargista trabalha como designer, editor e tatuador. Por outro lado, o Brasil tem visibilidade no exterior por conta de seus cartunistas. Mídias estrangeiras por muitas vezes “importam” seus quadrinistas do Brasil dado sua grande competência técnica e maturidade. Will analisa que em diversas ocasiões o artista é marginalizado, “mas quando se cria uma data para homenagear os criadores de quadrinhos a gente vê que tem gente que dá valor e importância” – em suas palavras. O cartunista ainda vislumbra que em um cenário futuro seja “possível que chegue uma hora que os quadrinistas se dissolvam no meio de outras profissões mais voltadas ao humor, como roteiristas, chargistas, na televisão, YouTube e animação. Mas eles vão existir de alguma maneira. O autor de desenhos, o ilustrador como um todo vai sempre existir”.

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|  Foto: Marco Jacobsen
 
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|  Foto: Marco Jacobsen
 
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|  Foto: Marco Jacobsen
 

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