Cesta básica sobe 2,53% em outubro e atinge maior valor no ano
Preço médio dos 13 itens que compõem a cesta ficou em R$ 734,81; clima é apontado como um dos fatores que impulsionaram a alta
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segunda-feira, 02 de novembro de 2026
Preço médio dos 13 itens que compõem a cesta ficou em R$ 734,81; clima é apontado como um dos fatores que impulsionaram a alta
A cesta básica voltou a subir em Londrina, em outubro. O conjunto de alimentos considerados essenciais teve variação de 2,53% e encerrou o último mês com valor médio de R$ 734,81. Até agora, é o maior valor nominal registrado em 2026.
Realizado pelo NuPEA (Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas), da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), o levantamento foi feito nos dias 30 e 31 de outubro, em 11 redes de supermercado de Londrina. A pesquisa é feita com base nos preços dos produtos mais em conta, sem considerar marcas.
Entre os 13 itens, oito apresentaram aumento. A maior variação foi observada no tomate, que subiu 13,4% na comparação com setembro. Também ficaram mais caros a banana (9,2%), a margarina (6,6%), a batata (5,8%), o café (4,5%), o açúcar (3,0%), a farinha de trigo (2,7%) e o feijão (1%).
O pão e a carne, com variações negativas abaixo de 1%, foram considerados estáveis. O pão baixou 0,3% e a carne teve redução de 0,6%.
Na lista dos que ficaram mais baratos estão o arroz (-1,7%), o óleo de soja (-1,2%) e o leite (-1,1%).
O NuPEA ressalta que embora o valor médio tenha sido calculado em R$ 734,81 no mês passado, se o consumidor se dispusesse a adquirir os produtos de menor preço em cada um dos supermercados pesquisados, a mesma cesta básica sairia por R$ 561,46, uma economia de 23,6%.
Em uma situação mais real, porém, com o consumidor comprando todas as mercadorias no supermercado que apresenta os menores preços, o valor final seria de R$ 619,71, redução de 15,7% sobre o preço médio.
Mas no caso do consumidor resolver fazer suas compras no estabelecimento mais careiro, ele pagaria 11,3% a mais, desembolsando R$ 817,91.
Fatores climáticos
O coordenador do NuPEA, o economista Marcos Rambalducci, atribuiu o aumento da cesta básica em outubro aos fatores climáticos. Excesso de chuva, lembrou ele, afeta a colheita da batata e temperaturas mais baixas atrasam o amadurecimento do tomate. A redução da oferta desses dois produtos no mercado estimula a alta de preços.
O clima está sob influência do El Niño, que deve se estender por todo o verão, segundo as previsões meteorológicas. Se elas se confirmarem, as condições climáticas serão um fator importante a se levar em conta e podem impactar negativamente o preço dos alimentos, destacou o economista.
Rambalducci apontou ainda outras duas variáveis que devem ser consideradas. "O aumento da demanda de alguns alimentos, como a carne, que deve pressionar os preços, e a taxa de câmbio. Com a disparada do dólar, os insumos para a agricultura ficam mais caros, o que provoca aumento de custos na produção, que será repassado aos preços. E por outro lado, incentiva as exportações, retirando mercadoria do mercado interno e pressionando os preços por aqui", analisou.
A carne é o produto com maior peso no preço final da cesta básica. Em outubro, correspondeu a 43,3% do valor médio da cesta. A referência utilizada no levantamento é o coxão mole, em peça ou fatiado, o que estiver mais em conta no dia da pesquisa.
Entre as 11 lojas pesquisadas em outubro, o preço do mesmo corte de carne variou de R$ 39,99 a R$ 54,90 o quilo, resultando no valor médio de R$ 48,23, ligeiramente abaixo dos R$ 48,52 cotados em setembro.
Avanço
Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o preço da cesta básica em outubro de 2026 avançou 18,74%. Há um ano, o conjunto de alimentos era cotado em R$ 618,84.
No acumulado de 2026, a alta é de 15,52%. Em 1º de janeiro, a cesta básica custava, em média, R$ 636,10."O poder de compra do salário mínimo, medido pela quantidade de cestas básicas que ele permite adquirir, caiu 5,4% na comparação entre o período de janeiro a outubro de 2026 e o mesmo período de 2025", concluiu a pesquisa do NuPEA. "Esse indicador evidencia que o reajuste nominal do salário mínimo não foi suficiente para acompanhar a evolução do custo da cesta básica ao longo do período analisado."
Embora considere arriscado fazer previsões sobre a variação dos alimentos, o coordenador do NuPEA identifica fatores que podem impactar significativamente a formação do preço da cesta. "As circunstâncias atuais parecem apontar para uma possível alta no preço médio da cesta básica para os próximos três meses."
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IPCA-15
Medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), prévia oficial da inflação brasileira, apontou que os alimentos consumidos dentro de casa tiveram alta de 1,01% em outubro.
Enquanto o IPCA-15 baixou de 0,70% em setembro para 0,32% em outubro, os alimentos consumidos em casa aceleraram indicando pressão concentrada em itens da cesta alimentar. O grupo Alimentação e Bebidas registrou expansão de 0,88% no mês passado e respondeu por 0,19 ponto percentual da inflação total, de 0,32%. Assim como a pesquisa municipal, o tomate liderou o movimento de alta, com 24,54% de aumento, seguido da cebola (+13,63%), da batata-inglesa (+10,96%) e do arroz (+5,80%). O tomate foi o preço individual que mais pressionou o IPCA-15.
Entre os itens que ficaram mais em conta, a cenoura encabeça a lista, com redução de 10,67%. Abaixo estão as frutas (-1,37%) e o café moído (-1,16%).
Na avaliação do economista Roberto Luis Troster, coordenaor do Cefeb (Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), não houve alívio disseminado dos preços e a maior pressão veio dos alimentos. "A desaceleração mensal é bem-vinda, mas ainda não demonstra uma trajetória consistente de queda da inflação. Em resumo: ganhou-se uma batalha contra a inflação, mas a guerra ainda não acabou."(Com Agência Brasil)


Simoni Saris
Jornalista





