Com mais de 160 milhões de animais de estimação, o Brasil tem a terceira maior população de pets do mundo, atrás apenas da Argentina e do México. O amor pelos bichinhos aquece a economia. De olho no faturamento bilionário do setor, o segmento hoteleiro investe no conceito pet-friendly, adaptando infraestruturas, oferecendo serviços exclusivos e convertendo a presença dos animais em uma nova e rentável fonte de receita para o turismo. Os estabelecimentos adaptados a essa mudança no comportamento dos tutores, que cada vez mais optam por viajar na companhia de seus animais, saem na frente, mas uma pesquisa mostra que a hotelaria ainda tem muito a avançar nesse sentido, especialmente nas capitais brasileiras.

Um estudo elaborado pela PriceLabs, plataforma automatizada de precificação dinâmica e gestão de receita voltada ao setor de hospedagem, avaliou hotéis em 87 municípios brasileiros com mais de cem mil habitantes com base nos dados disponibilizados pelo site de reservas Booking.com. Com o cálculo da porcentagem de hotéis que recebem animais de estimação em cada cidade, foi feito um ranking que mostra que a oferta de hotéis pet-friendly muda muito de um destino para outro, mas coloca as grandes capitais bem atrás de cidades litorâneas e do interior.

Itanhaém, no litoral paulista, lidera o ranking, com 69,5% dos hotéis preparados para receber hóspedes com pets. Em seguida, vêm Atibaia (SP), com 68,6%, Araruama (RJ), com 66,1%, Palhoça (SC), com 64,4%, e Pelotas (RS), com 62,4% dos serviços de hospedagem adaptados. A capital melhor posicionada no ranking foi Campo Grande, em sexto lugar, com 62,2%.

No Paraná, a melhor colocação foi obtida por Maringá (Noroeste), que ficou em décimo lugar, com 60,2% da rede hoteleira preparada para acolher os animais de estimação. São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, aparece na 12ª colocação (57,8%), seguida de perto por Cascavel, na 13ª posição, com 55,3%.

Entre os 87 municípios listados, Londrina está em 22º lugar, com pouco mais da metade dos hotéis pet-friendly, totalizando 51,2%. Completam a lista de municípios paranaenses ranqueados Foz do Iguaçu (Oeste), na 39ª posição, com 46,4% dos hotéis com acomodações pet-friendly, Curitiba, na 79ª colocação (28,9%) e Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, que com 11,3% ficou em último lugar.

Sócio-administrador e gerente dos hotéis Crystal e Ideal e membro da diretoria do Visite Londrina Convention & Visitors Bureau, Pietro Veronesi classifica os hotéis em três tipos: os que aceitam 100% pets, os que não aceitam e os que possuem áreas delimitadas para receber os hóspedes de quatro patas, com acomodações específicas. As adaptações na estrutura dos serviços de hospedagem incluem pisos específicos, que acumulam menos sujeira e móveis resistentes a mordidas e arranhões.

Investir no conceito pet-friendly, disse Veronesi, costuma trazer bom retorno aos hotéis. “Por mais que tenha hóspedes que não gostam porque temem ser incomodados com latidos fora de hora, por exemplo, geralmente a estrutura pet-friendly é positiva, afinal, os animais de estimação, hoje, são parte da família.”

Veronesi avalia que os estabelecimentos só têm a ganhar porque permitir a estada de pets ajuda a aumentar a taxa de ocupação média. “Geralmente, cobra-se uma taxa de 20% a 30% a mais porque os quartos adaptados têm que ter uma limpeza especial. Mas estar preparado para receber os animais interfere positivamente na decisão dos hóspedes.”

Promover adequações para tornar-se um estabelecimento pet-friendly é uma prioridade para a rede hoteleira, afirmou o vice-presidente do SindiHotéis Londrina (Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Londrina e Região), Thiago Galli. “O hóspede com pet é uma demanda crescente e cada vez mais os hotéis de Londrina têm se adaptado a ela e recebido nossos amigos bichos.”

Galli observou que hotéis que já aceitavam animais de pequeno porte agora estão se adaptando para receber animais maiores e os que não aceitavam começam a mudar sua estratégia.

Em geral, as adaptações necessárias são simples, segundo o vice-presidente do SindiHotéis Londrina. “Definir uma política de pets, como porte, quantidade, taxa, reservar quartos específicos, oferecer kits de boas-vindas, como potes, caminhas, tapete higiênico, treinar a equipe e sinalizar áreas liberadas”, elencou.

Embora não haja lei específica para regulamentar a permanência de pets em hotéis, Veronesi destacou que regras internas de cada estabelecimento podem proibir que o animalzinho fique desacompanhado no quarto por motivos de segurança, bem-estar e convivência. Os serviços de hospedagem têm autonomia jurídica para ditar suas próprias normas desde que informem o consumidor previamente.

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