Setores elencam prioridades para governo Moro no Paraná
Entidades defendem avanços em infraestrutura, desenvolvimento industrial, habitação, educação e maior diálogo com municípios na gestão que começa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Entidades defendem avanços em infraestrutura, desenvolvimento industrial, habitação, educação e maior diálogo com municípios na gestão que começa

Infraestrutura e logística, desburocratização, estímulo à indústria, habitação e valorização dos profissionais da educação estão entre as demandas que diferentes setores da sociedade paranaense apresentam ao governador eleito Sergio Moro (PL). A pouco menos de três meses da posse, entidades empresariais, representantes da construção civil e trabalhadores da educação elencam prioridades para a próxima gestão.
Eleito no primeiro turno, superando Sandro Alex (PSD), que era apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD), Moro terá o desafio de conciliar demandas de diferentes setores e regiões do estado, que é a quarta maior economia do país. Parte das reivindicações já foi apresentada durante a campanha, enquanto outras ganham força agora, às vésperas do início da transição de governo.
O vice-presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Gerson Guariente Júnior, afirma que a entidade espera articulações integradas em economia, infraestrutura, governança e inovação para o Paraná. Ele reforça que é necessário fortalecer a indústria no interior, “com empresas âncoras e implementação de projetos de energia limpa e economia circular”.
“Isso exige a duplicação dos eixos rodoviários para São Paulo e Mato Grosso do Sul, a modernização da malha ferroviária rumo ao Porto de Paranaguá, o uso aeroportuário para cargas e a revisão da segurança energética regional. Também é preciso desburocratizar licenciamentos e garantir a previsibilidade regulatória para atrair investimentos, junto com uma descentralização administrativa capaz de proporcionar autonomia real para o interior”, pontuou o vice-presidente da Acil.
Segundo Guariente, a formação acadêmica deve estar alinhada às demandas da nova economia e a inovação precisa ser consolidada como política pública permanente, “regionalizando os fundos de fomento, estimulando o uso de tecnologias emergentes e da inteligência artificial nos setores produtivos”.
Região de Londrina
Em nota, a Amepar (Associação dos Municípios do Médio Paranapanema), presidida pelo prefeito de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), Conrado Scheller (PSD), defendeu que obras e programas em andamento não sejam interrompidos.
“Tenho certeza, até pelo posicionamento do governador Moro, que importantes obras não sofrerão descontinuidade. Afinal de contas, as obras não são de prefeitos ou de governadores, são para a população que tanto aguarda. Agindo assim, estará garantindo que obras e iniciativas importantes para o desenvolvimento do Norte do Paraná não sofram interrupções”, afirmou Scheller.
Para a região, o presidente da Amepar cita como demandas a ampliação dos serviços de saúde, especialmente consultas, exames e cirurgias especializadas; melhorias na infraestrutura rodoviária e na mobilidade regional; além de investimentos em segurança pública, educação, habitação e geração de empregos.
“Também defendemos o fortalecimento do municipalismo, com mais recursos, menos burocracia e maior autonomia para as prefeituras. A expectativa é que o próximo governo mantenha o diálogo com os municípios e avance nos projetos estruturantes que beneficiam toda a região”, destacou Scheller, que também cita a necessidade de investimentos em proteção animal, área que, segundo ele, ainda conta apenas com recursos municipais.
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Construção civil
O presidente do Sinduscon Paraná Norte (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Norte do Paraná), Sandro Nobrega, apontou como prioridade do setor a modernização do ambiente regulatório, com simplificação e digitalização dos processos de licenciamento e aprovação de projetos, além de maior integração entre Estado e municípios.
“A desburocratização e a previsibilidade dos processos são fundamentais para estimular investimentos e conferir maior eficiência ao setor”, afirmou Nobrega, em nota.
O presidente também aponta a necessidade de investimentos na infraestrutura rodoviária, especialmente nos acessos a Londrina e nos corredores de ligação do Norte do Paraná com o estado de São Paulo. Entre as prioridades, segundo o Sinduscon, estão duplicações, melhorias viárias e a implantação de contornos rodoviários.
O Sinduscon considera urgente a ampliação dos investimentos na infraestrutura de transmissão e distribuição de energia, de modo a acompanhar o crescimento da demanda e garantir capacidade de atendimento da indústria. Segundo a entidade, os investimentos são fundamentais para aumentar a competitividade industrial e viabilizar o desenvolvimento imobiliário e urbano.
Outra demanda elencada por Nobrega é o fortalecimento da política habitacional por meio de programas estaduais, como o Casa Fácil Paraná, que, segundo a entidade, contribuem para reduzir o déficit habitacional, gerar empregos e estimular o desenvolvimento econômico.
A entidade também considera fundamental o incentivo à industrialização da construção, com a incorporação de inovação, novas tecnologias e processos produtivos, assim como a ampliação de políticas de qualificação profissional.
Indústria
A Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) apresentou durante a campanha eleitoral sua proposta de Política Industrial para o Paraná, resultado de um processo desenvolvido pela entidade desde 2024. A federação defende uma política industrial de longo prazo, com foco em segurança jurídica, desburocratização, competitividade tributária, atração de investimentos, infraestrutura logística e energética, qualificação profissional, inovação e transformação digital.
A entidade também cobra mecanismos de governança, metas e acompanhamento para garantir continuidade às ações independentemente das mudanças de governo.
Ensino público
Procurada pela reportagem, a APP-Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná) disse que apresentou aos candidatos uma carta com 17 compromissos para a educação estadual. Segundo a presidente da entidade, Walkiria Mazeto, Moro não assinou o documento.
A APP-Sindicato cobra a valorização dos profissionais da educação, com cumprimento do piso salarial, revisão das carreiras, concursos públicos e redução dos contratos temporários. A entidade também defende mais recursos para a escola pública, gestão democrática e mudanças em políticas da atual gestão, com a revogação de programas que classifica como formas de privatização e o fim da militarização das escolas, além de medidas voltadas às condições de trabalho e aos direitos de servidores ativos e aposentados.
Agronegócio
A SRP (Sociedade Rural do Paraná), em nota, defendeu que o próximo governo avance em pautas como segurança jurídica, infraestrutura, crédito rural, energia, pesquisa e fortalecimento da agroindústria. Segundo o presidente da entidade, Ilson Romanelli, entre as expectativas da SRP está a de que a pasta da Agricultura seja comandada por alguém com conhecimento e experiência no agronegócio e nas diferentes cadeias produtivas.
A SRP cita ainda como demandas a garantia do direito de propriedade e a prevenção de invasões de terras, investimentos em estradas rurais, rodovias e duplicações de trechos estratégicos, além da ampliação do acesso ao crédito para pequenos e médios produtores e da melhoria do fornecimento de energia elétrica no campo.
A entidade também defende a manutenção dos investimentos em pesquisa e inovação, além de políticas de incentivo à instalação de agroindústrias, com o objetivo de agregar valor à produção, gerar empregos e ampliar a parcela da produção paranaense industrializada dentro do próprio estado.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.





