O senador Sergio Moro (PL) foi eleito governador do Paraná no primeiro turno neste domingo (4). Com 100% das urnas apuradas por volta das 21h, ele obteve 50,1% dos votos válidos, somando mais de 3,1 milhões de votos. Edson Vasconcelos (PL) será o vice-governador.

O ex-secretário Sandro Alex (PSD), apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD), ficou em segundo lugar, com 25,36% dos votos válidos. O deputado estadual Requião Filho (PDT), que disputou com Sandro a segunda colocação ao longo da apuração, terminou em terceiro, com 23,47%.

A campanha de Moro apostou principalmente na imagem construída por ele durante a Operação Lava Jato e teve como eixos o combate à corrupção e a oposição ao PT. O ex-juiz também se alinhou à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), com quem cumpriu agendas durante a disputa, e buscou consolidar o apoio do eleitorado de direita no estado.

O resultado manteve uma tradição do Paraná de resolver a disputa pelo Executivo estadual ainda no primeiro turno. A última vez que a eleição para governador foi ao segundo turno ocorreu em 2006, quando Roberto Requião venceu Osmar Dias por uma diferença de apenas 10.479 votos. De lá para cá, Beto Richa (PSDB) e Ratinho Junior (PSD) foram eleitos e reeleitos no primeiro turno.

‘VAMOS TRABALHAR PARA TODOS’

Em pronunciamento após a vitória, Moro agradeceu ao “bom povo do Paraná” pelo resultado no primeiro turno, obtido, segundo ele, “contra toda a máquina, contra todas as mentiras que colocaram contra a gente”.

“Nós vamos iniciar um novo ciclo de desenvolvimento no Paraná, respeitando o que foi feito no passado, respeitando o que é feito no presente. Nós vamos trabalhar para o cidadão paranaense”, afirmou.

Moro disse que pretende mostrar que “é possível fazer um governo honesto e um governo eficiente” e garantiu que será intolerante com qualquer tipo de desvio.

O governador eleito também avaliou que será necessário enfrentar os “pontos de estrangulamento econômico” do Paraná e disse acreditar que o estado “pode mais” e “pode melhor”.

“As urnas provaram que o Paraná não tem dono. Só quem manda no Paraná é a população paranaense. Essa eleição nunca foi sobre Ratinho Junior. Essa eleição foi sobre Sergio Moro e o nosso projeto”, declarou, ao lado dos senadores eleitos Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).

Moro reforçou que não permitirá que a máquina pública seja utilizada “para finalidade política” e defendeu a liberdade política no estado. “Vamos trabalhar para todos os cidadãos paranaenses. Vamos trabalhar com todos os prefeitos em parcerias, porque no final o que conta é atender o cidadão de cada cidade do Paraná”, ressaltou.

SANDRO ALEX

Segundo colocado na disputa, Sandro Alex divulgou uma nota após o resultado e classificou a campanha como “uma caminhada bonita, feita de muito trabalho, encontros e carinho por todo o nosso Estado”.

“Minha gratidão ao governador Ratinho Junior, ao nosso vice Rafael Greca, a todo o nosso time e, especialmente, a cada paranaense que acreditou no nosso projeto. Mais de 1,5 milhão de pessoas estiveram ao nosso lado. Cumprimento o governador eleito, Sergio Moro, e desejo sucesso na missão de conduzir o Paraná”, escreveu.

***

Analista avalia que Moro poderá aproveitar quadros da atual gestão

A vitória de Sergio Moro (PL) abre uma incógnita sobre a composição do próximo governo estadual. Para o professor de ética e filosofia política da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Elve Cenci, o governador eleito não dispõe de um grupo político tradicional estruturado para assumir a administração e poderá recorrer tanto a nomes indicados por aliados quanto a quadros técnicos que já integram a gestão de Ratinho Junior (PSD).

“De certa forma, a ruptura política que aconteceu no Estado, na disputa eleitoral, foi entre o Ratinho Junior e o Moro, não necessariamente entre os quadros do governo”, pontuou Cenci. “Neste caso, há um espaço aberto muito maior do que em outros governos e com governadores anteriores, exatamente porque Moro não tem quadros.”

Na avaliação do professor, a vitória de Moro também passa por escolhas feitas por Ratinho Junior na definição de seu sucessor. Cenci considera que o governador demorou para escolher o candidato e preteriu nomes que, na avaliação dele, teriam maior competitividade eleitoral. Ele cita o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos).

“Ele confiou demais na capacidade de transferência de votos. Achava que a aprovação que tinha era do governo, quando, na verdade, era dele. Se fosse do governo, teria conseguido transferir essa popularidade para o candidato. E isso não aconteceu”, destacou.

Cenci avalia ainda que o resultado evidenciou a força eleitoral do PL e do bolsonarismo como movimento político, para além da figura de Jair Bolsonaro. Para ele, esse desempenho foi subestimado pelo grupo governista.

“Há dois anos, nas eleições municipais, nós tivemos uma volta com muita força do Centrão, que fez boa parte dos municípios. E, nesta eleição, em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, você observa claramente como o PL ganhou praticamente as vagas do Senado, fez governadores”, frisou.

Para o professor, Moro também se beneficiou da imagem construída durante sua atuação como juiz da Operação Lava Jato e de uma onda conservadora. Esses fatores, na avaliação dele, ajudaram a superar a estrutura política de Sandro Alex, que tinha experiência na administração estadual e contava com o capital político de Ratinho Junior como um de seus principais trunfos. “E tudo isso não foi suficiente para ganhar a eleição”, concluiu. (D.K.)

mockup