Estudantes da UEL fazem ato em defesa da democracia
Manifestantes defenderam políticas públicas, educação e respeito à diversidade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Manifestantes defenderam políticas públicas, educação e respeito à diversidade

Estudantes da UEL (Universidade Estadual de Londrina) promoveram, no início da noite desta quinta-feira (8), um ato "em defesa da democracia" após o resultado do primeiro turno das eleições, realizado no último domingo (4). A mobilização foi organizada por estudantes e contou com a presença de movimentos sociais progressistas, sindicatos, integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e do PT (Partido dos Trabalhadores).
Leia mais:
Germano Almeida, estudante de Ciências Sociais e um dos organizadores, disse que a manifestação começou a ser articulada após a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) no primeiro turno das eleições, no último domingo (4).

“Diante do resultado das urnas, nós, da ala progressista, sentimos uma angústia. Em conversa com outras pessoas, decidimos criar um grupo de apoio emocional, criando, assim, esse ato de apoio à democracia”, afirmou. Segundo Germano, em menos de 24 horas foram criados três grupos de mobilização e um canal, devido à demanda. Pelo menos 3 mil estudantes teriam aderido aos grupos.
A manifestação reuniu centenas de militantes que bradavam frases contra o candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro. "Todo mundo está aqui pela democracia. Muitas vezes esquecemos do valor disso. Hoje, é importante se organizar enquanto classe estudantil e temos gente para lutar por mais espaço", Eduardo Albino, 22, estudante do curso de jornalismo.
Brenda Adriele, 28, estudante de serviço social, também engrossou o coro. "Estou aqui defendendo a universidade pública, a soberania e os nossos direitos que não queremos perder. Foram anos lutando", manifestou-se.
Gleicy Miranda, 24, estudante de biologia, disse defender as políticas públicas. “Vim de Brasília para estudar aqui na UEL e graças a tudo isso consegui me formar", contou. Já Maria Clara Félix, 18, que cursa letras na UEL, disse que o ato ajuda a falar com outras pessoas que “não tem noção do que está acontecendo no Brasil”. “Lutamos pelo direito das mulheres ao voto, direito dos negros e pessoas LGBTQIAPN+", disse.
Mobilização nas universidades
Germano Almeida afirmou que a mobilização da UEL acompanha movimentos semelhantes em outras universidades públicas do país. Na terça-feira (6), a UNE (União Nacional dos Estudantes) aprovou resolução de apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno e lançou a campanha “Estudantes com Lula”, com previsão de assembleias, manifestações e ações nas universidades até 24 de outubro.

Na quarta-feira (7), houve mobilizações na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), UFBA (Universidade Federal da Bahia), UFPA (Universidade Federal do Pará). No Rio de Janeiro, milhares de estudantes foram às ruas na quarta-feira em uma caminhada que reuniu pautas como defesa da educação pública e da democracia.
No Paraná, houve atos na UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) de Curitiba, Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste) e UFPR (Universidade Federal do Paraná), UEM (Universidade Estadual de Maringá), Uenp (Universidade Estadual do Norte do Paraná), entre outras instituições.
Entre as justificativas para o ato em Londrina, Germano citou propostas atribuídas à candidatura de Flávio Bolsonaro para a educação pública. “Um dos motivos também é o projeto de Flávio Bolsonaro de retirar a universidade pública da pasta do MEC [Ministério da Educação], além de diversos outros retrocessos e desmontes. Enquanto estudantes, não podíamos ficar desmobilizados diante dessas ameaças”, disse.
“É o primeiro grande ato em defesa da democracia na UEL. Não foi um partido, foram os estudantes da UEL que saíram na frente em defesa da democracia. O nosso ato não é do PT, não é do Lula, é em favor da democracia”, completou.
Ameaças nas redes sociais
A realização do ato ocorreu em meio a mensagens de hostilidade e ameaças nas redes sociais. Segundo Germano, uma comissão jurídica foi formada para acompanhar os casos. A segurança da UEL, segundo ele, também foi mobilizada para garantir a integridade dos participantes.
Nesta quinta, o Portal Bonde, do Grupo Folha de Londrina, identificou, em um grupo de WhatsApp chamado “UEL com Flávio Bolsonaro”, mensagens de ataques contra estudantes, políticos de esquerda e ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), além de conteúdo xenofóbico contra nordestinos. A reportagem também encontrou uma mensagem de apoio ao nazismo e outra fazendo referência a um suposto ataque com bombas na UEL. O autor da mensagem sobre o possível ataque foi procurado, mas não respondeu.
A Polícia Militar informou à reportagem que não havia recebido denúncia sobre a suposta ameaça até aquele momento. A UEL ressaltou que analisa o caso e que promoveu medidas para garantir a segurança dos presentes no ato. A Polícia Civil esteve presente no ato e disse à reportagem que a presença foi uma solicitação do MPPR (Ministério Público do Paraná) para garantir a segurança.
A reportagem presenciou o momento que algumas pessoas que passavam de moto e carro pela rua que corta o campus vaiaram o ato, mas até o fechamento da reportagem, nenhuma ocorrência havia sido registrada.


Bruno Souza
Repórter com foco em jornalismo digital.




