A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão voltou nesta sexta-feira (9) para o segundo turno das eleições de 2026. Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) tenta consolidar a imagem de candidato da mudança, com propostas centradas na segurança pública e na redução de impostos. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, defende a continuidade de políticas sociais e destaca resultados de seu governo nas áreas de emprego, renda e direitos trabalhistas.

Flávio fez com 47,03% dos votos válidos, o equivalente a 56.103.033 votos, no primeiro turno, enquanto Lula recebeu 45,16% da votação, ou 53.870.724 votos. O segundo turno será disputado no dia 25 de outubro.

A campanha segue até 23 de outubro, com dois blocos diários de dez minutos, divididos igualmente entre os candidatos à Presidência da República. No rádio, os programas vão ao ar às 7h e ao meio-dia. Na televisão, serão exibidos às 13h e às 20h30. Candidatos aos governos de cinco estados e do Distrito Federal também terão espaço.

IDEIA DE RUPTURA

Com o slogan “Brasil do mesmo lado”, o programa de Flávio nas rádios apostou na ideia de ruptura e reúne manifestações de apoio de governadores aliados, como Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, ambos derrotados nas urnas por Flávio no primeiro turno, e do mandatário reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O candidato explorou preocupações com a criminalidade, o endividamento das famílias e o preço dos alimentos. Entre as propostas estão cortes de impostos e juros, a construção de cinco mega presídios federais de segurança máxima e o fim das saídas temporárias de presos. A campanha também procura afastar o temor de que uma eventual mudança de governo prejudique os programas sociais, como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Farmácia Popular.

Lula adotou um tom mais conversado e procurou associar sua candidatura à melhoria das condições de vida dos trabalhadores. O programa destacou a geração de empregos, o aumento da renda e do salário mínimo acima da inflação, além da defesa do fim da escala de trabalho 6x1. A mensagem central é que a continuidade do atual governo permitiria avançar nas conquistas sociais, enquanto a eleição do filho de Bolsonaro representaria risco de retrocesso.

LEIA MAIS:

https://www.folhadelondrina.com.br/politica/lula-perdeu-no-1-turno-em-bairros-perifericos-de-londrina-3328441e.html

https://www.folhadelondrina.com.br/politica/jair-bolsonaro-buscara-revanche-caso-seu-filho-assuma-o-poder-3328439e.html

MOBILIZAÇÃO

Na televisão, Flávio reforçou a votação obtida no primeiro turno e buscou ampliar o apoio regional. Sob a mensagem “isso é proposta, isso é mudança”, apresentou medidas como redução de impostos, criação de um voucher-creche e implantação do programa Smart Brasil, com monitoramento por câmeras em todo o país. Também propõe um Ministério da Prosperidade, voltado à educação, ao empreendedorismo e ao acesso ao crédito. A defesa dos programas sociais aparece como resposta às críticas de que seu governo poderia interromper benefícios.

A campanha de Lula concentrou esforços na mobilização de apoiadores e na conquista de eleitores que não votaram nele no primeiro turno. O candidato relembrou ações de seu governo voltadas aos trabalhadores e às camadas de menor renda e prometeu zerar impostos sobre alimentos da cesta básica e produtos de higiene, além de acabar com a escala 6x1 sem reduzir salários. A propaganda procurou contrapor a ideia de mudança defendida pelo adversário à manutenção de conquistas que considera importantes para a população.

LEIA TAMBÉM:

https://www.folhadelondrina.com.br/politica/conheca-as-propostas-de-flavio-e-lula-para-a-seguranca-publica-3328436e.html

https://www.folhadelondrina.com.br/politica/londrina-deu-quase-metade-de-seus-votos-para-candidatos-de-fora-3328352e.html

https://www.folhadelondrina.com.br/politica/londrinenses-consagram-bolsonarismo-e-belinatismo-nas-urnas-3328327e.html

DESAFIO DAS CAMPANHAS

Para o cientista político Mário Sérgio Lepre, professor da PUC-Londrina (Pontifícia Universidade Católica de Londrina), um dos desafios de Lula é se desvincular da imagem de proximidade entre o governo e o STF (Supremo Tribunal Federal). Na avaliação do especialista, a associação prejudicou a campanha petista. “Colou na imagem do governo o sistema, esses ministros, e é isso que a sociedade não quer, me parece, pela eleição do Senado”, afirma Lepre.

Ele avalia que desfazer essa percepção é difícil. As redes sociais podem ajudar, mas a comunicação precisa ser coerente com a realidade. Para o cientista político, tentar associar Flávio a notícias falsas pode ter efeito contrário e acabar prejudicando a própria campanha de Lula.

Lepre também avalia que a discussão sobre a proibição das apostas online pode ter se voltado contra o governo, diante de contratos já existentes entre empresas do setor, as chamadas “bets”, e clubes de futebol. Além disso, para ele, o momento da medida provisória pode dar ao eleitor uma percepção de que a iniciativa teria caráter oportunista.

Flávio, por outro lado, parte de uma base eleitoral consolidada e, na leitura do especialista, apresenta maior sintonia com preocupações que reverberam na sociedade, especialmente em relação à violência e à atuação de facções criminosas. Isso, entretanto, não elimina os riscos. “O candidato precisa explicar melhor propostas amplas e eventuais reformas, além de evitar declarações ou movimentos que possam comprometer sua campanha”, analisa.

Para Lepre, a disputa exige que os dois candidatos conectem suas mensagens às prioridades dos eleitores. Flávio precisa detalhar as propostas e manter coerência entre discurso e medidas anunciadas. Lula, por sua vez, terá de superar a associação negativa com o Judiciário e demonstrar como suas propostas respondem às demandas atuais da população. “Faltou o ‘link’ com o que a sociedade quer”, resume o cientista político sobre os desafios enfrentados pela campanha petista.

mockup