Os candidatos mais votados pelos londrinenses neste domingo (4) reforçam a preferência do eleitorado local pelo bolsonarismo. Além da porcentagem de 65,15% de votos para o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) – índice semelhante ao obtido por Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022 (64%) - 77.312 eleitores votaram na vereadora bolsonarista Jessicão (PL), que se consagrou a deputada estadual mais votada do Estado, com 131.673 votos.

Filipe Barros (PL), que teve como slogan “O senador do Moro e do Bolsonaro no Paraná”, também recebeu expressiva porcentagem de votos em casa, sendo o candidato escolhido de 33,14% dos eleitores londrinenses. O índice supera o total obtido por ele no Estado, de 27,25%.

O belinatismo também sai forte das urnas. O ex-prefeito Marcelo Belinati (PP) sagrou-se o deputado federal mais votado em Londrina, onde obteve 70.282 votos de seus 83.906 votos. Ele ainda elegeu seu deputado estadual, Felippe Machado (PP), segundo mais votado na cidade, atrás apenas de Jessicão. Machado conquistou aqui 38.435 de seus 43.300 votos.

O terceiro deputado estadual mais votado na cidade foi o vereador Deivid Wisley (Novo), que obteve em Londrina 17.381 de seus 31.935 votos, número próximo dos 16 mil votos conquistados por ele na campanha municipal de 2024. As candidaturas petistas que obtiveram votações locais mais expressivas foram as de Lenir de Assis (PT), 11.375 votos, e de Paula Vicente (PT), com 10.841, que não se elegeram.

Leia mais:

VOTO IDEOLÓGICO

O cientista político, professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Ronaldo Gaspar avalia que a curta duração da campanha e os inúmeros temas nacionais de repercussão - como o escândalo do Banco Master e a crise no STF (Supremo Tribunal Federal) - esvaziaram a campanha de propostas e fortaleceram o voto ideológico.

“Londrina acompanhou o movimento nacional de redução do espaço dessa direita tradicional - União Brasil, PP, PSD. O caso do Belinati não invalida a observação, visto que a sua eleição demonstra apenas que o destaque da sua candidatura expressa o seu peso político como ex-prefeito e, também, do legado do tio - belinatismo”, pondera.

Mais de 312 mil londrinenses compareceram às urnas no primeiro turno, uma abstenção de 20,90%, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), já que mais de 394 mil estavam aptos a votar.

VOTOS EM CANDIDATOS DE FORA

Atuais deputados federais, Luísa Canziani e Diego Garcia, ambos do PSD, não se reelegeram. Em Londrina, eles obtiveram 7.970 e 6.364 votos, respectivamente. Com isso, cai a representatividade londrinense na Câmara Federal, que passa a contar apenas com Marcelo Belinati. Grande parte dos votos locais foram destinados a candidatos de fora, como Jeffrey Chiquini (Novo) e Guilherme Kilter (Novo), ambos de Curitiba e adeptos do bolsonarismo.

Na Assembleia Legislativa a cidade manteve três cadeiras, ocupadas, na atual Legislatura, por Cloara Pinheiro (PSD), Tercilio Turini (MDB) e Jairo Tamura (PL). Cloara tentou vaga como Federal e não se elegeu; Turini e Tamura não conquistaram a reeleição. Para efeito de comparação, Maringá elegeu cinco deputados estaduais e dois federais, além de ser a cidade natal do governador eleito, Sergio Moro (PL).

Ronaldo Gaspar associa a perda de representatividade política de Londrina à perda de relevância econômica da cidade. “O esvaziamento da representação política local é algo comum a todos os partidos e precisa ser melhor estudada ante o crescimento de cidades como Maringá e Cascavel. Nesse sentido, me parece que a redução do peso econômico do município e da região no Estado é mais causa do que consequência dessa perda de relevância política, que apenas se agrava com o bolsonarismo. Nesse quesito, Londrina produz tipos como Felipe Barros e Jessicão, típicas expressões do ‘voto ideológico’, não em propostas concretas para o município”.

SANDRO ALEX NÃO EMPLACA

Com mais de 170 mil votos, Sergio Moro conquistou quase 60% do eleitorado londrinense. Em segundo lugar, porém, diferente do resultado geral do Estado, ficou Requião Filho (PDT), candidato apoiado pelo PT, à frente do candidato governista Sandro Alex. Requião totalizou 63.594 votos em Londrina (22,26%) contra 47.410 de Sandro Alex (16,60%).

Para Ronaldo Gaspar, o resultado reflete tanto a escolha do governador por um candidato desconhecido quanto o esvaziamento da direita tradicional, à qual pertence seu partido, o PSD.

“Ratinho tem peso político local, mas não para rivalizar com a influência de Bolsonaro. Como Londrina é uma grande cidade regional, é compreensível que, nela, os temas nacionais acabassem pesando mais do que em municípios menores. Nesse sentido, a votação de Requião apenas expressa uma fatia que historicamente a esquerda e centro-esquerda tem na região”, explica.

mockup