Londrina terá uma renovação completa de sua bancada de deputados estaduais na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná) a partir de 2027. Os três parlamentares eleitos neste ano são estreantes no Legislativo estadual e chegam à Casa com perfis distintos, mas com a promessa de defender os interesses da cidade e da região. A nova bancada também terá como desafio ampliar a representatividade política de Londrina diante da redução do número de parlamentares da região na Câmara dos Deputados.

Assumem as cadeiras Jéssica Moreno, a Jessicão (PL), que foi a mulher mais votada do Paraná, com 131.673 votos; Deivid Wisley (Novo), com 31.935; e Felippe Machado (PP), com 43.300. Eles substituem Tercílio Turini (MDB), que recebeu 32.596 votos; Jairo Tamura (PL), com 27.010; e Cloara Pinheiro (PSD), que tentou uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas obteve 14.155 votos e não conseguiu se eleger.

Os três atuais deputados estaduais de Londrina fizeram avaliações críticas sobre o resultado e apontaram fatores que, na visão deles, influenciaram a derrota.

Propostas dos ‘novatos’

A votação de Jessicão surpreendeu a própria candidata. Vereadora de Londrina, ela esperava obter entre 50 mil e 70 mil votos. “Eu não esperava, a ficha não caiu ainda. Mas 130 mil votos é uma votação que me deixa muito feliz, mas também ao mesmo tempo é muito apreensiva para poder corresponder tanta confiança”, afirmou.

Imagem ilustrativa da imagem Jessicão, Deivid Wisley e Felippe Machado falam de planos para a Alep
| Foto: Fernando Cremonez/CML

Para o novo mandato, a deputada promete manter em Curitiba o perfil combativo que marcou sua atuação na Câmara Municipal. Ela pretende permanecer morando em Londrina e atuar diretamente na fiscalização do governo estadual. “O meu compromisso é continuar morando aqui e poder ouvir nossas cidades vizinhas, principalmente Cambé e Ibiporã”, disse.

A deputada também pretende defender a ampliação dos investimentos estaduais no Norte do Paraná. Entre suas prioridades estão saúde, educação e infraestrutura, além de pautas conservadoras que já defendia como vereadora. “Quero ser a deputada que fiscaliza, que bate de frente, que entende os problemas e que corre atrás do governo estadual para devolver todas as nossas riquezas que só vão para lá em forma de imposto”, afirmou.

Deivid Wisley pretende levar para o Estado projetos que desenvolveu em Londrina, principalmente relacionados à causa animal. Entre as propostas estão a ampliação de hospitais veterinários, a implantação de atendimento do Samuvet 24 horas, um banco de ração e a proibição da tração animal e do acorrentamento de animais em outras cidades do Paraná.

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| Foto: Fernando Cremonez/CML

“A maior dificuldade é colocar a política pública da causa animal no Legislativo e no Executivo”, afirmou. Para ele, os direitos dos animais também servem como porta de entrada para outras políticas sociais. “Quando você ajuda um animal, automaticamente está ajudando uma família”, disse.

O novo deputado defende que os três parlamentares de Londrina atuem de forma conjunta na Alep. Para Wisley, a bancada deve deixar de lado diferenças ideológicas quando estiver em jogo o interesse da cidade. “Os deputados precisam somar força pela região”, afirmou.

Felippe Machado, ex-secretário municipal de Saúde, pretende fazer da área uma das principais bandeiras do mandato. Ele defende o aumento da participação do Estado no financiamento do setor e maior descentralização dos recursos. “A saúde sempre tem de ser prioridade em qualquer esfera de governo”, afirmou.

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| Foto: Fernando Cremonez/CML

Segundo ele, o governo estadual precisa ampliar os investimentos para aliviar a pressão sobre os municípios. “Hoje o Estado investe o mínimo constitucionalmente previsto, que é 12%. Precisa ser mais”, disse.

Machado também defende uma atuação conjunta da bancada londrinense. “Quando a pauta for Londrina, a bandeira tem de ser dos três juntos”, afirmou. Ele lamentou que mais de 90 mil votos de londrinenses tenham sido destinados a candidatos de outras cidades, reduzindo a possibilidade de uma bancada local maior.

Polarização e ‘forasteiros’

Entre os que deixam a Alep, Tercílio Turini atribuiu parte da derrota à polarização política e à força do bolsonarismo em Londrina e região. Segundo ele, Jessicão conseguiu se beneficiar do ambiente político favorável à direita, enquanto sua candidatura foi prejudicada pelo desempenho de Sandro Alex (PSD), candidato de Ratinho Junior (PSD) ao governo, na região. “Mais uma vez, a eleição polarizada traz isso. A divisão ficou só entre a esquerda e a direita e, dependendo onde você está, pode puxar a votação para cima ou para baixo”, avaliou.

Turini também lamentou a redução da representatividade de Londrina no Congresso Nacional, com a eleição apenas de Marcelo Belinati (PP) para deputado federal. Ele afirmou que deixa o mandato aborrecido com a derrota, mas destacou o trabalho realizado ao longo de quatro legislaturas. Entre as principais conquistas, citou a duplicação da PR-445 e ações em hospitais da região. “Lógico que você fica chateado de perder a eleição, mas reconhece também que eu tive oportunidade de trabalhar pela cidade e foi a população que me deu esse mandato”, afirmou.

Jairo Tamura apontou o excesso de candidatos como um dos fatores que prejudicaram a representatividade de Londrina. Segundo ele, foram 43 concorrentes a deputado estadual com ligações na cidade, o que pulverizou os votos. “Nós tivemos uma avalanche de votos para a Jessicão, e isso afetou a minha candidatura”, afirmou.

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| Foto: Valdir Amaral/Alep

Tamura avaliou que seu mandato de apenas um ano e nove meses foi insuficiente para consolidar o trabalho desenvolvido na Assembleia. “É uma pena a gente não estar podendo representar novamente Londrina”, disse.

Já Cloara Pinheiro fez uma avaliação mais contundente da derrota. A deputada afirmou estar “decepcionada” por entender que o trabalho desenvolvido em Londrina não foi reconhecido nas urnas. Ela destacou a destinação de emendas para escolas, para os hospitais que atendem pelo SUS, o piso do ginásio de Esportes Moringão e o Museu Histórico de Londrina.

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| Foto: Antonio More/Alep

“Eu fui a deputada que mais entregou emendas para Londrina. Direcionei para todas as regiões”, afirmou. Para ela, a polarização entre direita e esquerda e a influência das redes sociais pesaram mais do que a avaliação do trabalho parlamentar. “A política hoje é do grito, é do partido, é de um lado ou de outro, é Bolsonaro ou é Lula, mas não é a política de ver o resultado no papel.”

Cloara também criticou a falta de apoio de lideranças locais e disse que a decisão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, em vez de tentar a reeleição estadual, foi uma escolha da direção da campanha de seu partido. Essa mudança de planos foi determinante para o resultado, mas demonstrou a ela um lado de Ratinho Junior e da equipe da legenda que a menosprezaram.

Ela lamentou a escolha da ex-chefe do NRE (Núcleo Regional de Educação de Londrina), Jéssica Pieri (PSD), como “candidata a deputada estadual do governador”. Mas, mesmo com essas determinações, manteve sua campanha e a dobradinha na tentativa de eleger o candidato à sucessão no governo do estado. “Eu fui muito fiel. No final, fui acusada de não ser fiel. Daí, fecharam as suas portas”, declarou. (Colaborou Douglas Kuspiosz)

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