Jessicão, Deivid Wisley e Felippe Machado falam de planos para a Alep
Eleitos deputados estaduais no domingo (4), eles assumem as cadeiras deixadas por Tercílio Turini, Jairo Tamura e Cloara Pinheiro
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segunda-feira, 05 de outubro de 2026
Eleitos deputados estaduais no domingo (4), eles assumem as cadeiras deixadas por Tercílio Turini, Jairo Tamura e Cloara Pinheiro

Londrina terá uma renovação completa de sua bancada de deputados estaduais na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná) a partir de 2027. Os três parlamentares eleitos neste ano são estreantes no Legislativo estadual e chegam à Casa com perfis distintos, mas com a promessa de defender os interesses da cidade e da região. A nova bancada também terá como desafio ampliar a representatividade política de Londrina diante da redução do número de parlamentares da região na Câmara dos Deputados.
Assumem as cadeiras Jéssica Moreno, a Jessicão (PL), que foi a mulher mais votada do Paraná, com 131.673 votos; Deivid Wisley (Novo), com 31.935; e Felippe Machado (PP), com 43.300. Eles substituem Tercílio Turini (MDB), que recebeu 32.596 votos; Jairo Tamura (PL), com 27.010; e Cloara Pinheiro (PSD), que tentou uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas obteve 14.155 votos e não conseguiu se eleger.
Os três atuais deputados estaduais de Londrina fizeram avaliações críticas sobre o resultado e apontaram fatores que, na visão deles, influenciaram a derrota.
Propostas dos ‘novatos’
A votação de Jessicão surpreendeu a própria candidata. Vereadora de Londrina, ela esperava obter entre 50 mil e 70 mil votos. “Eu não esperava, a ficha não caiu ainda. Mas 130 mil votos é uma votação que me deixa muito feliz, mas também ao mesmo tempo é muito apreensiva para poder corresponder tanta confiança”, afirmou.

Para o novo mandato, a deputada promete manter em Curitiba o perfil combativo que marcou sua atuação na Câmara Municipal. Ela pretende permanecer morando em Londrina e atuar diretamente na fiscalização do governo estadual. “O meu compromisso é continuar morando aqui e poder ouvir nossas cidades vizinhas, principalmente Cambé e Ibiporã”, disse.
A deputada também pretende defender a ampliação dos investimentos estaduais no Norte do Paraná. Entre suas prioridades estão saúde, educação e infraestrutura, além de pautas conservadoras que já defendia como vereadora. “Quero ser a deputada que fiscaliza, que bate de frente, que entende os problemas e que corre atrás do governo estadual para devolver todas as nossas riquezas que só vão para lá em forma de imposto”, afirmou.
Deivid Wisley pretende levar para o Estado projetos que desenvolveu em Londrina, principalmente relacionados à causa animal. Entre as propostas estão a ampliação de hospitais veterinários, a implantação de atendimento do Samuvet 24 horas, um banco de ração e a proibição da tração animal e do acorrentamento de animais em outras cidades do Paraná.

“A maior dificuldade é colocar a política pública da causa animal no Legislativo e no Executivo”, afirmou. Para ele, os direitos dos animais também servem como porta de entrada para outras políticas sociais. “Quando você ajuda um animal, automaticamente está ajudando uma família”, disse.
O novo deputado defende que os três parlamentares de Londrina atuem de forma conjunta na Alep. Para Wisley, a bancada deve deixar de lado diferenças ideológicas quando estiver em jogo o interesse da cidade. “Os deputados precisam somar força pela região”, afirmou.
Felippe Machado, ex-secretário municipal de Saúde, pretende fazer da área uma das principais bandeiras do mandato. Ele defende o aumento da participação do Estado no financiamento do setor e maior descentralização dos recursos. “A saúde sempre tem de ser prioridade em qualquer esfera de governo”, afirmou.

Segundo ele, o governo estadual precisa ampliar os investimentos para aliviar a pressão sobre os municípios. “Hoje o Estado investe o mínimo constitucionalmente previsto, que é 12%. Precisa ser mais”, disse.
Machado também defende uma atuação conjunta da bancada londrinense. “Quando a pauta for Londrina, a bandeira tem de ser dos três juntos”, afirmou. Ele lamentou que mais de 90 mil votos de londrinenses tenham sido destinados a candidatos de outras cidades, reduzindo a possibilidade de uma bancada local maior.
Polarização e ‘forasteiros’
Entre os que deixam a Alep, Tercílio Turini atribuiu parte da derrota à polarização política e à força do bolsonarismo em Londrina e região. Segundo ele, Jessicão conseguiu se beneficiar do ambiente político favorável à direita, enquanto sua candidatura foi prejudicada pelo desempenho de Sandro Alex (PSD), candidato de Ratinho Junior (PSD) ao governo, na região. “Mais uma vez, a eleição polarizada traz isso. A divisão ficou só entre a esquerda e a direita e, dependendo onde você está, pode puxar a votação para cima ou para baixo”, avaliou.
Turini também lamentou a redução da representatividade de Londrina no Congresso Nacional, com a eleição apenas de Marcelo Belinati (PP) para deputado federal. Ele afirmou que deixa o mandato aborrecido com a derrota, mas destacou o trabalho realizado ao longo de quatro legislaturas. Entre as principais conquistas, citou a duplicação da PR-445 e ações em hospitais da região. “Lógico que você fica chateado de perder a eleição, mas reconhece também que eu tive oportunidade de trabalhar pela cidade e foi a população que me deu esse mandato”, afirmou.
Jairo Tamura apontou o excesso de candidatos como um dos fatores que prejudicaram a representatividade de Londrina. Segundo ele, foram 43 concorrentes a deputado estadual com ligações na cidade, o que pulverizou os votos. “Nós tivemos uma avalanche de votos para a Jessicão, e isso afetou a minha candidatura”, afirmou.

Tamura avaliou que seu mandato de apenas um ano e nove meses foi insuficiente para consolidar o trabalho desenvolvido na Assembleia. “É uma pena a gente não estar podendo representar novamente Londrina”, disse.
Já Cloara Pinheiro fez uma avaliação mais contundente da derrota. A deputada afirmou estar “decepcionada” por entender que o trabalho desenvolvido em Londrina não foi reconhecido nas urnas. Ela destacou a destinação de emendas para escolas, para os hospitais que atendem pelo SUS, o piso do ginásio de Esportes Moringão e o Museu Histórico de Londrina.

“Eu fui a deputada que mais entregou emendas para Londrina. Direcionei para todas as regiões”, afirmou. Para ela, a polarização entre direita e esquerda e a influência das redes sociais pesaram mais do que a avaliação do trabalho parlamentar. “A política hoje é do grito, é do partido, é de um lado ou de outro, é Bolsonaro ou é Lula, mas não é a política de ver o resultado no papel.”
Cloara também criticou a falta de apoio de lideranças locais e disse que a decisão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, em vez de tentar a reeleição estadual, foi uma escolha da direção da campanha de seu partido. Essa mudança de planos foi determinante para o resultado, mas demonstrou a ela um lado de Ratinho Junior e da equipe da legenda que a menosprezaram.
Ela lamentou a escolha da ex-chefe do NRE (Núcleo Regional de Educação de Londrina), Jéssica Pieri (PSD), como “candidata a deputada estadual do governador”. Mas, mesmo com essas determinações, manteve sua campanha e a dobradinha na tentativa de eleger o candidato à sucessão no governo do estado. “Eu fui muito fiel. No final, fui acusada de não ser fiel. Daí, fecharam as suas portas”, declarou. (Colaborou Douglas Kuspiosz)


Luis Fernando Wiltemburg
Repórter de Cidades.



