Defesa de Anne pede arquivamento da denúncia por quebra de decoro
Vereadora é acusada de usar assessores como advogados em processos particulares; defesa diz que não pôde acessar provas que a inocentariam
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de junho de 2026
Vereadora é acusada de usar assessores como advogados em processos particulares; defesa diz que não pôde acessar provas que a inocentariam

A defesa da vereadora Anne Moraes (Avante) apresentou as alegações finais à CP (Comissão Processante) na CML (Câmara Municipal de Londrina). Ela é alvo de denúncia por parte da Mesa Executiva da CML por suposta quebra de decoro parlamentar. Ela é acusada de ter utilizado três assessores de gabinete como advogados em processos particulares, sem relação com seu trabalho na Casa Legislativa. O advogado de Anne, Maurício Carneiro, alega cerceamento de defesa, afirmando que não pôde acessar provas que poderiam comprovar a inocência da denunciada. Assim, solicitou o arquivamento da denúncia e a preservação do mandato de sua cliente.
Cabe agora ao relator da CP, vereador Régis Choucino (PP), recomendar a cassação ou a absolvição por meio de um relatório.
A denúncia considera a existência de malversação de recursos públicos, desvio da finalidade dos cargos comissionados e utilização indevida da estrutura da CML para fins particulares. Em petição enviada à CP, Carneiro pontuou que os fatos descritos não configuram quebra de decoro parlamentar, garantindo que os assessores mencionados exerciam funções típicas, cabíveis aos seus cargos, “desempenhando atividades relacionadas à dinâmica legislativa”.
“Foi demonstrado que inexistiu percepção de vantagem patrimonial indevida, destacando que a representação não produziu prova de desvio de recursos públicos, enriquecimento ilícito, apropriação patrimonial ou utilização da folha de pagamento parlamentar como mecanismo de compensação financeira por serviços advocatícios”, elencou o advogado.
Ainda na petição, Carneiro argumentou que, em depoimentos perante à CP, os assessores disseram que Anne não utilizava os cargos parlamentares como mecanismo de remuneração indireta por serviços advocatícios privados.
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Requerimentos da defesa
Ao longo da instrução processual, a defesa requereu uma lista de todos os assessores da Câmara, junto das respectivas formações acadêmicas, - que foi entregue com as informações disponíveis no setor de RH (Recursos Humanos), - e o acesso às imagens das câmeras de segurança desde o início da atual legislatura, em janeiro de 2025.
Com o primeiro pedido, Carneiro almejava “demonstrar que a presença de servidores comissionados com formação jurídica constitui prática absolutamente comum no âmbito da atividade legislativa municipal”, usando assessores de outros parlamentares como exemplo. Com o segundo, comprovar a “efetiva frequência dos assessores parlamentares às dependências do Poder Legislativo Municipal”.
A presidente da CP, Michele Thomazinho (PL), informou que a busca das imagens seria impossível, visto que parte delas sequer existe e são mais de 14 mil horas de vídeo. Na visão de Carneiro, a defesa foi privada da produção de provas potencialmente exculpatórias da denunciada, o que estaria “comprometendo a ampla defesa em procedimento sujeito à mais grave consequência político-administrativa possível: a perda do mandato eletivo”.
Diante do exposto, o advogado pediu que a denúncia seja julgada improcedente, considerando que não houve demonstração de vantagem indevida e comprovação de desvio funcional dos assessores parlamentares. O objetivo é que haja o arquivamento, com a preservação integral do mandato conferido à Anne Moraes.
Prazo para conclusão
Termina em julho o prazo de 90 dias concedido à CP para finalizar os trabalhos quanto à denúncia, quando o colegiado emitirá relatório conclusivo pela procedência ou improcedência da acusação, que pode resultar na cassação do mandato pelo plenário, com um julgamento, ou no arquivamento da denúncia.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.




