Sinal de atenção no comércio exterior
A economia londrinense passa por um momento de desaceleração da balança comercial
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sábado, 19 de setembro de 2026
A economia londrinense passa por um momento de desaceleração da balança comercial
Folha de Londrina 
Números recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços analisados pela reportagem da FOLHA dão conta da desaceleração da balança comercial de Londrina, embora ainda superavitária.
Os dados comparativos de 2025 e 2026 mostram retração de quase 80% no saldo registrado no período de janeiro a junho e queda no início do segundo semestre. Os números do ministério apontam diminuição expressiva nas vendas externas de alguns itens historicamente relevantes na pauta de exportações do município, como a soja, cujo recuo foi de quase 30% na primeira metade do ano, e o milho, com uma queda ainda mais severa, de quase 100%.
São números que exigem atenção. A retração do saldo e, principalmente, a queda das exportações revelam que a economia local está mais exposta às oscilações do comércio internacional do que seria desejável.
Entre janeiro e junho, o superávit caiu de US$ 217,5 milhões para US$ 47,7 milhões. As exportações recuaram de US$ 506,2 milhões para US$ 335,7 milhões, enquanto as importações permaneceram praticamente estáveis. O quadro se agravou no início do segundo semestre, indicando que não se trata apenas de uma oscilação pontual dos primeiros meses do ano.
A soja, principal produto da pauta exportadora, teve queda de quase 30% na receita e de mais de 37% no volume embarcado. O caso do milho é ainda mais expressivo: as vendas externas despencaram de US$ 106,3 milhões para apenas US$ 77,1 mil no primeiro semestre. Parte dessa produção, como explicam representantes do setor, passou a ser absorvida dentro do próprio Paraná, especialmente pelas cadeias de proteína animal.
Essa mudança mostra que uma redução das exportações não significa necessariamente redução da produção. A industrialização e o consumo interno podem representar alternativas importantes para a economia. Transformar a matéria-prima em produtos de maior valor agregado, aliás, é um caminho que merece ser permanentemente estimulado.
Mas Londrina não pode ignorar os efeitos econômicos da perda de dinamismo das vendas externas. O agronegócio movimenta uma extensa cadeia de fornecedores, transportadores, prestadores de serviços e trabalhadores. Quando as exportações diminuem, os impactos podem se espalhar pela economia, afetando renda, emprego e arrecadação.
O atual cenário pede diversificação. Depender excessivamente de poucos produtos e mercados amplia a vulnerabilidade diante de acontecimentos que não estão sob o controle do município, como guerras e conflitos externos. A ampliação dos destinos das exportações, o fortalecimento de novos setores e, sobretudo, a agregação de valor à produção podem tornar a economia mais resistente a essas oscilações.
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