O Paraná recuperou em 2025 a quarta posição entre os Estados brasileiros em valor da produção agrícola, alcançando R$ 87,7 bilhões, segundo dados da PAM (Produção Agrícola Municipal), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O avanço de 21,9% em apenas um ano mostra a capacidade de recuperação de um setor que continua sendo um dos pilares da economia paranaense.

O resultado ganha ainda mais significado quando comparado ao ano anterior. Em 2024, o Estado havia perdido 20,3% do valor de sua produção e caído para a quinta posição nacional, em grande parte devido à estiagem associada ao El Niño. Em 2025, foram recuperados cerca de R$ 16 bilhões. É uma demonstração da força do campo, mas também um lembrete de sua dependência das condições climáticas.

Analistas apontam que o avanço do último ano ocorreu em um cenário nacional favorável, marcado pelo aumento da produtividade das lavouras de verão e pela recuperação dos preços de commodities como soja e milho. A irregularidade climática, porém, ainda afetou a produtividade em partes do Estado, especialmente no Oeste e no Norte, regiões que concentram pouco mais de 43% da área plantada. As demais regiões tiveram ganhos de produtividade que contribuíram para o resultado consolidado.

O estudo do IBGE mostra ainda que a relevância da agricultura paranaense não está apenas nos grandes volumes de soja e milho. A diversidade é uma de suas principais características, conforme a pesquisa. O Estado lidera nacionalmente a produção de feijão, cevada, triticale e erva-mate e mantém posições de destaque em trigo, mandioca, frutas, hortaliças e diversas outras culturas. Essa variedade amplia as cadeias produtivas, movimenta diferentes regiões e aproxima a atividade agrícola tanto da indústria quanto do abastecimento interno.

Também merece atenção a presença da agricultura familiar em culturas como feijão e mandioca. A produção de alimentos que chegam à mesa dos brasileiros tem importância econômica e social que não pode ser medida apenas pelo valor de exportação das commodities. O campo paranaense é, ao mesmo tempo, uma força do agronegócio e uma fonte essencial de alimentos e renda para milhares de famílias.

Os números nacionais reforçam essa dimensão. A agricultura brasileira alcançou em 2025 o maior valor de produção, em termos nominais, desde pelo menos a criação do Plano Real, chegando a R$ 927,2 bilhões. A expansão da área colhida, que ultrapassou pela primeira vez os 100 milhões de hectares, e os ganhos de produtividade ajudam a explicar esse desempenho.

Mas os excelentes resultados não podem significar tranquilidade e é preciso chamar atenção para a irregularidade climática, que continua afetando lavouras em diferentes regiões do Paraná. Secas, excesso de chuvas e temperaturas extremas deixaram de ser eventos que podem ser tratados apenas como exceções. Lembrando que 2026 ainda nos reservará as consequências de um Super El Niño, apontando que o planejamento agrícola precisa incorporar cada vez mais a questão da adaptação às mudanças do clima.

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