O medo que limita a vida das mulheres
Pesquisa mostra que 94% das mulheres afirmam se sentirem inseguras diante da violência no dia a dia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Pesquisa mostra que 94% das mulheres afirmam se sentirem inseguras diante da violência no dia a dia
Folha de Londrina 
Os dados revelados pela pesquisa “Segurança das Mulheres: Percepção da Sociedade Brasileira sobre Violência” expõem uma realidade que não deve ser naturalizada: no Brasil, o medo da violência faz parte da rotina de quase todas as mulheres. A informação de que 78% das entrevistadas afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência é muito alarmante. Assim como é preocupante perceber como essa realidade interfere nas escolhas e na liberdade de milhares de brasileiras.
A pesquisa realizada pela pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber, mostra que não se trata apenas do receio de sofrer uma agressão. Trata-se de uma sucessão de pequenas renúncias incorporadas ao cotidiano de mulheres de todas as idades. Evitar determinados lugares, não sair à noite, mudar trajetos, deixar de usar o celular na rua, avisar alguém sobre os deslocamentos e até abrir mão de oportunidades profissionais ou acadêmicas são estratégias que revelam uma sociedade doentia, em que as mulheres precisam calcular permanentemente os riscos de simplesmente viver.
O número de mulheres que recorrem a essas estratégias para reduzir riscos de sofrer violência no dia a dia é de 98%. Os resultados do estudo foram revelados nesta quarta-feira (16) durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Entre as entrevistadas, 94% afirmam se sentirem inseguras diante da violência no dia a dia, contra 84% dos homens.
Para a população em geral, as mulheres são percebidas como mais vulneráveis do que os homens em diversas formas de violência, principalmente doméstica, sexual, psicológica e física. A violência doméstica, por exemplo, é motivo de temor para seis em cada dez brasileiras.
A pesquisa também traz um recado importante para o debate público às vésperas das eleições: segurança das mulheres não deve ser tratada como uma pauta periférica ou circunstancial. O fato de 78% das entrevistadas afirmarem que propostas de combate à violência nas ruas e no transporte público influenciarão sua decisão de voto mostra que o tema está diretamente relacionado às expectativas da população em relação ao Estado.
Mulheres não deveriam precisar planejar seus caminhos em função do medo, recusar oportunidades por receio de se deslocar ou abandonar espaços de lazer para preservar a própria segurança. O direito de ocupar a cidade, trabalhar, estudar, circular e desfrutar do tempo livre deveria ser igualmente garantido a todos.
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