Resta uma última dança, afinal não restabelecemos (ainda) os parâmetros de uma normalidade cidadã mínima, possível e inadiável à sobrevida das democracias.

Assim e então, vamos ao embate com o que resta de sólido em nossa circunstância, suposto que a relativização das anomalias produzidas, reproduzidas, consumidas, copiadas, introjetadas, foi, paulatinamente e ao longo dos seis últimos anos, abrindo a porta do armário autoritário onde a serpente chocou seu ovo...

Base de Bolsonaro avança sobre institutos de pesquisas na última semana de campanha

Não podemos perder a esperança que esperança não se perde. Além disso evita a perpetuação cinza do pensamento único, ao tempo em que projeta a vida para além do arco íris das diferenças, desligando nossa era do pensamento espúrio de uma comunhão para poucos, centrada no conceito totalitário de uma mão forte que obnubila sentido e orientação – bem escondida a tragédia civilizatória na hipótese deísta que aloca o criador acima e não no meio de nós.

Aguardo, ansioso, por um antigo vento novo que traga o amanhã lastreado na areia da civilização, ao tempo em que dissipe os dias de pouca luz e excessivo fundamentalismo.

Denúncias de assédio eleitoral aumentam e MPT- PR leva casos à Justiça

Há, afinal, um mundo a ser vivido e essa vivência conforma diferenças e abraça minorias, na medida em que não há tempo nem espaço para mais nada, suposto que o nada semeou a truculência do desapego fascista e a colheita não pode mais relativizar o custo civilizatório desse descaminho cidadão.

A crueldade da vida (como a estamos vivendo por aqui) há de dar lugar a dias de paz, na medida em que o país suplica a própria pacificação. A intolerância e o uso comercial do nome de Deus devem ser substituídos pela comunhão dos pecadores em polo de convívio com a ideia central do nazareno – amai-vos uns aos outros...

Na reta final, campanhas focam corpo a corpo no Estado

A medida de nossas divergências se alimenta de estereótipos funcionais, desses que se vomitam em púlpitos politizados que guarnecem igrejas neopentecostais e abastecem cofres de seus falsos pregadores.

A maldade engendrada não dialoga com o modelo civilizatório, posto que é de civilidade que nossas circunstâncias sobrevivem. A vida em sociedade não é senão um avatar onde depositamos parte de nossa liberdade em benefício do convívio.

Assédio eleitoral é crime e compliance trabalhista ajuda a evitá-lo

Viver é mais e vomitar ‘fake news’ é nada. Igrejas não serão fechadas, mamadeiras serão (sempre) mamadeiras. A piroca tá na conta de quem mentiu próprio desejo.

Se água e azeite não se misturam, que convivam. Conviver, aliás, é o propósito dos grupamentos sociais, onde as individualidades cedem ao coletivo.

As eleições e a história do Brasil

‘Distraídos venceremos’ o incomodo com a vida alheia (que não vale um lugar sob o sol), enquanto ‘meninas de rosa e meninos de azul’ segue sendo um retrato superficial da vida, limitando meandros e represando possibilidades. Viver é poder se colorir (notadamente em preto e branco). Estereótipos não me definem.

Chega de usar o nome de Deus em vão. Basta de convocar o Espírito Santo para recolher um dízimo do esforço alheio, sob a falsa promessa de que a obra de Deus tem um custo.

Obrigar funcionário a apoiar candidato é assédio

O neoliberalismo se esvai à olhos vistos, justamente porque ao explorar o esforço alheio em relações de produção, nós desgastamos as pessoas e esgotamos as reservas (que acreditávamos inesgotáveis) do planeta.

Lucro excessivo e a qualquer custo não deveria estar acima das pessoas e suas histórias de vida, suposto que mulher e homem são, em suas medidas e circunstâncias, muito mais que hipóteses de relação de produção. Essa ‘mais valia’ de desconsideração não pode seguir desconsiderada na equação social dos povos.

Inclusão, inclusive!

Escolas e igrejas não são substitutos da família (tradicional ou não) nas relações sociais de base. São, isso sim, grupos sociais que se colocam na segunda linha de formação e não mais que isso. Você é responsável pela formação cidadã de sua cria. Você pode ensinar a arma ou o beijo. A agressão ou o afago. A vida ou a morte...

Viver segue sendo urgente porque a vida se esgota a cada dia, enquanto a primavera dos povos não tarda, naquilo que a conta de malquerer, maltratando a qualidade das paixões, faz desandar homem e mulher que entregam os próprios sonhos no altar da intolerância.

Fundamental não é fundamentar, e sim respeitar o pensamento alheio, em tempo de aprender com o diferente. Não há motivo para interpretar a palavra como ato supremo da salvação, suposto que salvos serão aqueles que amam e respeitam.

Todas as nossas verdades não valem o esforço de aprender algo novo no céu de nosso convívio, suposto que as estrelas seculares seguem brilhando as próprias histórias e nisso não conflitam umas com as outras.

Nem se diga que viver não é maior que sonhar, porque é! A vida alimenta o sonho que se fortalece na repetição do ciclo. Amanhece, anoitece e, enquanto isso, vivemos sob as estrelas as histórias que entendemos de viver e contar.

Tristes trópicos.

Saudade pai. Você ensinou a querer e, querendo, aprendi que a vida é uma dança para dois.

João dos Santos Gomes Filho, advogado

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