O julgamento do pai e da avó da menina Eduarda Shigematsu, morta por estrangulamento em abril de 2019, foi adiado mais uma vez pelo TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná). Ricardo Seidi e Terezinha de Jesus Guinaia sentariam no banco dos réus em 4 de agosto, mas a falta de um juiz para presidir o Tribunal do Júri de Maringá (Noroeste) provocou o cancelamento da sessão. Este é o oitavo adiamento do julgamento.

A decisão foi protocolada no processo nesta segunda-feira (27) e assinada pela magistrada Elaine Cristina Siroti. Enquanto o cargo de juiz substituto não for preenchido, não há previsão de uma nova data para o julgamento.

O advogado Roberto Ekuni, que representa Seidi, ressaltou que esse é o quarto cancelamento ocorrido apenas em Maringá. Inicialmente, houve divergências sobre o local do júri, que foi transferido de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), onde o crime ocorreu, para Londrina e, posteriormente, para Maringá.

“Nesta semana, a juíza que presidiria o julgamento do Ricardo e da dona Terezinha foi remanejada para outra seção judiciária e, novamente, nós ficamos sem juízes”, afirmou Ekuni.

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Quando um novo magistrado for designado, será necessário refazer as intimações, o sorteio dos jurados e os demais preparativos para o plenário do júri. “Nós estamos preparados para a realização da sessão de julgamento desde 2025, quando o processo chegou em Maringá.”

'Eduarda teria 19 anos hoje'

O advogado Hugo Esteves, assistente da acusação, lembrou que o caso se arrasta há mais de sete anos sem uma definição. “É importante lembrar que a Eduarda tinha 11 anos quando foi vítima do crime. Hoje, teria 19 anos. O tempo continuou passando para todos nós, mas a mãe e a família materna da Eduarda permanecem aguardando que o caso seja finalmente apresentado aos jurados e que a Justiça seja concretizada.”

Já o advogado Mauro Valdevino, que representa a avó de Eduarda, afirmou não ver problemas no novo adiamento do júri. “Até porque nós cremos na inocência [de Terezinha]. O processo foi muito bem instruído na primeira fase”, disse o defensor. Ele ressaltou que os sucessivos cancelamentos ocorreram por problemas relacionados ao próprio Judiciário.

'Estamos frustrados, desacreditados'

A tia de Eduarda, Juliane Pires, afirmou que a família recebeu com surpresa a notícia do novo adiamento. “Estamos tão frustrados, tão desacreditados que hoje é muito difícil formular um sentimento. Estamos desacreditados da Justiça. É uma tristeza tão grande saber que, para a Justiça, a Duda valia tão pouco”, disse.

Relembre o caso

Eduarda morreu em 24 de abril de 2019, em Rolândia. No dia seguinte, a avó registrou um boletim de ocorrência informando o desaparecimento da menina. As buscas mobilizaram familiares, vizinhos e a Polícia Civil, com apoio do Sicride (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas). O corpo foi localizado no dia 28, enterrado na garagem de um imóvel da família.

Câmeras de segurança registraram o último momento de Eduarda com vida, às 11h56 do dia 24, quando ela chega em casa após a escola. Por volta das 13h32, Ricardo aparece saindo da residência em um VW Gol, já com o corpo da filha no porta-malas, segundo a investigação. Minutos depois, outra câmera flagra o carro chegando ao imóvel onde o corpo foi enterrado.

Ricardo Seidi é acusado de homicídio triplamente qualificado, por asfixia, por recurso que dificultou a defesa da vítima e por feminicídio, com aumento de pena por se tratar de vítima menor de 14 anos. Ele também responde por ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Preso desde abril de 2019, sempre negou ter matado a filha.

Terezinha responde pelos crimes de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Ela ficou presa por seis meses, mas foi solta e aguarda o julgamento em liberdade.

Em depoimento à PCPR após a prisão, Ricardo disse que a filha havia cometido suicídio e que, desesperado, decidiu enterrá-la. O laudo de necropsia, no entanto, concluiu que a morte ocorreu por esganadura. Um documento mais recente da Polícia Científica, juntado ao processo em agosto de 2025, reforçou que não houve suicídio: o corpo apresentava “estigmas digitais no pescoço, equimose e escoriações no queixo”.

(Atualizada)

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