Helicóptero dos bombeiros intensifica busca por Ana Paula em Sapopema
Londrinense está desaparecida há dois dias, com a família acreditando que ela está na área de mata; companheira de trilha, Ana Caroline Camilo fraturou a coluna e iniciou fisioterapia
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segunda-feira, 27 de julho de 2026
Londrinense está desaparecida há dois dias, com a família acreditando que ela está na área de mata; companheira de trilha, Ana Caroline Camilo fraturou a coluna e iniciou fisioterapia

A busca pela fotógrafa londrinense Ana Paulo Cardoso, 29, desaparecida desde sábado (25) na região do Salto das Orquídeas, em Sapopema, se intensificou na tarde desta segunda-feira (27) com o uso de um helicóptero do Corpo de Bombeiros com sensor infravermelho. Mais equipes do órgão ampliaram a procura, com a família da vítima e voluntários auxiliando no mapeamento da área e aguardando a descida de mergulhadores, como garantido pela Prefeitura.
A jovem fazia uma trilha junto com uma amiga, Ana Caroline da Silva Camilo, quando caíram ao atravessar o curso d’água em um trecho com cordas. A colega foi encontrada com vida na manhã de domingo (26), atualmente internada no Hospital Evangélico de Londrina e aguardando avaliação sobre uma possível cirurgia na coluna, já tendo iniciado a fisioterapia.

A tia de Ana Paula, Meire Lima, recordou a atuação dos bombeiros no domingo, que “com um drone termal, fizeram todo um trajeto que eles consideraram de leito de rio”. Retornaram às 9h15 desta segunda “e depois foi chegando mais uma galera, veio uma turma de montanhistas da região para ajudar, gente bem experiente”, completou.
Quatro grupos procuraram pela sobrinha ao longo da manhã, porém, não tiveram sorte com o uso de drone. “Não tem nenhum sinal, não tiveram acesso de vista por ela pelo drone. Eles já sobrevoaram com o drone termal mais cedo, então, leito de rio ela não está. A nossa esperança é que ela, de alguma forma, esteja tentando buscar a saída e esteja em um lugar de mata que não dá para ser vista”, ponderou Lima.
Apoio aéreo
Foi liberada a participação de civis na busca efetiva por Ana Paula, com Meire Lima se juntando a uma equipe que caminhou na beira do rio à procura da mulher, sem sucesso. Membros de órgãos oficiais realizaram uma varredura na mata, “mas não encontraram nada até agora, estamos bem abalados com essa notícia”, contou a tia. A chegada do helicóptero do Corpo de Bombeiros foi um sinal de esperança aos voluntários, com filtro infravermelho que detecta calor humano.
A Prefeitura de Sapopema informou, em nota, que acompanha de perto o trabalho de procura e resgate da fotógrafa, junto de forças policiais, Defesa Civil e munícipes que conhecem a região. O órgão pontuou que a busca engloba as margens da cachoeira e do Rio Tibagi, contando com drones, mergulhadores e equipes que realizam varreduras terrestres e aquáticas. O emprego dos recursos depende de comandos dos profissionais especializados, “por se tratar de uma área natural, com terreno de difícil acesso e riscos próprios de operações em ambiente aquático”.
Isadora Oliveira, amiga das vítimas que está no local, informou que “não tem nenhuma participação de equipe de mergulhador que temos conhecimento”. Disse ainda que a recomendação dos bombeiros é justamente não mergulhar na água, considerando a força da correnteza.
Já o perfil do Salto das Orquídeas divulgou que “está prestando total colaboração às autoridades responsáveis pelas buscas e pela apuração dos fatos relacionados ao acidente ocorrido envolvendo a jovem Ana Paula”. Manifestando solidariedade à família e amigos da londrinense, completou dizendo que não serão divulgadas informações não confirmadas por respeito à investigação e aos envolvidos.
A Prefeitura de Londrina somou esforços à operação coordenada pelo Corpo de Bombeiros com o envio de seis agentes da Defesa Civil, o cão de busca Boss e um drone com câmera térmica.


Encontrada com vida, amiga inicia fisioterapia
Ana Paula e Ana Caroline da Silva Camilo estavam na região conhecida como Salto das Orquídeas por volta das 15h20 de sábado. Quando foram atravessar a cachoeira em um trecho com cordas para começar uma trilha, Ana Paula teria se desequilibrado e ficado pendurada. Na tentativa de ajudar a amiga, Ana Caroline também perdeu o equilíbrio, bateu o corpo e caiu mais para baixo, sendo encontrada por volta das 9h de domingo.
A sobrevivente foi encaminhada para a Santa Casa de Cornélio Procópio, fora de risco de vida, mas com fratura na vértebra L2, dores fortes na coluna e escoriações pelo corpo. Ela foi transferida para o Hospital Evangélico de Londrina na madrugada de segunda, aguardando avaliação médica sobre a possibilidade de ser submetida a uma cirurgia. O pai de Ana Caroline, Valdir Camilo, está otimista quanto à pronta recuperação da filha, contando que ela consegue mexer os braços e pernas e iniciou fisioterapia na tarde de segunda.
“Ela estava com muita dor na lombar, aí eu falei que era devido ao tombo, que ela foi rolando e batendo nas pedras, mas graças a Deus foi na lombar, imagina se fosse na cabeça”, agradeceu o construtor. A mulher está “muito abalada e à base de calmante”, preocupada com a amiga. “Ela está sendo bem cuidada e estamos protegendo ela de todas as formas, ela não sabe de tudo que está acontecendo, estava se sentindo culpada, mas a gente já falou com ela, tentando tirar isso da cabeça dela, porque ela não teve culpa. Eu acho que se alguém teve culpa ali, é quem liberou elas pra ir lá pra baixo. É um absurdo isso, a pessoa sabe que o rio está cheio e não pode descer, mas deixa elas passarem, é o cúmulo”, se indignou.
Camilo agradeceu o “milagre de ela ter sobrevivido à queda de 47 metros de altura”, contando que Ana Caroline planejou “cair em pé”. “Se ela cai deitada, tinha arrebentado tudo”, completou. Disse ainda que a maior preocupação no momento é com o paradeiro de Ana Paula, já que “poderia ser a minha filha lá”.
(Atualizada às 18h10)


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


