A fotógrafa londrinense Ana Paulo Cardoso, de 29 anos, segue desaparecida na região do Salto das Orquídeas, em Sapopema, e as buscas entram, agora, no segundo dia. A jovem fazia uma trilha na tarde de sábado (25) junto com uma amiga quando caíram ao atravessar o curso d’água em um trecho com cordas.

Nas redes sociais, amigos e familiares criaram um perfil (resgate.anapaula) para divulgar informações e atualizações sobre as buscas. Em vídeo, uma amiga, Isadora Oliveira, contou que Ana Paulo Cardoso e Ana Caroline da Silva Camilo estavam na região cachoeira conhecida como Salta das Orquídeas por volta das 15h20 do sábado (25).

No momento em que as duas foram atravessar a cachoeira em um trecho com cordas para começar uma trilha, Cardoso teria se desequilibrado e ficado pendurada. Na tentativa de ajudar a amiga, Camilo também se desequilibrou, bateu o corpo e caiu um pouco mais para baixo. Camilo só foi encontrada por volta das 9h deste domingo (26) pelos proprietários do local, que estavam averiguando o nível das águas na região.

Entretanto, Ana Paula Cardoso segue desaparecida. “Ela está indo para a segunda noite sozinha, provavelmente com frio e com fome”, relatou Isadora Oliveira, em vídeo publicado na noite deste domingo. Ana Carolina Camilo está internada na Santa Casa de Cornélio Procópio, mas está bem e fora de risco.

Segundo a amiga das vítimas, o Corpo de Bombeiros fez buscas durante todo o domingo, tanto em terra quanto com o auxílio de drones. Na manhã desta segunda-feira (27), a reportagem conversou brevemente por telefone com Isadora Oliveira, que disse que voluntários também chegaram ao local para auxiliar nas buscas, incluindo cinco pessoas de Cambé. Entretanto, nenhum civil foi liberado até o momento para participar do trabalho de resgate.

A equipe do Corpo de Bombeiros chegou por volta das 8h30 ao local para dar continuidade às buscas, segundo Oliveira. Eles já traçaram a rota a ser percorrida. “Agora é só aguardar notícias boas”, disse.

“A vida dela é a natureza"

Pai de Ana Caroline da Silva Camilo, o construtor Valdir Camilo explica que a filha foi transferida da Santa Casa de Cornélio Procópio para o Hospital Evangélico de Londrina durante a madrugada desta segunda-feira. Segundo a família, ela teve uma fratura na L2, mas consegue mexer os braços e pernas. Entretanto, apresenta muitas dores na coluna e está tomando medicações fortes. Os médicos ainda estão avaliando a necessidade de cirurgia. Ela também apresenta muitas escoriações pelo corpo por conta da queda.

Ele afirma que a filha sempre foi muito aventureira, assim como ele, e que ela já foi ao menos três vezes ao Salto das Orquídeas. “A vida dela é a natureza”, garante, citando que ela já pulou até mesmo de paraquedas. Nesse momento, ele explica que Ana Carolina está sem o celular e está sendo “preservada”, já que ainda está abalada e a família tem medo de que o quadro possa se agravar. “A gente fala que é um segundo nascimento para ela”, afirma.

Valdir Camilo conta que conversou com a filha após o acidente e relata que ela disse que as duas estavam atravessando a cachoeira, em um trecho com cordas, quando Ana Paula Cardoso se desequilibrou. Nesse momento, Ana Caroline voltou para ajudar a amiga, mas também se desequilibrou e caiu da cachoeira, de uma altura de aproximadamente 47 metros.

Segundo ele, a filha teve uma reação rápida e conseguiu cair na vertical, sendo que deixou a água levá-la até que conseguisse se agarrar em uma pedra. Por ser uma área de mata, ela ficou com medo de que algum animal pudesse atacar e passou toda a noite deitada sobre a pedra. “Ela pediu que Deus a preservasse, que ela tinha ainda coisas a fazer aqui”, relata. Quando amanheceu, ela se levantou e procurou por ajuda, encontrando uma pessoa por volta das 9h da manhã, cerca de 20 horas após a queda.

Pagamento de R$ 100

Valdir Camilo explica que conversou com o proprietário do local após o acidente, que disse que as duas desceram para a cachoeira após um grupo de turistas de São Paulo, que estavam acompanhados de um guia, contratado por eles. As duas encontraram o grupo retornando, mas não foram avisadas de que não poderiam prosseguir. Segundo ele, a filha já disse outras vezes que não havia nenhum tipo de controle sobre a saída dos visitantes.

Para acessar a área da cachoeira, cada visitante paga R$ 100. “Eu acho que esses R$ 100 te dão direito a proteção porque lá é desprovido de tudo, infelizmente”, cobra. Após o acidente, segundo ele, muitas pessoas entraram em contato e também relataram episódios semelhantes, mas que “ficaram por isso mesmo”. “E é isso que a gente não quer, a gente quer que seja feita justiça”, afirma.

A gerente comercial Ana Paula Camilo é irmã de Ana Caroline da Silva Camilo e explica que, logo após a queda da cachoeira, a irmã enviou mensagens no Whatsapp pedindo socorro, mas chegaram apenas no domingo pela manhã por conta da falta de sinal, quando ela já tinha encontrado ajuda. Nas mensagens, Ana Caroline pede ajuda: “Sofri um acidente. Liga para os bombeiros. Estou no Salto das Orquídeas. Caí da cachoeira. Estou bem, mas preciso de resgate”.

Logo após saber da situação, Ana Paulo Camilo correu para Sapopema, quando ficou sabendo que a irmã tinha sido levada para a Santa Casa de Cornélio Procópio. As duas amigas chegaram no sábado pela manhã no local, montaram a barraca onde passariam a noite para retornar para casa no domingo.

Em atualização.

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