Dois ex-alunos foram os autores do ataque na escola estadual Raul Brasil
Dois ex-alunos foram os autores do ataque na escola estadual Raul Brasil | Foto: Nelson Almeida/AFP



A tranquilidade da cidade de Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, foi rompida na manhã desta quarta-feira (13) com os disparos do revólver calibre 38, na escola estadual Raul Brasil, no bairro Parque Suzano. Dois ex-alunos do colégio, Luiz Henrique de Castro, 25, e Guilherme Taucci Monteiro, 17, deflagraram um ataque por volta das 9h30 e promoveram um massacre. A coordenadora Marilena Ferreira Vieira Umezo, a agente de organização escolar Eliana Regina de Oliveira Xavier, e os alunos Pablo Henrique Rodrigues, Cleiton Antônio Ribeiro, Caio Oliveira, Samuel Melquíades Silva de Oliveira, Douglas Murilo Celestino, todos com idades entre 15 e 17 anos, foram mortos. Outras nove pessoas ficaram feridas: Letícia Melo Nunes, Samuel Silva Felix, Beatriz Gonçalves, Anderson Carrilho de Brito, Murilo Gomes Louro Benite, Jennifer Silva Cavalcanti, Leonardo Vinícius Santana, Adna Bezerra e Guilherme Ramos. Antes de chegar ao colégio, a dupla de assassinos foi à loja de venda de veículos usados, localizada a duas quadras, onde alvejaram o tio de Guilherme, Jorge Antônio Moraes.

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As informações prévias divulgadas pelos agentes de segurança de São Paulo apontam que a ação criminosa foi planejada. Castro e Monteiro chegaram calmamente à escola Raul Brasil em um carro alugado, estacionaram e procuraram a secretaria, afirmando que Monteiro gostaria de se rematricular, um ano depois de ter abandonado os estudos. "Os portões estavam abertos e eles foram recebidos pela coordenadora. Eles entraram na escola, atiraram na coordenadora, depois numa segunda funcionária e depois nos alunos", disseram as autoridades de segurança paulistas em entrevista coletiva hora depois do massacre.

Câmera de segurança da escola mostra momento do ataque
Câmera de segurança da escola mostra momento do ataque | Foto: Reprodução



Eles carregavam mochilas com um revolver calibre 38, uma besta - espécie arma medieval que dispara flechas -, um arco com flechas, machadinhas, além de coquetéis molotov e uma mala que carregava um dispositivo com fios, que foi descartado como sendo uma bomba. A dupla de assassinos, de acordo com os relatos das testemunhas, teria saído atirando a esmo, tendo com alvo a cabeça de suas vítimas. Eles teriam ainda tentado entrar em um centro de ensino de idiomas localizado na instituição, mas encontraram a porta fechada e ficaram sem ter para onde fugir. Os jovens teriam visto três policiais entrando no colégio com escudos. "Nenhuma hipótese foi afastada. O que se sabe é que o sargento da força tática estava a dez metros deles. Eles viram os policiais indo de encontro a eles. Aí, escutaram dois disparos. Um, possivelmente, tenha sido eliminado. E esse que eliminou tenha se suicidado", disse o secretário de Segurança de São Paulo, João Camilo Pires de Campos.

Guilherme Taucci Monteiro postou fotos com armas em rede social
Guilherme Taucci Monteiro postou fotos com armas em rede social | Foto: Reprodução/Facebook/Perfil Público



O som dos disparos causou desespero entre os alunos da instituição. Muitos conseguiram escapar pulando muros, que chegam a medir três metros de altura. Os vizinhos da escola acudiram os adolescentes que fugiam desesperados. Muitos abriram os portões das casas e os abrigaram até a chegada dos responsáveis. Um vídeo disponibilizado na internet mostra estudantes correndo pelos corredores do colégio em meio aos corpos dos colegas uniformizados. Segundo o Censo Escolar de 2017, a instituição tinha 358 alunos da segunda etapa do fundamental (6º ao 9º ano) e outros 693 estudantes do ensino médio - que frequentam as aulas no turno da manhã. Ao todo a escola tem 105 funcionários.

Segundo informações oficiais, os primeiros policiais chegaram ao colégio oito minutos depois que recebeu o primeiro chamado. Foram acionados seis unidades de resgate dos Corpo de Bombeiros, três do Samu, duas de suporte avançado e dois helicópteros. Além deste contingente, uma equipe do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) foi deslocada para apurar a situação dos artefatos explosivos. O governador de São Paulo João Doria (PSDB) foi ao local e deu um depoimento sobre a cena do crime. "Estou muito impactado com o que vi nesta escola. É a cena mais triste que vi na minha vida", afirmou.(Com Agências)(Leia mais na pág. 8)

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