O entorno do massacre promovido na escola estadual Raul Brasil, em Suzano, foi de pavor. Um dos alunos que acabou sendo ferido surpreendeu os médicos quando chegou ao Hospital Santa Maria. O estudante chegou ao pronto-socorro caminhando com um machado encravado no ombro. Ele tentava fugir quando acabou se deparando com a dupla de assassinos - um deles acabou lançando a arma em sua direção. "Ele recebeu um golpe de machado no ombro direito e veio com o machado pendurado no braço. Levamos ele direto ao centro cirúrgico e fizemos a cirurgia para remover o machado e ver se não tinha nenhuma lesão em algum vaso. Graças a Deus não chegou a pegar braço. Ele vai evoluir bem", disse o cirurgião vascular Austelino Vieira Mattos, em entrevista à TV Globo. A operação durou pelo menos uma hora e meia.

A ação dos homicidas aconteceu durante o intervalo dos alunos, quando a maior parte deles se dirigia para o refeitório para se servir da merenda. Esta foi a sorte de um grupo de pelo menos 50 alunos, que acabaram sendo recolhidos para dentro da cozinha do colégio pela merendeira Silmara Cristina Silva de Moraes. Ela não só abrigou os meninos como montou uma trincheira com os eletrodomésticos. A funcionária teve a sensação que os jovens procuravam alguém. "A gente deitou no chão e nós não vimos nada com medo que atirassem, mas graças a Deus nada aconteceu com quem não estava lá. Eu arrastei a geladeira e o freezer para fazer uma barricada e ficamos atrás. Viramos a mesa e fizemos um escudo para proteger as crianças. Ficamos acuados em um canto só, se acontecesse alguma coisa ele ia pegar muita gente", contou à GloboNews.

Um grupo de professores já estava na sala destinada aos docentes quando foram ouvidos os primeiros disparos. O professor Paulo da Silva, 60, correu para colocar os colegas dentro do espaço e improvisou uma barreira. "Fechamos a porta com um armário até o barulho de tiro passar, e eu fiquei na janela", detalhou à "Folha de São Paulo". Assim que saiu do local ele viu um cenário aterrorizante. Muitos estudantes, inclusive, estavam desesperados porque haviam perdido o telefone celular e não conseguiam ligar para a casa. A sensação de pânico de muitos era tão grande que não conseguiam se lembrar do número de casa para avisar aos pais o que acontecia.

O clima de comoção em Suzano é enorme. As famílias das vítimas receberam acolhimento psicológico e orientações legais no Bunkio Associação de Cultura Japonesa. Foi neste espaço em que as autoridades confirmaram os nomes das vítimas antes de divulgar para imprensa. À noite, uma missa foi rezada em frente à escola estadual Raul Brasil. As aulas no município inteiro foram suspensas. Tanto no Estado como na cidade foram decretados três dias de luto oficial. O prefeito Rodrigo Aschiuchi (PR) ofereceu o Ginásio Suzano para velar os corpos das vítimas nesta quinta-feira (14), numa cerimônia coletiva. Os corpos das vítimas e dos atiradores foram retirados do colégio somente às 16h, depois do local ser periciado.

CONTINUE LENDO:
- Ataques nos EUA serviram como inspiração
- 'Massacre em escola exige reflexão sobre controle de armas'

mockup