Completado um mês da morte de Murilo Dias, adolescente de 15 anos morto a tiros em uma abordagem da GM (Guarda Municipal) de Londrina, no dia 31 de julho, o órgão atendeu a uma determinação da Justiça e concedeu acesso a imagens de câmeras corporais dos agentes envolvidos na ação. Porém, a defesa da família da vítima questiona o fato de os registros disponibilizados não mostrarem a ocorrência toda, com a gravação entregue iniciando quando o menino já estava morto e seu pai, Volmir Dias, já preso.

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A situação começou quando o homem disparou uma arma de fogo em uma pizzaria na região central - onde a mãe de seu filho trabalha -, empreendendo fuga em alta velocidade, embriagado e com o adolescente no banco do passageiro. Volmir atropelou um motociclista, não conseguiu completar uma curva e bateu em um poste na Rua da Lapa. Com o veículo parado, agentes cercaram as portas e pediram para que os ocupantes desembarcassem. Volmir atendeu à ordem, mas Murilo teria se recusado. Os agentes teriam visto um revólver na mão do adolescente, com um deles disparando para evitar uma agressão, porém, a família do menino garantiu que ele não teria capacidade de empunhar a arma naquela situação, visto que tinha necessidades especiais e sofria com crises convulsivas.

Murilo foi desarmado e ainda apresentava sinais vitais quando as equipes de socorro chegaram ao local, mas teve a morte constatada pelos profissionais do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). O corpo foi recolhido pela Polícia Científica e Volmir Dias foi preso, alegando em depoimento que seu filho não encostou na arma. Ele foi solto após três dias, com tornozeleira eletrônica.

Câmera corporal

Os vídeos disponibilizados pela GM incluem imagens que a câmera corporal de um guarda captou a partir das 22h daquela sexta-feira, após o óbito de Murilo e a prisão de Volmir. A primeira gravação começa com o anúncio de que a mãe do menino estava a caminho, mostrando o carro já colidido no poste.

Um perito da Polícia Científica questionou o guarda portando a câmera se a sua equipe havia participado da perseguição. Afirmando, o profissional relatou o ocorrido desde o acionamento da equipe até a colisão. Antes que pudesse continuar, foi chamado por um segundo perito para fotografar o lacre do saco mortuário, que apresenta um número de identificação. Também pediu o nome completo e RG (Registro Geral) dos homens para incluir no relatório.

Outro vídeo, iniciado às 23h44, mostra Volmir admitindo que ingeriu bebida alcoólica naquela tarde e realizando o teste do etilômetro na Central de Flagrantes, desistindo após quatro tentativas por não soprar no aparelho por tempo suficiente para que um resultado fosse confirmado.

Falta de imagens

A Polícia Civil investiga a situação que levou à morte de Murilo em um inquérito policial, que teve o seu prazo renovado e segue em andamento. Outro apura a embriaguez ao volante, disparo de arma de fogo e desobediência praticados por Volmir Dias. Sua advogada de defesa, Aline Cappoci, questionou na Justiça a “inconsistência objetiva” quanto à falta de imagens disponibilizadas pela GM, solicitando esclarecimento documental e técnico.

“Ou existem registros anteriores e concomitantes à abordagem final que não foram encaminhados; ou a gravação somente foi iniciada posteriormente; ou houve interrupção, desligamento, falha, descarte ou outra ocorrência técnica ou funcional. Cada uma dessas hipóteses é verificável mediante dados que permanecem sob domínio da própria Administração”, listou Cappoci.

Posicionamentos

Em nota enviada pelo Secretário Municipal de Defesa Social, Ricardo Eguedis, foi informado que a GM não se pronunciará sobre o caso, “visto que as investigações e apurações não estão sob o seu grau de análise”. Relatou que, no âmbito criminal, a investigação é de competência exclusiva da Delegacia de Homicídios da PC, e no campo administrativo, a apuração está a cargo da Corregedoria-Geral do Município, órgão externo à estrutura da Guarda Municipal.

Um procedimento administrativo foi instaurado por meio de portaria, sendo que a “definição do prazo final dependerá do andamento das diligências e providências necessárias para o completo esclarecimento dos fatos. A não manifestação neste momento visa garantir a isenção, a neutralidade e a preservação do trabalho dos órgãos investigadores”.

A reportagem entrou em contato com o advogado dos guardas municipais envolvidos na ocorrência, mas não obteve retorno até a publicação do material.

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