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Londrina

Folha Rural

m de leitura Atualizado em 04/06/2022, 11:05

Maio, um mês especial

Rezava-se o terço e quando a casa era muito perto da igreja, a reza terminava lá

PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de maio de 2022

Idimeia de Castro
AUTOR autor do artigo

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Imagem ilustrativa da imagem Maio, um mês especial Imagem ilustrativa da imagem Maio, um mês especial
|  Foto: Marco Jacobsen
 

Maio, mês dedicado as mães e a Maria, Mãe de todos. Aproveitando que, neste final de semana, muitas paróquias farão a coroação de Nossa Senhora, vou recordar mais uma vez o quão festivo era este mês em Sertaneja e fortalecer mais os nossos laços com Ela, a nossa Mãe do Céu.

Havia uma lista de 30 famílias previamente estabelecida que iam receber diariamente, em suas casas, a imagem de Nossa Senhora. A família recebia o andor enfeitado com a imagem à noite; pernoitava e só era entregue no dia seguinte, à noite, em procissão. Ao entardecer, as pessoas chegavam um pouco antes do horário, ficavam em rodinhas conversando, faziam sua oferta e na saída, soltavam-se foguetes e rojões.

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O andor ia à frente carregado por pessoas que se revezavam ao longo do caminho; logo atrás, os donos da casa e em seguida, as pessoas que iam acompanhar a procissão. Durante o trajeto, cantavam fervorosamente músicas marianas, como: “A 13 de maio, na Cova da Iria... Ave, ave, ave, Maria...”, “Com minha Mãe estarei, na santa glória um dia... “ ou “ Mãezinha do Céu, eu não sei rezar...”

Rezava-se o terço e quando a casa era muito perto da igreja, a reza terminava lá. Tudo com muita devoção, muita fé, cada pessoa com seu terço, as crianças com seus pais. Alternando músicas e orações, chegava-se à igreja. O andor era colocado no lugar determinado e o padre iniciava a santa missa. Terminada a celebração, os avisos, a procissão ia para a casa de outra família que estava acompanhando ou esperando em sua casa.

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Era interessante observar o andor; muitas vezes, tinha um enfeite diferente. Cada família se esmerava em deixá-lo mais bonito. Todos admiravam e comentavam, parecia uma competição meio velada e, assim, todos os dias.

No último dia do mês de maio, realizava-se a coroação de Nossa Senhora. Era uma festa linda e envolvia toda a comunidade. Nós, as Cruzadinhas, íamos vestidas de anjos e, às vezes uma ou outra criança que a mãe vestia de anjo por causa de alguma promessa. Vestíamos túnicas de cetim branca, azul ou rosa, com a parte de cima cheia de estrelinhas de metal, asas brancas de penas ou feitas de papel crepom.

Armava-se na frente do altar uma arquibancada alta de madeira, onde, no centro, ficava a imagem de Nossa Senhora, que tinha em cada lado um anjo que cantaria a música para colocar a palma e outro para colocar a coroa. Esses dois anjos eram escolhidos entre as crianças das Cruzadas ou do Catecismo (hoje Catequese). Ficávamos ansiosas para sermos escolhidas, principalmente para coroar a Nossa Senhora.

Os padres da minha época que passaram por Sertaneja eram italianos e mal sabiam falar o português. Lembro-me do padre Antônio Maria Catâneo e Jeremias Galbiati, muito rígidos quanto aos trajes das mulheres e chamavam a atenção delas quando não se vestiam decentemente. Mas eram muito dedicados e queridos por todos, porque se preocupavam em pregar a Palavra de Deus e salvar as almas dos seus paroquianos, o que infelizmente, não acontece nos dias de hoje, pois muitos padres não estão cumprindo sua verdadeira missão.

Então, vamos rezar a Maria para interceder junto ao Pai para enviar a paz para nossas famílias, nas comunidades e no mundo.

Idiméia de Castro, leitora da FOLHA

A opinião do autor não representa, necessariamente, a opinião da Folha de Londrina 

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