Escolas municipais assistem a filme sobre o Parque Arthur Thomas
Em livro e documentário, a história de um dos pioneiros mais representativos de Londrina foi levada às salas de aulas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de março de 2026
Em livro e documentário, a história de um dos pioneiros mais representativos de Londrina foi levada às salas de aulas

Ampliar perspectivas é um trabalho permanente da Secretária Municipal de Educação de Londrina (SME) na formação de cidadãos. Comprometidos na difusão do conhecimento aprofundado, educadores exploram temas de modo interdisciplinar e permitem que estudantes, em suas diferentes fases de aprendizagem, compreendam as propostas de ensino.
A exibição do documentário “Parque Arthur Thomas”, dirigido pelo jornalista e cineasta Luciano Pascoal é exemplo recente deste trabalho. Na ocasião, 200 alunos da rede municipal tiveram a oportunidade de ir ao teatro da Associação Médica de Londrina (AML) Cultural para assistir ao filme. Em duas sessões, pela manhã e tarde, as turmas do 4° e 5° ano da Escola Municipal Arthur Thomas assistiram ao filme.
O evento marcou o lançamento da produção audiovisual, que tem aproximadamente 30 minutos de duração e integra projeto ambiental aprovado pelo Programa Municipal de Incentivo ao Verde (Proverde), da Secretaria Municipal do Ambiente (SEMA), em parceria com o Instituto Alicerce.
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HISTÓRIA E PATRIMÔNIO RESPEITADOS
O documentário apresenta a história do parque, fundado em 1975, e resgata a trajetória do pioneiro Arthur Thomas, personagem que dá nome ao espaço e cuja atuação se entrelaça com os primeiros anos do município. Além de reconstruir fatos históricos, a produção destaca a importância do parque como patrimônio ambiental e espaço de convivência, lazer e pesquisa científica.
Responsável por todas as etapas de produção da obra audiovisual, desde a idealização do projeto até a edição, o cineasta Luciano Pascoal explicou que projeto surgiu inspirado pelas comemorações dos 90 anos de Londrina. "Escrevi o projeto que foi aprovado pela comissão do Proverde, edital da Secretaria de Meio Ambiente de Londrina, em 2024", divide.
A ideia inicial, segundo o produtor, era lançar o livro e o documentário nas comemorações dos 90 anos. "Mas as obras de reforma do parque atrasaram e só foram entregues em dezembro de 2025. O livro, escrito pelo Jornalista Fábio Luporini, foi entregue em março de 2025. Foram impressos mil exemplares, que foram distribuídos para escolas, bibliotecas, universidades, institutos culturais e autoridades. O documentário estreou agora porque eu precisava mostrar as imagens da reforma".
Para a produção, Pascoal relata que foram meses de pesquisa e entrevistas. "Um dos principais entrevistados foi o neto do Arthur Thomas, Alan Thomas, que nos ajudou a traçar um perfil desse personagem fundamental para a história da cidade", informou.

O documentário, de 30 minutos, vai ao encontro da formação dos estudantes e o principal objetivo do idealizador é mostrar a importância de um patrimônio ambiental como esse para a vida de Londrina, bem como despertar na população a consciência ecológica e o interesse na preservação ambiental.
O cineasta reitera que entre aspectos relevantes deste trabalho está a iniciativa de enaltecer aquele que dá nome ao parque Arthur Thomas. " Jogar luz sobre a trajetória de um personagem fundamental da nossa história é um dos aspectos. Outro é mostrar que o parque é um laboratório a céu aberto, onde pesquisadores e cientistas das Universidades da cidade e do país podem realizar suas pesquisas e investigações. Um outro aspecto, que também é destacado, é a importância da Educação Ambiental promovida pelos funcionários públicos da SEMA, um trabalho que já dura décadas e que plantou a semente da ecologia no coração de milhares de londrinenses," detalha.
"Daí a minha intenção em convidar a escola “Arthur Thomas” para participar desse evento simbólico da estreia. Foram duas sessões, às 8h e às14h, com quase 200 crianças ao todo. Alunos das 4ª e 5ª séries lotaram o espaço da Associação Médica de Londrina, um lugar sagrado para a cultura da cidade", compartilhou. "O próximo passo agora é publicar a obra nas redes sociais para que ela se espalhe e atinja o maior número de pessoas. O pessoal da SEMA está fazendo a última checagem pra ver se precisa mudar algo. Daí eles vão publicar no canal do YouTube da SEMA", diz.
Durante a exibição, o público infantil acompanhou atentamente a narrativa e, segundo Pascoal, os aplausos e as perguntas demonstraram o interesse das crianças pelo tema, conforme relatado pelo diretor após as sessões de lançamento. “É de criança que se aprende a amar a natureza. E pela reação nas sessões tenho certeza que a obra mexeu de alguma maneira com as crianças, que vão poder discutir e levar estas sensações e lições para casa e compartilhar com a família”, comentou.
PIONEIRO PRESENTE
A Secretaria Municipal de Educação de Londrina, em consonância com a legislação vigente, propõe que além dos conteúdos referentes à Base Nacional Comum, o currículo contemple o estudo e a problematização de temas locais no decorrer do Ensino Fundamental I, sendo tratados de forma específica nos terceiros, quartos e quintos anos por meio da história do bairro, de Londrina e do Paraná. Para tanto existem formações continuadas e publicações voltadas à história local que favorecem o ensino de História nos anos iniciais.
Nessa perspectiva, a diretriz curricular da SME contempla a concepção do ensino de História a partir do processo investigativo de fontes imagéticas, orais, escritas, materiais ou imateriais e permite um trabalho com as categorias de tempo, espaço, identidade, memória e patrimônio.
Na prática, tratar da categoria de tempo, em específico, contribui para que o aluno identifique as relações existentes entre o passado e o presente; desenvolva noções temporais (sequência, ordenação, sucessão, simultaneidade, mudanças e permanências) e fortaleça a identidade. Desse modo, a utilização de elementos mediadores permite compreensões e problematizações por meio das vivências pessoais ou em grupos.

O PARQUE E A HISTÓRIA
O jornalista e autor do livro “Arthur Thomas – Da Marcha para o Oeste ao Parque Municipal”, Fábio Luporini, considera que o documentário e o livro consolidam a compreensão não apenas dos estudantes sobre o Parque Arthur Thomas. "Mas que a própria cidade tem a respeito do seu pioneiro, da sua história e do valor que o parque representa para o microclima de Londrina e para a biodiversidade que nós temos aqui no norte do Paraná", observa.
Luporini reforça o quão presente o pioneiro é. "Temos o o nome Arthur Thomas espalhado pela cidade. Antigamente tínhamos a faculdade Arthur Thomas, temos nos supermercados o vinho Mister Thomas, existe o bairro Mister Thomas, temos a Escola Municipal Arthur Thomas, o Parque Arthur Thomas, ou seja, o nome do pioneiro faz parte da nossa cidade sem que muitas vezes nós, como cidadãos, soubéssemos quem ele era e sua importância. Agora, com esses trabalhos, a cidade se reconecta com o seu passado conhecendo a sua própria história e se projetando para o futuro", pontua.


Walkiria Vieira
Repórter de Cultura, Educação e temas sociais.





