Na última terça-feira (09), em palestra com a presença de pais e alunos, realizada na Escola Municipal Haydee Colli Monteiro, na zona norte de Londrina, a jornalista e Chefe de Redação da Folha de Londrina, Adriana De Cunto, falou sobre como identificar e evitar disseminar 'fake news', principalmente com o avanço do uso de IA (Inteligência Artificial).

A palestra contou com a presença dos alunos do quinto ano da escola, que participaram ativamente tirando dúvidas sobre o que é ou não 'fake news' e falando sobre momentos em que entraram em contato com notícias falsas na internet.

Inicialmente, a jornalista lembrou que as 'fake news' são informações falsas ou enganosas produzidas para parecerem "notícias de verdade" e que na era da Inteligência Artificial e do compartilhamento instantâneo de mensagens, uma mentira pode enganar milhares de pessoas em poucos minutos.

A palestra abordou temas como as consequências que as 'fake news' causam para sociedade, como identificar uma notícia falsa e evitar que ela se torne uma ''verdade''.

Adriana De Cunto falou sobre a relevância de ensinar crianças desde cedo a ficarem atentas, evitar cair em 'fake news' e a não compartilhar mensagens suspeitas. "A gente não pode ignorar que eles já têm e usam celular, então eles estão vulneráveis a receber 'fake news."

Entre os riscos para a sociedade, a desinformação pode manipular resultados eleitorais, representar perigos à saúde pública e acirrar a polarização da sociedade e o ódio entre as pessoas, enfatizou a palestrante.

Adriana De Cunto, Chefe de Redação da Folha, lembrou a regra dos 30 segundos, que orienta quem recebeu uma mensagem a analisar o texto antes de compartilhá-lo
Adriana De Cunto, Chefe de Redação da Folha, lembrou a regra dos 30 segundos, que orienta quem recebeu uma mensagem a analisar o texto antes de compartilhá-lo | Foto: Roberto Custódio

PAIS PRESENTES

A jornalista também falou sobre o resultado da palestra que, apesar de pouca presença de pais, contou com muitos alunos que podem transmitir a mensagem para os familiares. "Quando a gente fala para as crianças, de uma maneira ou de outra, elas acabam levando isso para os pais, os adultos com quem elas convivem". Letícia Ferreira, mãe de aluno que estava presente na palestra, falou sobre a importância da abordagem de temas como esse na escola. "Muito importante para as crianças".

Com o fácil acesso à internet que crianças possuem hoje, cresce também o acesso a conteúdos impróprios e mentirosos que buscam utilizar da vulnerabilidade dos mais novos para espalhar informações falsas, e a diretora da Escola Municipal Haydee Colli Monteiro, Luzia Gilles Dias, avalia a importância do bate-papo entre a jornalista, os alunos, pais e professores presentes. "A palestra veio como mais uma ferramenta de formação para as crianças maiores da escola, mostrando os riscos e as consequências do uso incorreto da informação nas redes sociais."

A disseminação de notícias falsas é um problema nacional que afeta todos, e Adriana De Cunto fala sobre como evitar cair em fake news na internet hoje em dia. "Eu consigo lidar entrando nos sites de veículos profissionais de imprensa, vendo se um ou mais jornais deram a notícia, verificando se o repórter entrevista fontes oficiais, se essa matéria é assinada por um jornalista", explica.

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REGRA DOS 30 SEGUNDOS

A Chefe de Redação da FOLHA lembrou sobre a regra dos 30 segundos, que orienta quem recebeu uma mensagem analisar se o texto sustenta o título da matéria; se a notícia é encontrada em sites de jornais profissionais e se os dados realmente são reais. "Só depois de seguir essas etapas, decidir se compartilhará ou não a mensagem", explica.

Ela aconselhou ainda às crianças e pais a desconfiarem de mensagens ou posts de redes sociais que começam com argumentos como, "repasse agora!", "fonte segura!" e "a imprensa não quer que você saiba". E alertou sobre o "viés de confirmação", que é "uma tendência de as pessoas aceitarem facilmente uma mensagem que confirme suas crenças e ideias e rejeitem o que as contraria".

Para Adriana De Cunto, toda a sociedade tem um papel relevante no combate à desinformação, além dos veículos de imprensa, considerados o principal antídoto contra as 'fake news.' Segundo a jornalista, considerando os perigos da desinformação para crianças e adolescentes, os pais e responsáveis devem mediar o tempo de tela e monitorar o acesso a conteúdos, enquanto a escola precisa oferecer educação midiática e incentivar o pensamento crítico. Já os jovens devem se comprometer em não espalhar conteúdos que não foram checados.

Palestra de Adriana De Cunto na Escola Municipal Haydee Colli Monteiro sobre os riscos das notícias falsas contou também com a presença dos pais de alunos
Palestra de Adriana De Cunto na Escola Municipal Haydee Colli Monteiro sobre os riscos das notícias falsas contou também com a presença dos pais de alunos | Foto: Fabriccio Lucas

RECURSOS DO PDDE

A palestra foi realizada com recursos do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola), do governo federal, que visa a destinação anual de recursos financeiros, em caráter suplementar, que busca prover as necessidades prioritárias dos estabelecimentos educacionais, além de promover a melhoria das estruturas físicas e pedagógicas, incentivando a autogestão escolar e o exercício da cidadania, com a participação da comunidade local.

A diretora Gilles Dias falou sobre a importância do PDDE e a destinação da verba anual "Somado às campanhas feitas pela escola junto aos pais e comunidade, o recurso é investido em ações que aproximam a escola da comunidade. "Neste ano a escola realizou duas ações para buscar essa aproximação, a palestra sobre 'fake news' realizada por Adriana De Cunto, e uma oficina de brinquedos chamada "Construção do Projeto de Vida do Estudante", em que o recurso foi investido em brinquedos de diferentes profissões para os alunos, e foi feito um convite aos pais para passar momentos brincando com os filhos.

FAKE NEWS NAS ELEIÇÕES

Em ano de eleição, a preocupação com o uso indevido de IA (Inteligência Artificial) para espalhar informações falsas aumenta, e Adriana De Cunto falou sobre as consequências que esses conteúdos podem causar com as eleições em outubro. " Essa eleição vai ser um desafio para as autoridades eleitorais, o Tribunal Superior Eleitoral, para os próprios candidatos. As pessoas têm que estar muito preparadas para receber e para identificar de que se trata uma fake news".

Em entrevista para à Folha, o presidente do TRE Luciano Carrasco Falavinha Souza falou sobre as novas regras para o uso de IA nas campanhas eleitorais. "O candidato pode usar inteligência artificial na sua campanha, desde que identifique e conste na propaganda que é inteligência artificial. A grande novidade é que, mesmo identificando, ele não poderá fazer qualquer propaganda [com IA] entre as 72 horas antes da eleição e as 24 horas seguintes à eleição."

* Supervisão: Célia Musilli/ Editora

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