As eleições de outubro estão movimentando a Justiça Eleitoral no Paraná. A partir de julho, começam as convenções partidárias, etapa que antecede o registro oficial das candidaturas, previsto para agosto. Depois disso, a campanha passa a ganhar as ruas com os candidatos já registrados.

Em entrevista à FOLHA, o presidente do TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná), desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, falou sobre o crescimento do eleitorado, a preparação para o pleito, o uso de inteligência artificial nas campanhas, a segurança das urnas eletrônicas e a importância do trabalho dos mesários.

Segundo ele, o Paraná tem hoje mais de 8,5 milhões de eleitores, e Londrina deve se aproximar dos 400 mil eleitores aptos a votar. O presidente também destacou a procura de jovens pelo primeiro título. Foram mais de 40 mil novos documentos emitidos para pessoas de 15 a 17 anos durante a campanha de regularização.

Souza ainda destacou que, durante a pré-campanha, os pré-candidatos podem trabalhar para viabilizar suas campanhas, mas existem regras a serem seguidas. “O que não pode é pedir voto. O pré-candidato não pode utilizar palavras mágicas de campanha como se já fosse candidato, porque hoje ainda não existe candidato. Existem pré-candidatos discutindo a viabilidade ou não de suas candidaturas.”

Confira trechos da entrevista com o presidente do TRE-PR, desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza:

O Paraná já é o quinto maior colégio eleitoral do país. O eleitor atendeu ao chamado da Justiça Eleitoral para regularizar a situação e para que os jovens tirassem o primeiro título?

Nós tivemos mais de 140 mil títulos regularizados nesta campanha de recadastramento. E o dado que chamou bastante atenção foram os mais de 40 mil títulos feitos pela população de 15 a 17 anos, com a emissão do primeiro título. Isso é um dado importante, que mostra que o jovem percebeu a necessidade de regularizar seu título para participar da eleição em outubro. O Paraná hoje tem mais de 8 milhões e 550 mil eleitores. Londrina está com quase 400 mil eleitores.

Como é o trabalho de preparação da Justiça Eleitoral para garantir o funcionamento da votação no primeiro turno?

Primeiro, a questão da votação no dia da eleição. Serão seis votos. Por isso, desde o início do ano, nós estamos distribuindo a todas as zonas eleitorais colinhas, que mostram os cargos que serão eleitos em outubro. Eu aviso de antemão que, neste ano, são dois senadores. O eleitor deve já colocar o nome do seu candidato de preferência para levar na hora da votação, porque é muito mais rápido. Ele não poderá levar celular ou óculos com gravação. Pode levar o número dos seus candidatos em uma colinha. Quanto aos locais de votação, toda a equipe da Justiça Eleitoral está visitando os locais para verificar a acessibilidade e se é possível manter a urna naquele local.

Quais são as principais regras para o uso de inteligência artificial nas campanhas deste ano?

O candidato pode usar inteligência artificial na sua campanha, desde que identifique e conste na propaganda que é inteligência artificial. A grande novidade é que, mesmo identificando, ele não poderá fazer qualquer propaganda [com IA] entre as 72 horas antes da eleição e as 24 horas seguintes à eleição. É proibido terminantemente. Isso é uma vedação expressa da resolução.

Quem não está com a biometria regularizada poderá votar normalmente?

Vai com o documento com foto e vai conseguir votar sem problema nenhum. E são pouquíssimas pessoas. Até o final de abril, o Tribunal do Paraná era o segundo do Brasil com o maior número de biometrias feitas. Nosso percentual no Paraná inteiro chegou a 98% de pessoas com biometria. Então, o número de pessoas que precisariam fazer biometria é insignificante, não chega a 2%.

As urnas eletrônicas completam 30 anos em 2026. Qual é a avaliação do TRE sobre a segurança do sistema?

A urna, neste ano, completa 30 anos de existência e nunca, nesses 30 anos, se mostrou, provou ou demonstrou um voto fraudado. É uma urna segura. Nós estamos fazendo testes e retestes das urnas. Quando for o período próprio, todos os candidatos serão chamados para auditar as urnas, verificar sua viabilidade. São 30 camadas de segurança. Não tem internet nela para falsificar ou alterar qualquer dado de transmissão de votos somados ou diminuídos. Assim que houver os registros de candidaturas, as urnas serão abastecidas, e serão chamados todos para verificar essa inserção do programa, para verificar quem está lá na urna para ser votado. O partido e o candidato vão lá, olham, conferem, verificam e dão o OK. Então, estou tranquilo com relação a isso.

Quantas pessoas devem trabalhar como mesárias no Paraná?

No Paraná, para a eleição ser bem feita, nós precisamos de 107 mil mesários. Nós já estamos convocando os mesários a partir dos próximos dias. Ele receberá um comunicado de que trabalhará na eleição. Já alerto que não se pedirá nenhum dado pessoal nem acesso a link. Bastará ele entrar em contato pelo telefone ou ir até a zona eleitoral para ter a notícia de quando será treinado e quando será verificada a sua situação. A cada dia trabalhado na eleição, ele ganha dois dias de folga, terá vale-alimentação, isenção em concurso público estadual e, em alguns municípios, além de meia-entrada no Paraná inteiro por dois anos. Então, eu peço ao eleitor paranaense que quiser se voluntariar como mesário que compareça, porque ajudará muito na consolidação da democracia.

Em Londrina, a abstenção chegou perto de 30% no segundo turno das eleições municipais de 2024. O que o TRE tem feito para estimular a participação do eleitor?

Com a campanha do recadastramento, por exemplo, nós indicamos a importância do eleitor votar para não ser escolhido. Ele tem o direito de escolher o candidato que melhor conduz o país, na sua opinião. Isso é o voto cívico, é o direito dele de exercer a sua cidadania. É uma campanha que o TRE tem feito para estimular o eleitor a votar. Os índices de abstenção, apesar de em alguns casos chegarem a 30%, dependem da eleição. Nós temos um dado importante: a população idosa, mesmo entre aqueles em que o voto é facultativo, é a que tem o menor índice de abstenção. É um povo mais engajado. Não chega a 10% a abstenção dos eleitores idosos, que nós chamamos de geração prateada. Então, acredito que, nesta eleição, o número de abstenção seja menor.

Que mensagem o senhor deixa ao eleitor paranaense?

Eu peço ao eleitor paranaense que vá votar, exerça a cidadania, pegue sua colinha no dia, faça a anotação e participe do futuro do país. É o eleitor que decide o destino do país. Se você quer o candidato A ou o candidato B, vá e vote. Somente assim a cidadania se consolida e a democracia vinga.

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