Projetos de leitura incentivam alunos da Rede de Municipal de Londrina
Em atividade desde 2017, o projeto 'Toda Quinta Tem História' valoriza o livro, os educadores e forma novos leitores
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de abril de 2026
Em atividade desde 2017, o projeto 'Toda Quinta Tem História' valoriza o livro, os educadores e forma novos leitores

Em permanente compromisso com a formação integral de cidadãos, a Secretaria Muncipal de Educação investe em projetos que incentivam a prática da leitura em todas as fases escolares. O livro, por sua vez, conserva o seu papel atemporal na trajetória do aprendizado e é instrumento indispensável para educadores.
De valor inestimável, o Dia Mundial do Livro e do Direito de autor é comemorado em 23 de abril. Instituído pela UNESCO em 1995 para promover a leitura e proteger a propriedade intelectual, a data homenageia o falecimento de grandes escritores como William Shakespeare, Miguel de Cervantes.

Nesta perspectiva, em entre as ações desenvolvidas pelo município está o projeto 'Toda Quinta tem História'. Criado em 2017 pela Diretoria de Bibliotecas de Londrina e mantido pela Secretaria Muncipal de Cultura (SMC), a prática tem o objetivo de promover o hábito da leitura e aproximar a comunidade dos espaços públicos culturais.
Ao longo do ano, as atividades percorrem diferentes bibliotecas municipais, ampliando o acesso à literatura. A iniciativa ocorre uma quinta-feira por mês, revezando-se entre as bibliotecas municipais das regiões central, sul, norte e oeste de Londrina.
Em conformidade com a BNCC - Base Nacional Comum Curricular, a contação de histórias, especialmente na Educação Infantil, é compreendida como ferramenta fundamental para desenvolver a linguagem oral, escuta, imaginação e criatividade. Ela alinha-se aos campos da escuta, fala, pensamento e imaginação e promove o gosto pela leitura, ampliação do vocabulário e interpretação, conforme as diretrizes para crianças pequenas e bem pequenas.
A prática é também reconhecida por favorecer o desenvolvimento socioemocional, cognitivo e físico das crianças. Dentro da Educação Infantil, ela permite que haja transmissão cultural por meio da oralidade, o que torna possível conhecer outras gerações, a fim de manter vivas as tradições e os costumes criados ao longo da história.
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CONTADORA CRIATIVA
Já reconhecida pelos alunos e professores, a educadora Renata Suzue é admirada pela sua capacidade de contar histórias. A postura, o tom de voz e os objetos que escolhe para compor o seu trabalho dão identidade a sua habilidade. E contagiam.
Por meio de uma dinâmica que explora sobretudo entrega e presença, Suzue tem a atenção e a interação dos alunos. Mais do que plateia, tornam-se parte da contação graças ao interesse que demonstram. Pessoas de todas as idades são bem-vindas ao evento, sem a necessidade de inscrição prévia, e escolas e projetos interessados em agendar grupos de visita podem entrar em contato e agendar visita.
Exemplo já apresentado em contação é sobre o livro “Lobo Grande e Lobo Pequeno”, de Nadine Brun-Cosme e Olivier Tallec. A contação foi realizada no Centro Cultural Lupércio Luppi, na avenida Saul Elkind, 900, região norte, a obra trata da vida de um grande lobo solitário que mora no alto de uma colina, e, em meio à sua rotina simples diária, passa a conviver com um lobo pequeno que surge inesperadamente.
“A questão levantada é se o lobo maior aceitará facilmente o menor ou não, e quais impactos e mudanças podem ser trazidos por esse encontro. A história convida os leitores para uma viagem incrível, comovente e poética”, relata Suzue.
Para tornar a experiência mais interessante, a contadora utiliza elementos como forma de prender a atenção dos espectadores e, no final, uma roda de leitura - com o manuseio do tapete para as crianças - permite que todos vivam a forma de narrativa.

CLÁSSICOS E CONTEMPORÂNEOS
Em 2026, dando continuidade à programação, obras clássicas e contemporâneas confirmam a aceitação da proposta. O livro escolhido para abrir a programação de 2026 foi “Pandolfo Bereba”, da escritora e ilustradora Eva Furnari, que narra a história do príncipe Pandolfo, um jovem exigente da Bestolândia que vive isolado, observando e dando notas baixas aos defeitos alheios.
Entediado, ele sai do palácio. Ao seguir uma borboleta para fora de seu castelo, ele descobre que todos têm defeitos, passando a entender que a imperfeição faz parte do ser humano. A obra promete encantar os ouvintes com seu humor característico e personagens cheios de personalidade.
Neste mês, mais ações foram integradas para as celebrações dedicadas a Monteiro Lobato, um dos principais nomes da literatura infantil no Brasil. As histórias escolhidas dialogam com o universo criado pelo autor, aproximando as crianças de personagens e narrativas que atravessam gerações - em histórias cheias de imaginação, humor e ensinamentos.
Segundo Renata Suzue, o conto em questão parte de diferentes versões da tradição literária. “O conto vem da adaptação de Monteiro Lobato com “O Veado e o Sapo”, na voz da querida Tia Nastácia, na obra “Histórias de Tia Nastácia”, O enredo destaca temas como esperteza, justiça e a arrogância, sendo um dos muitos contos populares brasileiros recontados por Lobato para as crianças do Sítio do Picapau Amarelo.
"Monteiro Lobato foi um autor à frente de seu tempo, que inseriu questões filosóficas e políticas no universo infantil. E dava total voz às crianças pelos personagens Emília (Filosofia pura), Narizinho (que analisava os fatos com senso de humanidade) e Pedrinho (severo, implacável com a lei)”, expõe a mediadora.
Na área desde 2001, a contadora explica que a interação continua após as fábulas. “Sempre conto duas ou três histórias nos encontros. No final, aparece nítido a opinião de cada personagem. Jogarei a isca para as crianças: com qual personagem cada um se identifica melhor?”, explica.
A profissional ressalta o poder reflexivo dessas atividades para as novas gerações, especialmente em tempos de excesso de telas. “A Filosofia é uma criança que questiona tudo. Presenciei crianças inteligentíssimas que sabem discutir o que está acontecendo no mundo agora. Mal sabia Lobato que o celular iria alienar nossos pitocos”, disse.


Walkiria Vieira
Repórter de Cultura, Educação e temas sociais.





