O perfume da goiaba, a acidez do limão e a doçura da tangerina ganharam mais significado para os alunos do 4º ano do período da manhã da Escola Municipal Norman Prochet , na zona sul de Londrina, graças ao desenvolvimento do projeto “A importância das árvores frutíferas no meio ambiente”.

De modo transversal, o projeto estuda o meio ambiente por meio de um ponto de vista socioambiental e uma abordagem que vai além da preservação da natureza ao englobar o consumo consciente, os impactos humanos na sociedade e a busca por qualidade de vida sustentável. Nesta perspectiva, as árvores frutíferas são compreendidas como elementos essenciais para a preservação ambiental porque alimentam a fauna, protegem o solo e ajudam a equilibrar o clima, entre outros aspectos.

De acordo com a diretora da unidade, Margarida Cândida Silva Lopes, a educação ambiental possibilita que os estudantes compreendam sua relação com o meio em que vivem e desenvolvam atitudes de cuidado e responsabilidade. "O projeto surgiu da proposta de ampliar os conhecimentos trabalhados com os alunos do 4º ano, aproximando os conteúdos curriculares de situações concretas", explica.

A gestora destaca ainda que o estudo das árvores frutíferas permite abordar sua importância para a preservação ambiental, alimentação, biodiversidade, equilíbrio do ecossistema, produção de oxigênio, proteção do solo e oferta de abrigo e alimento para diferentes espécies. Integraram o projeto as professoras Jaine Mara Marques Carvalho 4°A , Fernanda Novais Spirandelli 4° B, Daniele Fernandes Álvaro Gobis 4° C, Helida Regina G. da Cruz Santana 4° D.

Pesquisa de Samuel Ribeiro da Silva foi sobre o cajueiro que serve a doces e sucos saborosos
Pesquisa de Samuel Ribeiro da Silva foi sobre o cajueiro que serve a doces e sucos saborosos | Foto: Divulgação

DA SEMENTE AO FRUTO

Durante os estudos teóricos, os estudantes compreenderam que as árvores frutíferas servem de alimento para a fauna, pois graças às flores e frutos, atraem e sustentam aves, abelhas e pequenos mamíferos. Entenderam também o papel das espécies para a proteção do solo, uma vez as raízes firmam a terra e evitam erosões e deslizamentos em áreas de encosta ou margens de rios. No que diz respeito ao clima e umidade, as árvores aumentam a umidade do ar e reduzem a temperatura local por meio da sombra e da transpiração. Para a qualidade do ar, sua relevância se deve em razão de terem a capacidade de absorver gás carbônico (CO₂) da atmosfera e liberar oxigênio limpo pelo processo de fotossíntese.

Neste contexto, é indiscutível que o olhar dos alunos para um pé de fruta e até mesmo para as frutas servidas em casa ou em outras oportunidades passou a ser mais rico. De acordo com os professores, os estudantes relacionaram os conhecimentos estudados às práticas do cotidiano - e este era justamente um dos objetivos da proposta: estimular o protagonismo dos estudantes por meio da pesquisa, apresentação e participação no plantio.

O PLANTIO

Sim, houve plantio. Como culminância, os estudantes participaram do plantio de árvores frutíferas no espaço da escola - mudas de acerola, amora, calabura, grumixama e pitangueira - transformando o conhecimento estudado em uma ação concreta de cuidado com o ambiente. Após o plantio, as turmas poderão acompanhar o desenvolvimento das mudas, observando seu crescimento e assumindo, coletivamente, os cuidados necessários à sua preservação.

Sem perder de vista a proposta pedagógica, a avaliação está integrada a todo o desenvolvimento do projeto, sendo consideradas a participação, o envolvimento, as produções realizadas, a compreensão dos conteúdos, a capacidade de relacionar os conhecimentos estudados às questões ambientais e o compromisso dos estudantes com o cuidado das árvores plantadas.

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De acordo com os professores, os alunos entenderam que a preservação ambiental também depende de pequenas ações realizadas no cotidiano. "O plantio das mudas deixará uma contribuição concreta para a escola e permitirá que os alunos acompanhem, ao longo do tempo, os resultados de uma ação da qual foram protagonistas", apontam.

O estudo das árvores frutíferas na escola atende a diversas habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), especialmente na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Na Educação Infantil, é possível explorar e descrever semelhanças e diferenças entre as características dos objetos e dos seres vivos (cor, tamanho, função). Em atividades planejadas, aplica-se observação de folhas, troncos, texturas e tamanhos de diferentes frutas e árvores, por exemplo. Ao observar traços, sons, cores e formas, é possível explorar a representação artística de frutas e árvores por meio de pintura, colagem ou desenho.

No Ensino Fundamental, por sua vez, há inúmeras atividades que contribuem para a conhecimento como descrever características de plantas e animais (tamanho, forma, cor, fase da vida, local onde se desenvolvem), estudar o ciclo de vida das árvores frutíferas e o ambiente ideal para o seu desenvolvimento. Além disso, os alunos aprendem ao identificar as principais partes de uma planta (raiz, caule, folhas, flores e frutos), a função desempenhada por cada uma delas, e assim analisar as relações entre as plantas, o ambiente e os demais seres vivos. Sobre a mesa, é possível explorar a culinária saudável e realizar uma oficina de salada de frutas para promover hábitos alimentares saudáveis e discutir a origem dos alimentos consumidos.

Nicolas Lima Devidé estudou o tomateiro, cujos frutos estão sempre presentes nas refeições
Nicolas Lima Devidé estudou o tomateiro, cujos frutos estão sempre presentes nas refeições | Foto: Divulgação

AMORA, AMOREIRA

Durante sua pesquisa, a estudante Rosiane Mariah Carvalho Alho, do 4º B, identificou que existem mais de 42 variedades de acerola cultivadas no Brasil e que após o processsamento, a fruta atende as demandas da indústria alimentícia, farmacêutica. "Chegou ao Brasil na década de 1950 e se desenvolve em regiões de clima tropical e subtropical", aprendeu. Em sua atividade, a aluna somou conhecimentos das disciplinas de ciências, história e geografia.

Diante da proposta de estudar a morus nigra, a popular amora, a estudante Alice Sandoli Torres, também do 4º ano B, dedicou-se. Descobriu que a frutinha tão miúda - capaz de tingir roupas e pele ao ser apanhada - é cheia de propriedades. "É antioxidante, rica em vitamina C e protege os ossos". De baixas calorias, a amora vira compota, geleia, licor, sucos e a presença da fruta fresquinha em sobremesas, seja no recheio ou topo, ostenta qualidade. "A frutificação acontece de setembro a janeiro e primeiro os frutos são verdes, depois vermelhos e quando maduros, pretos", descreve.

O alperceiro, também chamado de damasqueiro, foi o centro dos estudos dos estudantes Davi Gonçalves e Nicolas Gerlim Ferrari. A ilustração do fruto, suas flores e uma árvore desenhada por eles tornou o cartaz completo. "O damasco deve ser plantado preferencialmente por meio de mudas enxertadas e solo profundo e drenado", explicaram.

A aluna Bettina Nielsen, do 4º D, somou conhecimentos sobre o fruto da goiabeira
A aluna Bettina Nielsen, do 4º D, somou conhecimentos sobre o fruto da goiabeira | Foto: Divulgação

A aluna Bettina Nielsen, 4º D somou muitos conhecimentos sobre o fruto da goiabeira. Ao produzir um cartaz com as informações que gostaria de compartilhar com os visitantes da exposição da escola, buscou curiosidades e propriedadades da goiaba. "Seu nome científico é psidium guajava, para se desenvolver exige sol, água na medida certa, solo fértil e drenado, podas e polinização.

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