O Museu Histórico Padre Carlos Weiss foi reconhecido como patrimônio de valor histórico, arquitetônico e sociocultural de Londrina, por meio do tombamento publicado no Jornal Oficial do município, na última sexta-feira (15). Com o reconhecimento, o monumento arquitetônico que testemunha a história do município obterá a proteção e conservação do patrimônio no longo prazo, impedindo descaracterizações futuras que comprometam a função que desempenha na memória coletiva do município.

A diretoria de Patrimônio Artístico e Histórico-Cultural de Londrina abriu o processo de tombamento em julho de 2023, como mostrou reportagem da FOLHA. A oficialização ocorreu após a emissão de um parecer pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de Londrina. Nos próximos dias, a decisão será notificada pela Secretaria Municipal de Cultura aos órgãos responsáveis.

O edifício inaugurado em 1950 funcionou como estação ferroviária até o início da década de 1980. Desde 1986, ele abriga a sede do Museu Histórico, administrado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

De acordo com o parecer do conselho municipal, a antiga estação é considerada referência cultural e afetiva da comunidade londrinense e tem papel fundamental na paisagem urbana histórica da área central de Londrina, o que justifica seu reconhecimento como patrimônio da cidade.

Proteção do edifício e dos acervos

Segundo a diretora de Patrimônio Artístico e Histórico-Cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Solange Batigliana, o tombamento do museu garantirá uma proteção importante ao patrimônio histórico do município. “Às vezes as pessoas não sabem como funciona a preservação do museu, pensam que é simplesmente deixar lá. Mas o tombamento é um instituto jurídico, então existem leis para essa preservação e regras que protegem o edifício e os acervos que ele contém”, explicou.

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Para que se justifique a solicitação de tombamento de um bem como o Museu Histórico, o edifício precisa atender aos critérios legais de relevância histórica, arquitetônica, paisagística e social.

No caso da antiga estação, alguns dos requisitos apontados pelo parecer foram o pioneirismo; o testemunho de uma época de desenvolvimento da cidade; a singularidade da técnica construtiva e do material utilizado; a qualidade espacial, paisagística e/ou ecológica; fatos históricos ocorridos no local; a qualidade artística; e os registros em aerofoto, de 1949, e no Levantamento Aerofotogramétrico da Cidade de Londrina, elaborado em janeiro de 1950.

Estudos de vários itens

A diretora do museu, Edmeia Ribeiro, explicou que para solicitar o tombamento histórico foram feitos estudos de vários itens para além do museu, como praças e outras estruturas.

“Tem uma questão interessante, que é o estudo feito para subsidiar a análise da comissão para o tombamento. O pedido de tombamento veio da Associação dos Amigos do Museu Histórico de Londrina e da própria direção do Museu Histórico. Nós mandamos esse pedido para a Diretoria de Patrimônio, e o estudo foi feito a partir de um projeto que era uma parceria entre o Museu Histórico e a Linha de Patrimônio", explica Ribeiro.

"Diversos itens foram enviados para a Diretoria de Patrimônio, diversos bens culturais. Para aprovar o tombamento é preciso ter um estudo muito bem circunstanciado, muito bem feito em relação àquele item para o qual está sendo requerido o ato”, acrescentou.

Reabertura em junho

Após passar por reforma e modernização da infraestrutura predial, de acordo com a diretora, o espaço deve ser reaberto ao público em 8 de junho. Na ocasião, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, deve fazer a entrega oficial do ato de tombamento municipal da edificação.

As obras tiveram início em 2024, com o objetivo principal de reforçar a infraestrutura elétrica interna e preparar o prédio para a futura instalação de sistemas de climatização adequados às exigências de conservação dos 1,3 milhões de itens que compõem o acervo da instituição.

(Com informações do N.Com)

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