Museu e Núcleo da UEL apostam na digitalização para tornar história acessível
Instituições que completaram 55 anos, na quinta-feira (18), trabalham para levar documentos, fotos e jornais à internet
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de setembro de 2025
Instituições que completaram 55 anos, na quinta-feira (18), trabalham para levar documentos, fotos e jornais à internet
Aline Machado Parodi - Especial para a FOLHA 

O Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss e o NDPH (Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica) acabam de completar 55 anos de fundação reafirmando seus papéis na preservação e divulgação da memória londrinense e da região. Os dois pertencem à UEL (Universidade Estadual de Londrina) e se o primeiro passou o dia do aniversário, 18 de setembro, fechado devido a uma reforma, o segundo realizou uma cerimônia com direito à reinauguração, agora com o nome de Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica Enezila de Lima.
A professora Enezila de Lima foi fundamental na reorganização do arquivo histórico dos anos 1980 e faleceu há três anos. Uma exposição com o rico acervo do NDPH também marca as comemorações de aniversário. A mostra está na Réplica da Primeira Igreja Matriz de Londrina, no campus da UEL, e fica aberta ao público até o dia 30 de setembro.
Exposição no museu
Uma exposição sobre a colonização da região de Londrina também está sendo preparada pela administração do Museu Histórico para marcar a sua reabertura após um ano em obras. A previsão do início da mostra itinerante é fevereiro de 2026 e vai contar os 100 anos da Companhia de Terras do Norte do Paraná.
Financiada pela Secretaria de Estado da Cultura, a exposição ocupará três vagões no pátio do museu, abordando passado, presente e futuro da cidade em uma experiência interativa que promete encantar visitantes de todas as idades.

“Ela [Companhia de Terras] preparou uma grande exposição que vai passar por vários lugares do Paraná. Essa itinerância da exposição começa em Londrina, aqui no museu, por isso espero, fortemente, que as obras terminem até dezembro”, disse Edméia Ribeiro, diretora do museu.
O museu ostenta hoje um acervo impressionante, com mais de 1,3 milhão de itens documentais. Segundo Ribeiro, é o maior do Paraná. Ao longo das últimas cinco décadas, esse órgão suplementar da UEL evoluiu de um espaço tradicional de exposições para um centro múltiplo, que une pesquisa, ensino, extensão universitária e ação cultural, aproximando a comunidade com a academia. “Aqui recebemos mais de 7 mil visitas por ano, com escolas que agendam monitorias, estagiários de diversas áreas do conhecimento, eventos culturais variados, como teatro, música, filmes, debates, feiras e até celebrações como casamentos”, ressalta.
Um dos mais visitados do Paraná
Segundo ela, o Museu Histórico de Londrina está entre os mais visitados do Paraná, atraindo turistas de mais de 30 países ao longo do ano. “O museu está diretamente ligado à identidade da população, oferecendo contato com a história da cidade em um prédio icônico que representa um símbolo da memória coletiva”, observa a diretora.

Fundado em 1970, o museu teve sua origem nos anos de 1960, quando professores e alunos do curso de história da antiga faculdade, que funcionava no Colégio Hugo Simas, no centro da cidade, começaram a reunir objetos e documentos históricos. A inauguração oficial ocorreu em 18 de setembro de 1970, no porão do Hugo Simas.
O museu permaneceu ali até 1986, quando foi transferido para o prédio da antiga Estação Ferroviária. Desde setembro de 2024, ele está fechado para obras de modernização da infraestrutura elétrica do prédio, que foi construído entre 1945 e 1950. “O que era suficiente para uma estação ferroviária daquela época não atende mais às demandas atuais do museu, que precisa de climatização, equipamentos modernos e suporte para eventos culturais”, explica Ribeiro.
A expectativa é que as obras internas sejam concluídas entre dezembro deste ano e janeiro ou fevereiro do ano que vem. Após essa etapa, a equipe planeja iniciar melhorias na parte externa do prédio. Mas para esta etapa o museu não ficará fechado.
De arquivo a um laboratório de pesquisa
O NDPH, que a partir de agora leva o nome da professora Enezila de Lima, surgiu originalmente como arquivo destinado a guardar documentos históricos escritos da região Norte do Paraná, mas ao longo do tempo evoluiu para um laboratório de pesquisa onde estudantes de história aprendem na prática a lidar com documentos e arquivos históricos.

Ele está instalado em um prédio de 400 metros quadrados, com um acervo em torno de 900 metros lineares de documentos escritos. São quase 45 mil fotografias (incluindo o acervo fotográfico do Jornal Folha de Londrina) e aproximadamente 500 depoimentos orais. Os documentos são organizados e catalogados cuidadosamente para garantir agilidade na recuperação da informação, dentro de uma política de aquisição de documentos que envolve avaliação por um conselho interno, para preservar a qualidade e relevância do acervo.
Entre os documentos preservados, destacam-se a biblioteca sobre o peronismo, arquivos da Associação Brasileira de Reforma Agrária, além de fundos especiais como o do ex-prefeito Milton Ribeiro de Menezes, que contém informações importantes da reforma urbana de Londrina. “A gente tem uma das maiores bibliotecas do Paraná”, afirmou José Miguel Arias Neto, diretor do Núcleo de Documentação Histórica.
Além do armazenamento de documentos, o Núcleo tem desenvolvido parcerias estratégicas para organizar e digitalizar acervos de instituições locais, como a cooperação com a Santa Casa de Londrina. O NDPH é responsável pela organização e digitalização de 15 mil fotografias históricas sob regime de comodato, garantindo a preservação e o acesso facilitado ao material.

Um dos maiores projetos do Núcleo prevê a criação de um portal de acervo histórico e cultural da UEL. O projeto de R$ 3 milhões financiado pela Finep envolve diversas áreas da universidade. “Esse é um projeto que demanda tempo. Vamos digitalizar tudo e colocar na internet. Estamos no processo de comprar o software”, disse o diretor. O portal será alimentado conforme o acervo for sendo digitalizado. A previsão de duração do projeto é de 36 meses.
Acervo da Folha de Londrina
Outro projeto do NDPH, em parceria com o Museu Histórico, é a digitalização do acervo do Jornal Folha de Londrina. “Nós ficamos com o arquivo físico. A gente digitaliza e o museu coloca na internet”, explicou Neto.
As edições da Folha de Londrina, entre 1952 e 1978, estão integralmente digitalizadas. “Conseguimos digitalizar seis anos de jornais por ano. Cada encadernação dos jornais antigos tem cerca de 900 páginas cada mês. A gente digitaliza uma média de 64.800 páginas no ano”, contou o diretor. Só de fotografia, ele acredita que o acervo da FOLHA tenha em torno de 20 mil fotografias.
O diretor explica que a digitalização do acervo da FOLHA também faz de um outro projeto em parceria com a Fundação Araucária e a Secretaria de Ciência e Tecnologia, o Napi (Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação) "Conectando Memória e Inovação”, que tem objetivo de digitalizar os acervos dos centros de documentação universitária do Paraná. “Um dos acervos que a gente vai digitalizar para o Napi são as fotos da Folha de Londrina”, disse Neto.


