'Assalto à Brasileira', agora em lançamento nacional
Filme que teve pré-estreia em Londrina, segue na programação trazendo personagerns e cenários da cidade a partir de uma história inesquecível
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de novembro de 2026
Filme que teve pré-estreia em Londrina, segue na programação trazendo personagerns e cenários da cidade a partir de uma história inesquecível
Carlos Eduardo Lourenço Jorge/ Especial para a FOLHA 

Apesar de sessões especiais em Londrina, o lançamento oficial do filme aqui na cidade (e por extensão no circuito nacional) ocorre nesta quinta-feira (5). Assim, o público local vai poder se reconhecer na telona como testemunha presencial - ou em carne e osso, valendo a redundância - de um espetáculo que no cinema oscila entre a tragicomédia ou dramédia ou chanchada circense, o thriller policial em sua variante assalto a banco, a aventura criminal com acenos ou apelos ao comentário social e o célebre “baseado em fatos reais” aqui ficcionalizado – e bordado com várias licenças poéticas.
Deixando de lado o processo preparatório, ou melhor, o lendário planejamento, que de fato não existiu, de qualquer grande roubo a banco que se preze, em ficção ou na realidade, o roteiro do veterano L. G. Bayão segue à risca o amadorismo absoluto do bando, conforme a fonte de que se serviu, isto é, o texto do livro-reportagem do escritor londrinense Domingos Pellegrini e vamos logo aos finalmente.
Foi assim, naquele 10 de dezembro de 1987, que ocorreu o mais estapafúrdio assalto a um banco brasileiro, vale dizer, ao Banco do Estado do Paraná, vulgo Banestado, quando o meliante Moreno e sua quadrilha realizaram o mais bizarro e implausível golpe criminoso que se tem notícia nesse país.
A dinâmica novela é aquela, mambembe e amplamente conhecida por todos: os assaltantes bem armados, os clientes do banco de repente feitos reféns, uma polícia inoperante porque despreparada e sem qualquer recurso de resistência, e um negociador improvisado mas habilidoso - o repórter policial Paulo Ubiratan, da Folha de Londrina - que se transforma em ponte ao buscar o entendimento entre as partes para evitar um dia de cão.
Esses elementos, em termos de construção de dramaturgia, constroem o tom de farsa que “Assalto à Brasileira” mantém enquanto filme.

UMA FATIA DE HUMANIDADE
Deliberada ou não, há uma recusa no filme de José Eduardo Belmonte em dar maior textura psicológica aos principais personagens envolvidos na trama. Eles não são desenvolvidos para além da caricatura ou do verniz de suas personalidades. Após apresentados ao espectador, são mais ou menos abandonados e ficam à deriva. O repórter Paulo vivido por Murilo Benício, o líder Moreno (Christian Malheiros) e o policial militar (Paulo Miklos) são premiados com uma fatia substancial de humanidade, ainda que ela se apoie mais no humor no que no absurdo da situação.
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O momento histórico, logo depois da ditadura militar nos anos 1960, 70 e meados de 80, ganha ecos com um meio discurso de protesto do líder Moreno. Tempos de inflação e descrédito da população. “Assalto à Brasileira” trava uma insana batalha consigo mesmo, passando dos risos iniciais ao drama meio tosco. Não chega a convencer, mas também não compromete: é filme com bom ritmo a que se assiste com prazer moderado e alguns sustos. Especialmente os londrinenses de outra geração, que em momentos se reconhecem na tela como personagens anônimos e reconhecem cenários urbanos onde se desenrola esta história.
* "Assalto à Brasileira" está em várias salas de Londrina, confira a programação de cinema no site da FOLHA.





