O Painel do Mapa das Empresas aponta um avanço de quase 20% na abertura de empresas de pequeno porte e de micro empresas, MEIs (Microempresas Individuais) e não MEIs, no Brasil entre 2024 e 2025. O painel é uma ferramenta digital do governo federal que reúne dados estatísticos sobre o registro e o movimento de empresas no país e a análise dos números pelo recorte de estados e municípios mostra que o Paraná e Londrina acompanharam essa expansão.

No mesmo período, o número de novos CNPJs referentes às duas categorias de empresas cresceu na mesma proporção no Estado e no município. No Paraná, o aumento foi de 17,8%, saltando de 295.794 cadastros em 2024 para 348.501 no ano seguinte, e em Londrina a alta foi de 18,2%, passando de 17.557 para 20.768. Neste ano, até o momento, o município contabiliza mais de 14,1 mil cadastros, entre micro e pequenos negócios.

O ranking dos municípios paranaenses coloca Londrina em destaque, na segunda colocação, abaixo apenas de Curitiba, que no ano passado registrou 81.909 novos CNPJs, elevação de 16,5% sobre 2024, quando foram registrados 70.305 novas micro e pequenas empresas.

Ganhos da formalização

Os dados apresentados pelo Painel do Mapa das Empresas vão ao encontro dos resultados revelados por uma edição especial da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e divulgada na última semana. Segundo o estudo, o Brasil atingiu, no ano passado, o maior percentual de empreendedores com CNPJ da série histórica, iniciada em 2012. A formalização chegou a 35%, o que corresponde a 10,7 milhões de trabalhadores no país. Em 2012, o índice de formalização apurado foi de 24%.

“Para o trabalhador por conta própria, a formalização traz possibilidades importantes. No caso do MEI, por exemplo, a contribuição previdenciária já está incluída na guia mensal, garantindo acesso a benefícios previdenciários. O CNPJ também permite emitir nota fiscal, acessar determinadas linhas de crédito e ampliar a possibilidade de prestar serviços para empresas e para o poder público”, ressaltou o secretário municipal do Trabalho, Emprego e Renda, Cristian Roberto Marcucci.

Um dos maiores ganhos com o aumento da formalização é a arrecadação tributária, mas outros setores também se beneficiam desse movimento, com a melhora de indicadores formais, como a geração de renda. Um efeito é redução do número de pessoas assistidas por benefícios sociais, salientou o secretário municipal da Fazenda, Éder Alexandre Pires.

O ritmo mais acelerado de abertura de empresas em Londrina, avaliou o secretário, é um reflexo da reestruturação do sistema de liberação de alvarás associada à regulamentação de leis que favoreceram a formalização das empresas no município e à automatização. “No início da nossa gestão (em janeiro de 2025), eram quase 5,3 mil processos. Fomos reduzindo, ao longo dos meses, e hoje, são cerca de 400 processos em andamento. O tempo médio de abertura de empresas em Londrina caiu de 13,3 horas, em 2024, para 3,3 horas, hoje.”

Pires afirmou não ser possível comparar a arrecadação tributária com a expansão da formalização das empresas, mas percebe um crescimento real, acima da inflação, no volume recolhido com a cobrança do ISS (Imposto Sobre Serviço).

Em 2025, o país tinha 103 milhões de pessoas ocupadas, sendo 30,6 milhões consideradas empreendedoras, o que inclui empregadores e trabalhadores por conta própria. Quase 20 milhões - 65% deles - não tinham CNPJ.

O IBGE classifica os empreendedores como empregadores ou trabalhadores por conta própria. Para o instituto, conta própria é a pessoa que trabalha explorando o próprio empreendimento. Já o empregador é quem trabalha explorando o próprio empreendimento, com pelo menos um funcionário contratado.

Entre os empregadores, 81,1% têm CNPJ. Desde 2019, esse nível fica em pelo menos 80%, comportamento que o IBGE classifica como "estável em patamar elevado". No grupo dos trabalhadores por conta própria, são 27,1%, o maior de toda a série histórica. Em 2012, eram 15%.

Imagem ilustrativa da imagem Londrina avança quase 20% na abertura de empresas
| Foto: Gerado por IA/Gemini

Nível de instrução

Apesar de alcançar nível recorde em 2025, o analista da Pnad Contínua, William Kratochwill, considera "baixo", o patamar, e o associa ao nível de instrução do trabalhador. "O trabalho por conta própria, na grande parcela dele, é realizado por pessoas com um nível de instrução mais baixo", disse.

A taxa de registro, destacou o analista do IBGE, está fortemente ligada ao nível de instrução. “Quanto mais instrução a pessoa tem, mais preparada ela está para o mercado."

Pela primeira vez na série histórica, mais da metade (50,8%) dos trabalhadores por conta própria com nível superior tinham registro formal. O grupo com ensino médio completo e superior incompleto também estava acima da média, somando 27,1%.

Trabalhadores por conta própria com ensino fundamental, completo e médio incompleto e os sem instrução e fundamental incompleto figuravam com os menores percentuais.

Para Kratochwill, o avanço do CNPJ entre os conta própria com maior instrução é impulsionado por programas governamentais de desburocratização e redução de custos, como o MEI (Microeemprendedor Individual). "É um programa que facilita o registro, facilita para a pessoa ter a sua empresa legalizada, registrada, que possa abrir uma conta no banco, realizar operações, receber formalmente via Pix ou boleto."

Quando se observa os agrupamentos de atividades, comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas apresentava taxa de formalização por CNPJ acima da média da economia, de 36,7%. Na sequência, aparecem serviços (33,5%), indústria geral (22,8%), construção (14,8%) e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (6,5%).

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Informalidade

Embora o número represente o maior patamar já registrado, a maioria expressiva desses trabalhadores ainda atua na informalidade. Entre as 103 milhões de pessoas ocupadas no ano passado, 30,6 milhões eram classificadas como empreendedoras, o que inclui empregadores e trabalhadores por conta própria. Desse total, quase 20 milhões, ou 65% deles, não tinham cadastro de pessoa jurídica, segundo o IBGE.

O estudo é feito desde 2012, com exceção de 2020 e 2021, por causa da pandemia de Covid-19, que inviabilizou a coleta de dados.

Marcucci salientou que o município de Londrina oferece apoio a quem busca a formalização ou o desenvolvimento do seu negócio, com orientação ao MEI, acesso a microcrédito e oportunidades de qualificação profissional. “A ideia é facilitar o acesso à informação, criando melhores condições para que esses empreendedores possam estruturar seus negócios e ampliar suas possibilidades de atuação no mercado”, disse o secretário. (Com Agência Brasil)

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