Inadimplência no Paraná cresce quase 5% em agosto, mas desacelera
Apesar da alta na comparação com agosto de 2025, em relação a julho, número de devedores no Estado recuou 1,52%
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Apesar da alta na comparação com agosto de 2025, em relação a julho, número de devedores no Estado recuou 1,52%

O número de consumidores inadimplentes no Paraná registrou um crescimento de 4,84% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar do avanço, o desempenho do Estado ficou abaixo da média de crescimento da Região Sul (8,32%) e do país (5,02%). Na passagem de julho para agosto, o resultado aponta para uma desaceleração, com recuo de 1,52% no total de devedores paranaenses.
Os dados, divulgados pela Faciap (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná), mostram que o perfil do devedor paranaense é concentrado na população adulta. A faixa etária de 30 a 39 anos representa a maior fatia dos negativados no Estado, respondendo por 26,11% do total, seguida de perto pelos consumidores de 40 a 49 anos (22,17%). Quanto ao gênero, o levantamento aponta equilíbrio: 50,51% dos inadimplentes são do sexo feminino e 49,49%, do sexo masculino.
O levantamento da Faciap também calculou o valor médio das dívidas dos paranaenses, de R$ 6.262,57 em agosto, considerando o somatório de todos os boletos em atraso. No entanto, grande parte dos débitos refere-se a valores mais baixos. Do total de endividados, 23,75% têm dívidas somadas de até R$ 500, enquanto 35,33% possuem pendências de até R$ 1 mil. O tempo médio de atraso das contas no Estado é de 30,3 meses, sendo que 34,37% dos consumidores permanecem com restrição no nome por um período entre um e três anos.
O setor financeiro é o principal gerador de pendências no Estado. Os bancos concentram 61,14% de todas as dívidas em atraso no Paraná e, segundo a Faciap, a maior parte dessas dívidas resultam do não pagamento de financiamentos de carros e casas e empréstimos pessoais. Na sequência aparecem o comércio (10,83%), o segmento de comunicação (8,32%) e as contas de água e luz (6,41%), enquanto a categoria "outros" responde por 13,31% dos débitos registrados.
Em agosto, cada consumidor negativado do Estado devia, em média, R$ 6.262,57 na soma de todas as contas em atraso. Os dados mostram também que 23,75% dos consumidores paranaenses tinham dívidas de valor de até R$ 500, percentual que chega a 35,33% quando se fala de dívidas de até R$ 1 mil.
O tempo médio de atraso dos devedores negativados no Estado é de 30,3 meses, sendo que 34,37% dos devedores possuem tempo de inadimplência maior, entre um e três anos.
Gerente de Negócios da Faciap, Raphael Siqueira observou que os levantamentos da inadimplência no Estado vêm apontando, mês a mês, um aumento no número de consumidores que quitam suas dívidas em até 90 dias. São débitos em valores mais baixos. “O índice de recuperação em até 30 dias é de quase 77%. Quando a gente traz para 90 dias, aumenta quase 80%.”
Para reduzir ainda mais a inadimplência no Estado, desde julho a Faciap desenvolve ações com os empresários paranaenses. Uma delas, é orientar os credores a enviarem mensagens informando os devedores sobre as pendências financeiras antes que ele seja negativado. “Hoje, dentro do Estado, tem um período de hibernação de 30 dias antes de o consumidor ser negativado. Nesse período, o empresário envia mensagens via WhatsApp, SMS ou e-mail ‘lembrando’ do atraso no pagamento. Essa relação ajudou a reduzir a inadimplência”, afirmou Siqueira.
Outra frente na qual a Faciap atua é na mudança da cultura empresarial. Muitos donos de negócios, especialmente os pequenos e médios, deixam de registrar o inadimplente na lista de maus pagadores por receio de perder clientes. “Estamos trabalhando para que o empresário entenda que registrar os devedores é uma forma de proteger não só o negócio dele, mas o de todos. Quando começa a criar as restrições, evita o mau pagador prejudicar o comércio como um todo, inclusive nacional e regional.”


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


