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Londrina

Cidades

m de leitura Atualizado em 03/03/2022, 13:37

Trabalhadores do transporte coletivo mantêm greve

Funcionários cobram pagamento imediato do PPR e do incremento no vale-alimentação; Justiça deu até 20 dias para que débito seja quitado

PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de março de 2022

Pedro Marconi - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Pedro Marconi - Grupo Folha
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Por ampla maioria, os trabalhadores do transporte coletivo em Londrina decidiram em assembleia, na manhã desta quinta-feira (3), manter a greve que foi desencadeada na última terça-feira (1º). No total foram 338 votos favoráveis pela continuidade da mobilização e apenas 74 queriam retornar ao trabalho. Foram dois votos em branco e um foi anulado.  

Votações aconteceram nas entradas das garagens da TCGL e da Londrisul Votações aconteceram nas entradas das garagens da TCGL e da Londrisul
Votações aconteceram nas entradas das garagens da TCGL e da Londrisul |  Foto: Pedro Marconi - Grupo Folha
 

As votações ocorreram em horários distintos e em frente às garagens da Londrisul e da TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina). Nas duas assembleias, o sindicato que representa a categoria explicou a decisão judicial de quarta-feira (2) e seus desdobramentos.

Em audiência conciliatória na Justiça do Trabalho, o juiz Carlos Augusto Penteado Conte determinou que a prefeitura repasse cerca de R$ 2 milhões para as empresas pagarem o PPR (Programa de Participação de Resultados) referente a 2021 e o incremento de R$ 300 no vale-alimentação. O valor terá que ser revertido às concessionárias em até 15 dias, que por sua vez precisam depositar para os trabalhadores em até cinco dias. 

O montante seria um adiantamento do reequilíbrio econômico-financeiro do ano passado, que ainda está em estudo por parte do poder público. No entanto, os funcionários entenderam que só devem voltar às funções quando o dinheiro estiver na conta e mostraram desconfiança com o real pagamento do que é devido até o final deste mês, recurso que já deveria ter sido acertado no dia 28 de fevereiro, o que não aconteceu. 

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“A determinação judicial é para o poder público repassar o dinheiro num prazo e depois as empresas repassarem o dinheiro para trabalhadores, mas está numa insegurança jurídica. O que precisamos é de racionalidade, responsabilidade das partes, principalmente do poder público e das empresas, de arrumar o dinheiro o mais breve possível. Não é muito dinheiro. Espero que a população e a sociedade organizada entendam. Se o dinheiro cair na conta agora, eles voltam a trabalhar daqui dez minutos”, frisou José Faleiros, presidente do Sinttrol (Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina). 

O sindicato deverá entrar com um pedido de liminar na Justiça cobrando o imediato pagamento dos valores. “Dissemos na audiência que a proposta (de pagar em até 20 dias) era muito ruim diante do cenário, tendo em vista o descontentamento da categoria. Dissemos que iria levar e falar sobre tudo, inclusive, sobre os riscos da paralisação da categoria de forma espontânea”, disse. A ata da reunião de terça não tratou de possíveis sanções para a entidade e os trabalhadores caso mantivessem a greve. 

Londrisul é responsável por 35% da frota e TCGL 65% Londrisul é responsável por 35% da frota e TCGL 65%
Londrisul é responsável por 35% da frota e TCGL 65% |  Foto: Whats FOLHA
  

IMPASSE 

O principal impasse envolvendo município e empresas está no reequilíbrio do prejuízo com o sistema ao longo de 2021. De acordo com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), TCGL e Londrisul pedem aproximadamente R$ 43,5 milhões de compensação. No ano passado a prefeitura deu R$ 21,8 milhões às concessionárias pelas perdas de 2020. 

O poder público municipal argumenta que ainda não finalizou as análises envolvendo o novo pedido e que a Transportes Coletivos Grande Londrina não teria entregue todos os documentos necessários. Na queda de braço, as empresas pregam que os pagamentos do PPR e ticket alimentação para os trabalhadores só são devidos a partir do momento em que o município repassar a indenização do último reequilíbrio contratual.  

“Há descumprimento do que foi combinado e acordado pelo poder público e também as empresas. Tiveram 75 dias, a partir da assembleia de 16 de dezembro de 2021, até 28 de fevereiro de 2022, para fazer estudos, cálculos, aditivo ao contrato, repasse e pagar os trabalhadores. Então, ao meu ver, faltou vontade das partes, principalmente das empresas", indicou Faleiros. 

ENVOLVIDOS 

Por meio da assessoria de comunicação, a CMTU informou que mantém a posição de quarta-feira, de que “vai cumprir, de maneira ágil, a decisão judicial para o pagamento dos benefícios". "Mais uma vez, ressaltamos que os salários e o vale-refeição da categoria estão em dia, inclusive, com os aumentos concedidos a partir de 1º de janeiro de 2022 (9% no salário, além do acréscimo de R$ 75,00 no ticket)", diz o comunicado.

A TCGL, por nota, garantiu que “toda documentação solicitada pela CMTU foi entregue dentro do prazo”. “Já a continuidade da paralisação é uma decisão dos motoristas tomada em assembleia organizada pelo sindicato”, ressaltou o texto. A Londrisul afirmou "que a grande maioria dos funcionários da empresa decidiu retornar ao trabalho na manhã desta quinta-feira, o que permitiu a normalização dos serviços com operação de 100% das linhas".

DISSIDENTES

Por volta das 11h, alguns ônibus que fazem as linhas de responsabilidade da Londrisul e da TCGL começaram a rodar e até foram para o Terminal Central. 
Alguns motoristas "furaram" a continuidade da greve e voltaram ao trabalho Alguns motoristas "furaram" a continuidade da greve e voltaram ao trabalho
Alguns motoristas "furaram" a continuidade da greve e voltaram ao trabalho |  Foto: Divulgação
  

Atualizada às 13h37

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