|
  • Bitcoin 120.942
  • Dólar 5,0849
  • Euro 5,2378
Londrina

Cidades

m de leitura Atualizado em 26/06/2022, 17:05

Pesquisadores da UEL investigam os impactos da pandemia na educação

Projeto tem a participação de representantes de outras universidades do País e tem foco em crianças de 0 a dez anos

PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de junho de 2022

Pedro Marconi - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Gustavo Carneiro
menu flutuante

O quanto a pandemia da Covid-19 impactou na educação brasileira? E no hábito de leitura das crianças a partir do que é fomentado na sala de aula? São esses e outros questionamentos relacionados ao tema que um grupo de pesquisa com representantes da UEL (Universidade Estadual de Londrina) tenta responder. Mais que isso, o objetivo é sugerir e agir para tentar reverter as perdas educacionais com os anos de ensino remoto em razão das medidas restritivas e de proteção. 

O projeto é um desdobramento de várias ações realizadas pelos grupos de pesquisas vinculados aos programas de pós-graduação em Educação da UEL e de outras cinco instituições estaduais e federais de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Alagoas e Maranhão. Aproximadamente 30 pesquisadores estão participando, entre docentes, alunos de mestrado e doutorado e egressos de iniciação científica. O grupo de pesquisa, em outro levantamento, constatou que o número de crianças de seis e sete anos que não sabem ler e escrever cresceu 66,3% entre 2019 e 2021. 

“A pandemia implicou de forma significativa a educação, e os professores tiveram que reinventar a prática pedagógica. Antes, a maioria não tinha domínio da tecnologia, mas tiveram que praticar e tentar, de alguma forma, dar continuidade ao processo de aprendizagem. A maioria dos professores que já identificamos não tinha formação para trabalhar com tecnologia, os alunos não tinham acesso adequado, não tinham computador e nem espaço para participar da aula”, analisa a professora Adriana Regina de Jesus, da UEL, que coordena o projeto. 

LEIA TAMBÉM:

Palavras que ‘andam’ e desenvolvem os estudantes de Londrina

 + Ensino bilíngue público em Ibiporã: inglês na ‘ponta da língua’

Educação por inteiro nas escolas municipais de Londrina

O foco da apuração são os alunos da chamada “escola da infância”, que abrange as crianças de zero a dez anos. “Os alunos dos anos iniciais e educação infantil aprendem a partir da interação. O ensino remoto não foi interessante para o processo de aprendizagem e deixou claro para todos que a educação a distância não funciona com alunos da escola da infância. Pode funcionar com adultos e quem tem autonomia do processo formativo”, destaca. 

RECURSO DA CAPES

Em abril, a pesquisa foi contemplada para receber recurso da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), do Ministério da Educação, no valor de R$ 100 mil. A ideia é buscar relatos de educadores em que ações de leitura deram certo durante a fase mais aguda da pandemia, os retrocessos e também as diretrizes implementadas na retomada das aulas presenciais. Cerca de 500 escolas do Brasil, incluindo de Londrina, deverão ser procuradas.  

Atualmente, o projeto está na fase de contato com as secretarias municipais de Educação dos municípios para autorização da sondagem com as unidades e professores. O cronograma estima que o mapeamento seja feito até o final deste ano. “Vamos utilizar questionários, formulários, catalogação de todos os trabalhos que foram realizados sobre leitura na pandemia e identificar o que estão praticando agora”, explica. 

FORMAÇÃO 

Depois desse mapeamento a proposta é iniciar um trabalho de formação continuada com os professores. "Precisamos trabalhar ao longo do tempo para tentar reverter as perdas. São dois anos que vão prejudicar a formação desses alunos. Fica clara a necessidade de o professor ter formação para trabalhar com leitura literária, por exemplo, porque é uma leitura importante e que a criança consegue ir se apropriando das outras áreas do conhecimento. Queremos contribuir no processo de alfabetização”, ressalta Adriana Regina de Jesus, que é doutora em Educação. 

****

Receba nossas notícias direto no seu celular! Envie também suas fotos para a seção 'A cidade fala'. Adicione o WhatsApp da FOLHA por meio do número (43) 99869-0068 ou pelo link wa.me/message/6WMTNSJARGMLL1