Peixes são encontrados mortos em lagos de Londrina
Vida aquática nos lagos Igapó 1 e Norte sofre com o baixo oxigênio dissolvido; Sema investiga possibilidade de lançamento de esgoto clandestino
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segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Vida aquática nos lagos Igapó 1 e Norte sofre com o baixo oxigênio dissolvido; Sema investiga possibilidade de lançamento de esgoto clandestino

Cardumes foram encontrados sem vida no Lago Igapó 1 (zona sul) e no Lago Norte (região norte) nas últimas semanas em Londrina, indicando possíveis novos despejos ilegais de esgoto na água. Técnicos da Sema (Secretaria Municipal do Ambiente de Londrina) coletaram amostras para atestar a carga orgânica poluidora, enviadas ao IAT (Instituto Água e Terra) para análise. A Secretaria promoveu uma vistoria no Lago Norte nesta segunda-feira (10) e fará o mesmo no Igapó 1 na terça (11), na tentativa de encontrar o ponto de lançamento de esgoto clandestino.
Gilmar Domingues, chefe da pasta, informou que a morte dos peixes é incomum nesta época do ano, visto que a recorrente precipitação das últimas semanas deveria ser o suficiente para o nível do oxigênio não baixar desta maneira. Assim, “tudo indica” para despejo ilegal de esgoto nos lagos novamente. “Nós temos uma quantidade abundante de água que tem precipitado na nossa região através das chuvas, mas mesmo assim, é um fator que nos deixa bastante preocupados, é bem complexa essa situação”, alertou.
“Ontem (domingo, 9) à noite recebi uma foto aqui na região do Lago Igapó 1 de peixes buscando ar na lâmina d'água. Isso é um indicativo de que o oxigênio dissolvido está baixíssimo. Não é normal, e a Sema vai continuar fiscalizando esses possíveis lançamentos dia a dia”, garantiu Domingues.

Análise físico-química
Um fiscal e um técnico do órgão estiveram no local na manhã desta segunda, mas não encontraram um novo cardume morto. Na última segunda (3), a Sema requereu ao IAT uma análise físico-química da água. Entre as medidas solicitadas, estão a DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) e DQO (Demanda Química de Oxigênio), para medir a carga orgânica poluidora, e o oxigênio dissolvido, “essencial à vida”, conforme Domingues.
A assessoria do IAT informou que o protocolo foi devolvido por falta da indicação de parâmetros para a análise, e que até a última quinta (6) de manhã, “não tinham apresentado novamente”. Já Domingues pontuou que “ainda não temos essas informações do IAT, mas caso tivéssemos registrado algum lançamento, esse lançamento cessou, porque não tivemos nova mortandade de peixes”.
A Sema se une a Sanepar nesta terça para uma nova vistoria em busca de possíveis fontes de despejo de esgoto clandestino. Em nota, a companhia relatou que segue atuando junto do órgão municipal “em processos de diagnóstico de danos ambientais causados supostamente por lançamento irregular de esgoto. O trabalho de vistorias conjuntas deve ser intensificado nesta semana para tentar identificar a origem do fato ocorrido no Lago 1”. Multas serão aplicadas aos responsáveis considerando os prejuízos ambientais causados.
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Não banhar ou comer
Não há previsão de chuva para as próximas semanas em Londrina, o que preocupa a Sema. “Com a diminuição da chuva nesse período onde naturalmente há uma escassez hídrica, diminui a lâmina d'água e isso pode ocasionar em uma diminuição da qualidade da água. Em contrapartida, infelizmente, o aumento de esgoto clandestino pode trazer a mortandade de peixes, por isso nós estamos monitorando diariamente”, disse Domingues.
O secretário não descarta o possível retorno das macrófitas, conhecidas como alfaces d’água, que encheram a superfície dos lagos Igapó em diferentes ocasiões desde o ano passado.
Há duas semanas, o órgão atestou a presença de um cardume morto no Lago Norte. Técnicos voltaram ao local nesta segunda, encontrando somente “muito” lixo e odor característico de esgoto, “mas nenhum ponto foi detectado até o presente momento”.
Domingues reforçou a importância de nenhum munícipe nadar nos corpos hídricos da cidade e, se pescarem, não devem comer os peixes. “Trata-se de uma água com qualidade questionável, é bem complicado, porque na medida em que as pessoas utilizam dessa água para se banhar e para se alimentar, não se sabe o nível de contaminante que se é digerido. Não é possível esse tipo de prática”, orientou.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.



