Início da construção de pontes no Igapó depende de licenciamento ambiental
As três passarelas estão danificadas e com madeiras soltas, com uma delas sem bloqueio à passagem de pedestres; investimento do Governo é de R$ 2,7 milhões
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de maio de 2026
As três passarelas estão danificadas e com madeiras soltas, com uma delas sem bloqueio à passagem de pedestres; investimento do Governo é de R$ 2,7 milhões

Nove meses após o anúncio da construção das novas passarelas do Lago Igapó 2, na zona sul de Londrina, o projeto ainda não saiu do papel, porém, ganhou novos desdobramentos. O Governo do Estado vai investir R$ 2,7 milhões na obra, que ainda não tem data marcada para começar. A Secretaria Municipal de Obras e Pavimentação aguarda liberações por parte do IAT (Instituto Água e Terra), como a concessão do direito de uso de recursos hídricos. O órgão informou que o município ainda não está apto a pleitear o licenciamento ambiental.
As três novas pontes serão construídas em concreto e aço, seguindo as normas de acessibilidade. Conforme a Secretaria de Obras, serão substitutas às “atuais feitas em madeira e que se encontram interditadas por riscos à segurança dos pedestres”. A nota completou dizendo que “o convênio com o Paranacidade, financiador das três passarelas do Lago Igapó 2, foi aprovado pelo órgão estadual e já está na Secretaria Municipal de Gestão Pública (SMGP) para análise jurídica e publicação da licitação”. O recurso totaliza R$ 2,7 milhões, provenientes do Governo do Paraná, via articulação com a Secretaria Estadual das Cidades.
A estimativa é que o edital para contratar uma empresa via licitação seja lançado entre o final deste mês e início de junho. A partir daí, está previsto que o serviço dure oito meses no total, sendo dois meses para o desenvolvimento dos projetos e mais um semestre para a execução da obra.

Licenciamento ambiental
O secretário de Obras, Otavio Gomes, relatou que os recursos já estão garantidos, com a pasta aguardando a concessão de licenças por parte do IAT, visto que o local se trata de um corpo hídrico. “O IAT nos pediu um inventário local para poder fazer a implantação [das pontes]. As obras vão revitalizar 100% daquelas passarelas, elas não vão mais ser de madeira, o que causa bastante manutenção. Vão ser com estrutura de fundação de concreto e vão durar dezenas de anos, então, baseado nisso, a gente precisa da liberação do IAT. Já está tudo pronto, estamos aguardando a liberação”.
A pasta informou que o ato administrativo aguardado concede o direito de uso de recursos hídricos, seja para regularizar captações e barramentos ou realizar intervenções, como a construção das passarelas. Em nota, o IAT disse que orientou a Prefeitura a buscar, inicialmente, as outorgas necessárias para a obra, já que se trata de uma nova construção, mesmo que em substituição à intervenção existente. “Somente após essa etapa, o município estará apto a requerer o licenciamento ambiental”, antecipou.
Gomes reforçou ainda que as obras foram projetadas com foco na acessibilidade para pessoas que utilizam cadeiras de rodas ou têm dificuldade de locomoção, que não conseguem chegar até os pontos.
Estruturas danificadas
A ponte maior, que fica paralela à Rua Joaquim de Matos Barreto, próxima ao posto da Guarda Municipal, tem o acesso a pedestres bloqueado há mais de dois anos, quando engenheiros da pasta já elaboravam projetos para a construção de novas passarelas metálicas. A situação vem piorando cada vez mais, sendo que boa parte da estrutura despencou, com o tablado pendurado ou no chão.

As demais passarelas foram interditadas pela Defesa Civil Municipal em março de 2025. Estão próximas às rotatórias da Avenida Ayrton Senna, uma de cada lado da pista de passeio. A localizada na Rua Bento Munhoz da Rocha Neto, conhecida como ponte dos guarda-chuvas, apresenta desnível ao longo de seu comprimento, com madeiras descoladas. O mesmo se repete na estrutura da Rua Joaquim de Matos Barreto, porém, não há madeiras ou fitas impedindo a passagem de transeuntes.

Reformulação das comportas
Quando o secretário das Cidades do Paraná, Guto Silva, anunciou o investimento da construção das passarelas em agosto do ano passado, junto do prefeito Tiago Amaral (PSD), também divulgou que o Governo do Estado irá investir R$ 1 milhão na modernização da estrutura da comporta do Lago Igapó 2. O cartão-postal apresentou uma série de vazamentos em diferentes meses de 2025, sendo que, em fevereiro, o prefeito Tiago Amaral decretou situação de emergência para tentar acelerar a solução do problema.
A Prefeitura recebeu o projeto de reformulação em agosto, de autoria do engenheiro civil Carlos José da Costa Branco. A Secretaria de Obras informou que a equipe técnica da pasta fez algumas considerações sobre a solução adotada, promovendo uma revisão, e que ela está apta a ser executada. Paralelamente, foi feita a batimetria dos lagos, uma vistoria técnica nas barragens, e foi elaborado um plano de gerenciamento dessas estruturas.
A Prefeitura iniciou o processo de licitação, visto que recebeu o recurso de R$1,3 milhão recentemente. A estimativa é de que a obra dure sete meses, a partir da assinatura da ordem de serviço. A Secretaria ressaltou que o Lago Igapó 2 encontra-se "estabilizado e com uma comporta operante, caso haja necessidade de usá-la".

Atualizado 12h49


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


