O pão "completa hoje" 14,4 mil anos de seus primeiros registros e continua imbatível na preferência mundial. Alimento que vai além da nutrição é a receita ancestral de nossos antepassados que atravessou o tempo, civilizações, religiões, guerras e continentes. Não é possivel datar seu surgimento porém, o dia 16 de outubro foi escolhido pela União Internacional dos Padeiros e Confeiteiros (UIBC), nos anos 2000, como a data de celebrar Dia Mundial do Pão.

Focaccia italiana com abobrinhas e tomates.
Focaccia italiana com abobrinhas e tomates. | Foto: João Guilherme França da Silva

E nesse dia especial a FOLHA foi aprender a fazer pães com sentimento. Na cozinha da chef londrinense Beatriz Parra Diehl não falta amor, casada e com dois filhos ela transporta para a massa todo o afeto familiar. "Eu amo fazer qualquer tipo de técnica de pão. Celebro esse alimento todos os dias em casa e no meu trabalho, faz parte da minha vida," conta com emoção quem leva a panificação como propósito. "Essa data é importante porque nos dá a oportunidade de apresentar a história e a diversidade desse alimento sagrado."

Chef Bia ou Pães da Bia como é conhecida nas redes sociais ou em feiras veganas fala do pão como quem fala de um filho que muito sente amor, defende o equilíbrio e rejeita mitos dietéticos. "Não deixem de comer pão. Ele não é o vilão de sua dieta ou do estilo de vida natural. Procurem padeiros artesanais ou padarias que prezam por uma produção sem conservantes e melhoradores de Massa. A diferença está nos ingredientes e no respeito ao processo."

Todas as formas e sabores.
Todas as formas e sabores. | Foto: João Guilherme França da Silva

A necessidade se transformou em amor

A relação de Bia com a panificação não começou em uma sala de gastronomia , essa relação é antiga. A história dela mistura coragem com adaptação. "Eu troquei restaurante dos meus pais , onde trabalhei por 13 anos. Em 2019 , eu e meu marido Kahuã estávamos vivendo de freelances. Fazer pão era só um hobby de fim de semana. Mas com a pandemia, que paralisou o mundo , esse hobby virou nossa fonte de renda." relembra.

O que um dia foi um improviso agora é a marca registrada entre os londrinenses, O pão caseirinho da vovó foi e ainda é o que mais conquista os corações, depois vieram ás técnicas. produções durante as madrugadas e dessas noites sem dormir nasceu o amor por esse alimento, com filas de clientes para encomendas, eventos, festas, coffe-break e até mesmo churrasco, Bia segue a todo vapor"

Pão italiano ciabattas.
Pão italiano ciabattas. | Foto: João Guilherme França da Silva

Sabores milenares


Atualmente a diversidade de produção desse alimento na cozinha da chef , mostra como esse alimento é amplo desde tempo de cocção a formas de preparação como assado ou até mesmo no vapor, Bia viaja o nosso globo , trazendo ás técnicas da França com suas produções de brioches, croissant, e da Itália ela produz deliciosas ciabattas aeradas e focaccias, chef não esquece das técnicas do Brasil , temos o afetuoso pão de milho e o aroma doce das fatias húngaras. 

Em especial, com formato de rosas temos a rosetta da Bia com goiabada cascão, um trabalho minuciosamente manual produção é delicada. A rosetta abraça você a cada mordida. "Quanto menor a industrialização, melhor" disse Parra.

Bia conta que para ela o pão que foi mais desafiador " Originalmente Alemão chamado pumpernickel feito de centeio e cozido lentamente por aproximadamente 14 horas em banho-maria."

Como conselho Chef ressalta "As pessoas precisam entender o pão é mais que um alimento. cada receita carrega uma história ou representa uma cultura, não é apenas a versatilidade gastronômica."

A diversidade desse alimento.
A diversidade desse alimento. | Foto: João Guilherme França da Silva

Chega de inovar

Com tantas modificações Parra "Uma vez que o trigo foi totalmente modificado eu não julgo as pessoas que buscam alternativas mais saudáveis, com toda sinceridade a humanidade não precisa inovar na produção do pão, precisamos recuar, voltar para as nossas origens."

"Você já leu o rótulo de um pão de prateleira, de super mercado? indaga Diehl , tem no mínimo oito ingredientes exclusivamente para a conservação, esses pães costumam durar 30 dias. O pão artesanal simples é feito apenas com farinha, água, sal e leveduras, e o seu prazo é de no máximo cinco dias, é nítida a diferença sobre qualidade do pão."

Quando a chef fala sobre a panificação é de admirar tanta paixão, preocupação com a qualidade e que todos tenha a oportunidade desse alimento. "Minha linha de frente é vegana por isso adaptei a receita, a minha produção não vai ovos, ou manteiga, a menos que os clientes solicitem."

Rosca doce de coco com leite condensado.
Rosca doce de coco com leite condensado. | Foto: João Guilherme França da Silva

Carinho em seus olhos bia emociona "Essa é a minha profissão, não envolve somente parte do sustento da minha família, a panificação artesanal é uma paixão na minha vida e é por isso que eu faço questão de passar os meus conhecimentos para outras pessoas e incentiva-las a fazer pão em suas casas e assim aproximar mais as nossas famílias e amigos."

Com muito tato aos leigos dessa arte milenar Parra explica que "a longa fermentação oferece benefícios como a melhor digestão, sabor mais completo e textura aprimorada, o pão fica mais macio por dentro e crocante por fora e também ajuda a reduzir o índice glicêmico."

SERVIÇO

Para encomendar essas delicias com afeto da chef o telefone celular (43) 99131-9923
ou em sua rede social no instagram Pães.da.bia Chef Beatriz Diehl.

RECEITA

E nessa data tão especial , vamos se aventurar na cozinha , pois a chef nos presenteou, caro leitor com a receita do pão que mais faz sucesso entre seus clientes.

A diversidade desse alimento.
A diversidade desse alimento. | Foto: João Guilherme França da Silva

O Pão Caseiro da vovó

Ingredientes

Para a esponja*

10 g de fermento biológico seco (1 pacotinho)

1 colheres de sopa de farinha de trigo

5 colheres de sopa de água

Para a massa

*Esponja é um tipo de pré fermentação (preparada acima)

45 g de açúcar (3 colheres de sopa)

2,5 g de sal (½ colher de chá)

15 g de manteiga (1 colher de sopa)

200 ml de água (1 xícara)

360 g de farinha de trigo (3 xícaras)

Modo de Preparo

1. Prepare a esponja

Em uma tigela, misture o fermento, a farinha e a água até formar uma pastinha.

Cubra e deixe descansar por 15 minutos. Vai formar bolhas — isso é normal e indica que o fermento está ativo.

2. Prepare a massa

Em uma tigela grande, coloque a esponja e junte o açúcar, o sal, a manteiga, a água e a farinha de trigo.

Misture bem até a massa desgrudar das mãos.

Transfira para uma bancada e sove por cerca de 10 minutos, até a massa ficar lisa e elástica.

Coloque a massa de volta na tigela, cubra e deixe descansar até dobrar de volume (cerca de 1 hora, dependendo da temperatura).

3. Modelagem

Depois do crescimento, abra a massa com um rolo formando um retângulo.

Enrole como um rocambole para modelar o pão.

Coloque em uma forma untada e deixe descansar novamente até dobrar de volume.

4. Assar

Pré-aqueça o forno a 180 °C.

Asse por 35 minutos, ou até o pão ficar dourado.

Retire do forno, aguarde alguns minutos e desenforme.

Bom apetite.


Coordenação de Patrícia Maria Alves (editora)

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