Setor de eventos quer crescer ainda mais após 2025 positivo
Recorde na ExpoLondrina, mais de 100 mil nos estádios, e cinco períodos de lotação máximas em hotéis marcaram o ano
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
Recorde na ExpoLondrina, mais de 100 mil nos estádios, e cinco períodos de lotação máximas em hotéis marcaram o ano

No ano em que completa 91 anos, Londrina mostrou que voltou a estar preparada para receber eventos de grande porte, culturais, esportivos ou corporativos, e comprovou, na prática, a força que essas programações têm para impulsionar a economia local. A avaliação é de organizadores e gestores envolvidos em ações que lotaram parques, centros de eventos, autódromo, estádios e ginásio ao longo de 2025.
“Este ano foi uma mensuração importante em relação aos anteriores e apresentou resultados bastante positivos. Tivemos diferentes tipos de eventos, culturais, esportivos, corporativos e gastronômicos, que vão desde festivais até competições esportivas e encontros empresariais. Ao longo dos meses, todos contribuíram para movimentar a cidade”, afirma Hérika Galli, diretora de Turismo da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina).
LEIA AQUI O CADERNO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO
- Sobe, cresce, brota e floresce: como uma cidade dinâmica move seus limites
- Crise do café impulsionou a criação de novos polos econômicos
- Londrina tem ambiente favorável à formação de startups
- No centro de Londrina, profissões resistem ao tempo
- Agro 4.0 pode transformar Londrina em capital nacional do setor
- Setor de eventos quer crescer ainda mais após 2025 positivo
- O papel decisivo das universidades na Londrina que cresce e inova
Hotéis lotados e dinheiro novo circulando
Em cinco momentos do ano, a rede hoteleira atingiu 100% de ocupação, sempre em finais de semana com grandes shows combinados a eventos esportivos. O dado ilustra o efeito imediato no setor de hospedagem. Segundo o Ministério do Turismo, um visitante que vem à cidade para participar de eventos gasta, em média, R$ 350 por dia. Com 8 mil leitos existentes, um dia de lotação total representa R$ 2,8 milhões injetados diretamente na economia local.
“Quanto mais eventos trazemos, mais comércio, serviços e toda a cadeia produtiva crescem junto”, projeta Hérika.
O presidente do Londrina Convention & Visitors Bureau, Fernando Teixeira, reforça que o impacto é ainda maior quando se considera a hospedagem por plataformas digitais. O Airbnb calcula que, para cada 10 dólares gastos com aluguel do imóvel, 50 dólares são consumidos no entorno, em alimentação, transporte e lazer.
“É dinheiro novo girando no comércio regional. Em uma cidade do porte de Londrina, se houver um total de R$ 1 milhão em hospedagem por dia, e acredito que seja até mais, o impacto indireto chega a R$ 5 milhões. É um potencial muito amplo”, afirma Teixeira.
Parcerias fortalecem o turismo e ampliam o calendário
O Convention destacou a parceria firmada com a Sociedade Rural do Paraná, que passou a abrigar a sede da entidade. O movimento aproxima o setor de eventos do principal parque de exposições da região, que também recebeu a Abrasel e reforçou sua importância para o turismo local.
A ExpoLondrina manteve posição de destaque no calendário e chegou à maior edição da história. Entre 4 e 13 de abril, o parque Ney Braga recebeu 590 mil visitantes, aumento de 30% em relação ao ano anterior. A movimentação econômica foi expressiva: R$ 1,7 bilhão, superando 2024 em R$ 400 milhões.
A força do esporte: estádios cheios e calendário aquecido
O esporte também ganhou protagonismo. Com a volta do Londrina ao estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), somada às partidas do Campeonato Paranaense e da Série C, ainda com alguns jogos no estádio do Café, os duelos do Tubarão levaram mais de 106 mil pessoas aos estádios ao longo da temporada.
O primeiro ano completo da Squadra Sports como SAF do clube reacendeu o interesse do torcedor. “Foi um ano vitorioso para o clube e para a cidade. Foram R$ 5,5 milhões investidos no VGD, que ficou dez anos parado. Nossa obrigação era investir R$ 11 milhões em seis anos, mas já fizemos metade disso em um ano e meio”, destaca Guilherme Bellintani, proprietário da SAF.
A expectativa é que, em 2026, na Série B, a média de público, que foi de 5.800 torcedores na Série C, cresça ainda mais, impulsionada por adversários de grande apelo, como Sport, Fortaleza, Ceará, Goiás, entre outros.
O calendário esportivo também foi reforçado fora do futebol. A retomada do Moringão com jogos da Superliga B de vôlei feminino atraiu médias próximas de 2 mil torcedores. Já a Taça Brasil de Vôlei trouxe Flamengo, Minas, Sancor Maringá e Londrina Vôlei para três dias de ginásio cheio, aquecimento para a Copa Brasil de Vôlei, que terá semifinais e finais no ginásio em fevereiro (feminino) e março (masculino) de 2026.

“Tivemos ótima repercussão com a Taça Brasil. Recebemos Flamengo, Minas, atletas como Thaísa, Duda e Helena. O Moringão ficou cheio. Já instalamos o piso especial e toda estrutura necessária para a Copa Brasil”, afirma Felipe Prochet, presidente da Fundação de Esportes de Londrina (FEL).
Autódromo modernizado e impacto milionário
O automobilismo, tradicional na cidade, também foi destaque. Foram duas provas da Copa Truck e uma da Fórmula Truck. Embora 2026 tenha redução estratégica no número de provas por conta do início das obras de modernização do autódromo internacional Ayrton Senna, inaugurado em 1992 e nunca reformado, o setor celebra o investimento de R$ 29 milhões, feito pelo governo do Estado.
A FEL mira o retorno da Stock Car, principal categoria do país. “Um evento da Stock Car pode deixar mais de R$ 30 milhões no município. Essa conta precisa ser considerada”, explica Prochet.
Além das etapas dat Truck, Londrina viu a volta de provas da Nascar e também de motociclismo, após quase dez anos. No Moringão, voltou a receber um evento dos Harlem Globetrotters. “Como este foi o primeiro ano dessa retomada, a tendência é ampliar ainda mais”, aponta o dirigente.
Calendário unificado
Para que o crescimento seja contínuo, entidades defendem a unificação do calendário municipal de eventos e maior alinhamento entre poder público e iniciativa privada.
“Fizemos parceria com o Visite Londrina justamente para que as informações cheguem de forma ampla aos setores esportivo, agro e econômico. As pessoas precisam saber que há um calendário oficial no site visitelondrina.com.br, que permite mensurar o volume de eventos”, diz Hérika Galli.
Teixeira reforça o alinhamento: “Hoje conseguimos fazer essa interlocução entre poder público e iniciativa privada. Essa sempre foi a maior dificuldade. Agora estamos conseguindo sanar, ainda que lentamente.”
Tubarão como protagonista
O Londrina Esporte Clube volta a ser peça central na economia do entretenimento local para 2026. Mas Bellintani aponta que um avanço ainda precisa ocorrer para que o clube alcance seu potencial máximo: o empresariado local se engajar mais.

“Somos gratos aos patrocinadores que apostaram no começo, mas precisamos de um salto maior. A Série B exige mais investimentos. O meio empresarial da cidade precisa dar um novo salto de confiança no projeto. Todo clube de cidade média depende desse apoio para se desenvolver”, analisa.


Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.


