Impulsionada por um ecossistema integrado por universidades, pesquisa e investimento, Londrina se consolida como um dos principais polos de tecnologia do Brasil. A partir de um movimento iniciado ainda na década de 1980, a cidade firma sua posição como um importante hub tecnológico que funciona como um celeiro de startups. Essas empresas, surgidas de ideias inovadoras, atuam no desenvolvimento de soluções de ponta que otimizam a produtividade da região, exportam know-how e talentos e projetam o nome da cidade no cenário global da tecnologia e da inovação.

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  1. Sobe, cresce, brota e floresce: como uma cidade dinâmica move seus limites
  2. Crise do café impulsionou a criação de novos polos econômicos
  3. Londrina tem ambiente favorável à formação de startups
  4. No centro de Londrina, profissões resistem ao tempo
  5. Agro 4.0 pode transformar Londrina em capital nacional do setor
  6. Setor de eventos quer crescer ainda mais após 2025 positivo
  7. O papel decisivo das universidades na Londrina que cresce e inova

Da saúde digital e fintechs à expertise em AgTechs, voltadas ao agronegócio, as startups pé vermelho têm contribuído para redefinir o perfil econômico da cidade. O Sebrae Paraná contabiliza 238 startups formalizadas em Londrina e região, com CNPJ ativo, faturamento e clientela formada.

A explosão dessas empresas em Londrina não aconteceu da noite para o dia, como faz questão de ressaltar o presidente da Estação 43, Lucio Kamiji. Em 1989, quando Londrina ainda lamentava as perdas na cultura cafeeira após a geada negra de 1975, um grupo de professores universitários, provocado pelo fundador da Folha de Londrina, o jornalista João Milanez, começou a discutir um projeto que tinha como objetivo mudar o perfil econômico do município. Milanez já vislumbrava o potencial da cidade na área de tecnologia.

O primeiro passo foi a criação da Adetec (Associação de Desenvolvimento Tecnológico de Londrina), em 1993. A entidade é apontada por Kamiji como o início das governanças. Hoje, a cidade reúne 12 delas, todas sob o guarda-chuva da Estação 43, o ecossistema de inovação londrinense. Esse ecossistema nasceu antes de 2017, mas há oito anos, quando o Núcleo de Desenvolvimento Empresarial de Londrina e o Sebrae Paraná contrataram a Fundação CERTI para estudá-lo, começou a ser observada uma grande expansão. A partir desse estudo foi criada uma metodologia de monitoramento com indicadores padrão. “Foi uma metodologia criada em Londrina e que avançou pelo Brasil. Hoje, temos, via Sebrae nacional, 243 ecossistemas de inovação sendo monitorados”, ressaltou Kamiji.

Hackathons e a formação de novas startups

A consultora do Sebrae PR, Danubia Milani, atribui a expansão das startups em Londrina à multiplicação dos hackathons, as maratonas de inovação promovidas para estimular a criação de soluções na área de tecnologia. “Só neste ano, em Londrina, foram realizados 14 hackathons. Disso, a gente começa a estimular a cultura empreendedora para que possam desenvolver e estimular a criação de uma startup.”

Após os hackathons, as ideias são amadurecidas em canais como o Programa Acelera Startup, do Sebrae. A ideia sai do hackathon e entra em uma esteira de oito a nove horas de imersão, onde é melhorada, última etapa antes da aceleração. “É um ‘banho de loja’. Sai do hackathon, vai para o Sebrae. Com o programa de aceleração, a ideia é reduzir bastante a taxa de mortalidade das empresas”, disse Milani. Todas as 238 startups ativas computadas pelo Sebrae na região de Londrina passaram por esse processo.

“De 2023 para 2024, a gente começou a criar um cenário favorável para isso e houve um crescimento dos hubs, os ambientes de inovação. Há um trabalho muito forte na nossa região para estimular que tenhamos a presença das universidades e setores fortes, como TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), construção civil, eletrometalmecânico, saúde, agro”, afirmou Milani, que lista os hubs de inovação, as universidades, os centros de pesquisa, as políticas públicas desse setor e os polos tecnológicos como fundamentais para criar em Londrina um ambiente favorável ao nascimento e desenvolvimento de startups.

Exemplos que mostram a força do ecossistema

A Dioxd, Tratamento de Sementes, é uma das 238 startups locais. A empresa que começou como um projeto de pesquisa do ensino fundamental 2 do hoje CEO, João Américo Macori Barbosa, surgiu no hackathon Smart Agro, promovido pela Sociedade Rural do Paraná durante a ExpoLondrina, “entre 2018 e 2019”. Foi na maratona que o estudo começou a deixar de ser projeto científico para virar uma empresa rentável cujo faturamento quase dobra a cada ano.

A tecnologia ofertada pela Dioxd para aumento da produtividade de soja, feijão, milho e algodão foi levada para Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, para conquistar clientes, abrir mercados e captar investimentos para a expansão comercial da startup. Depois de dois anos, com os objetivos alcançados, a empresa estabeleceu-se em Londrina, mas tem clientes em várias partes do Brasil e do Paraguai e se prepara para ingressar no mercado norte-americano. “A gente tem interesse em vender a startup. Estamos nos aproximando de grandes players e investidores. Temos chamado a atenção de grandes empresas e um grande potencial de crescimento, tem muito mercado ainda para crescer”, disse o CEO.

Do Smart Agro, Barbosa passou pela aceleradora GO SRP, onde recebeu mentorias e treinamento para a criação da startup, antes de seguir para o Cocriagro, o hub de inovação, que conecta a nova startup ao mercado. “Londrina tem uma capacidade grande de desenvolver e promover startups do agronegócio porque nós temos uma grande massa de conhecimento. Temos cinco universidades com cursos ligados ao agro na cidade. Somando todos os cursos, desde o ensino médio até a graduação e pós-graduação, são quase cinco mil alunos, o que dá um suporte de conhecimento muito grande para novos negócios”, destacou a diretora de Inovação da SRP e responsável pelo SRP Valley, Cocriagro e Go SRP, Tatiana Fiuza.

Em uma segunda frente, lembrou a diretora de Inovação, há os institutos de pesquisa e completa o ambiente favorável ao surgimento de startups a grande diversidade de cultura, como grãos, cítricos, hortaliças e a pecuária de leite e de corte. “Essa diversidade possibilita ampliar o desenvolvimento da nova geração de novas startups, além da organização do ecossistema de inovação”, ressaltou Fiuza.

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