Inovações como a IoT (Internet das Coisas), os Big Data, a IA (Inteligência Artificial) e o aprendizado de máquina permitiram que a produção agrícola no país evoluísse da agricultura de precisão para um novo estágio, a Agricultura 4.0. A tendência, que começou há cerca de dez anos com a integração e a implementação de serviços e tecnologias de ponta, levou para o campo drones, sensores e outros dispositivos, formando uma rede inteligente e conectada. Mais do que modernizar o sistema de produção, houve a otimização da infraestrutura do agro e foi criado um ambiente fértil para o desenvolvimento de toda uma cadeia alicerçada no avanço tecnológico.

Como resultados dessa transformação do setor vieram o aumento da produtividade e da eficiência, a redução de custos operacionais, o crescimento das exportações, a criação de um ecossistema de inovação e uma maior sustentabilidade e gestão de riscos, com o uso mais racional de recursos e tomada de decisões mais assertivas. O Paraná, que tem cerca de 30% de sua economia baseada no agronegócio, investe fortemente na digitalização do campo e se consolida como um dos principais hubs nacionais de Agrotechs, as startups especializadas em desenvolver soluções inovadoras para o setor.

LEIA AQUI O CADERNO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO

  1. Sobe, cresce, brota e floresce: como uma cidade dinâmica move seus limites
  2. Crise do café impulsionou a criação de novos polos econômicos
  3. Londrina tem ambiente favorável à formação de startups
  4. No centro de Londrina, profissões resistem ao tempo
  5. Agro 4.0 pode transformar Londrina em capital nacional do setor
  6. Setor de eventos quer crescer ainda mais após 2025 positivo
  7. O papel decisivo das universidades na Londrina que cresce e inova

No Estado, a região de Londrina tem papel fundamental na expansão do Agronegócio 4.0. Coordenado pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), um estudo realizado pela Agro Valley, o ecossistema de inovação do setor do agronegócio na Região Norte, apresenta um panorama da relevância dessa atividade para a economia paranaense. Na área de abrangência do estudo, da qual fazem parte 31 municípios, são mais de 35 mil trabalhadores formais e cerca de quatro mil estabelecimentos ativos. Entre 2022 e 2023, a região gerou mais de 8,6 mil postos de trabalho.

Quando se olha para as exportações, os números deixam claro a importância do setor para a região de Londrina. Em 2023, o volume exportado foi de US$ 2,4 bilhões - 61% acima do resultado de 2022. Em termos percentuais, apontou o estudo, as exportações da Agro Valley representaram 10% de todo o Paraná no período analisado. China, Irã, Estados Unidos, Argélia e Coreia do Sul foram os principais mercados.

A arrecadação de impostos do agro da região foi de R$ 880 milhões de tributos federais e um total anual médio de R$ 300 milhões em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

“Nos últimos anos, o campo passou por uma mudança enorme com o chamado Agronegócio 4.0. Hoje, a produção usa sensores, sistemas de monitoramento, Inteligência Artificial, drones e várias ferramentas digitais que ajudam o produtor a tomar decisões mais rápidas e certeiras. A agricultura de precisão aumentou a produtividade e reforçou o compromisso com o uso eficiente dos recursos”, avaliou o presidente da SRP (Sociedade Rural do Paraná), Marcelo Janene El-Kadre.

A digitalização do campo, destacou o presidente da SRP, coloca a cidade na linha de frente da inovação no setor e prepara os produtores locais para um mercado cada vez mais moderno e competitivo.

Economista e professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), José Luís Dalto ressaltou a atuação das instituições de ensino na expansão do agronegócio no Norte paranaense. Londrina e região contam com uma rede de universidades e institutos de tecnologia que fornecem conhecimento e capital humano com potencial suficiente para elevar Londrina ao posto de “capital tecnológica do agro brasileiro”, vislumbrou. “Desde o início dos anos 2000, tivemos um movimento de novas universidades e aprofundamento dos cursos de engenharia e tecnologia. A UTFPR é fruto disso e as escolas técnicas, como o Senai, têm importância imensa no ecossistema tecnológico, até chegar no hub de IA em Londrina.”

Especificamente no agronegócio, todo o conhecimento produzido nas universidades e centros técnicos do município e região colaboraram para tornar o setor mais sustentável e se Londrina souber aproveitar, afirmou Dalto, o impulsionamento pode ser ainda mais rápido e eficiente.

O professor aponta ainda a organização do ecossistema de inovação que viabilizou o trabalho integrado dos diversos atores, como Cocriagro, Smart Farm e SRP Valley. “Estavam todos desconexos, separados e sem sentido. Hoje, conversam entre si. Um entende o outro e isso os fortalece.”

Se a mecanização e o melhoramento genético elevou a produtividade no campo nos anos de 1970, o avanço tecnológico deverá propiciar um novo salto, com a oferta de um leque maior de produtos e a diversificação de mercados. “O Agronegócio 4.0 não reflete somente na produtividade. Há um crescimento dos modelos de negócios e novos produtos”, disse Dalto.

Olhando para frente, a partir das possibilidades que se desenham com o avanço da tecnologia a serviço do agronegócio, El-Kadre afirma que a tendência é o fortalecimento da integração entre inovação e desenvolvimento. “A chegada de startups, o avanço do agro digital e o fortalecimento das cadeias produtivas devem consolidar a cidade como referência em soluções tecnológicas voltadas ao campo. Com uma base econômica sólida e um cenário que incentiva novos negócios, o município segue preparado para continuar crescendo e inspirando as próximas gerações.”

mockup