Agro 4.0 pode transformar Londrina em capital nacional do setor
Produção de conhecimento, capital humano e avanço tecnológico propiciam a expansão do agronegócio no Norte paranaense
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
Produção de conhecimento, capital humano e avanço tecnológico propiciam a expansão do agronegócio no Norte paranaense

Inovações como a IoT (Internet das Coisas), os Big Data, a IA (Inteligência Artificial) e o aprendizado de máquina permitiram que a produção agrícola no país evoluísse da agricultura de precisão para um novo estágio, a Agricultura 4.0. A tendência, que começou há cerca de dez anos com a integração e a implementação de serviços e tecnologias de ponta, levou para o campo drones, sensores e outros dispositivos, formando uma rede inteligente e conectada. Mais do que modernizar o sistema de produção, houve a otimização da infraestrutura do agro e foi criado um ambiente fértil para o desenvolvimento de toda uma cadeia alicerçada no avanço tecnológico.
Como resultados dessa transformação do setor vieram o aumento da produtividade e da eficiência, a redução de custos operacionais, o crescimento das exportações, a criação de um ecossistema de inovação e uma maior sustentabilidade e gestão de riscos, com o uso mais racional de recursos e tomada de decisões mais assertivas. O Paraná, que tem cerca de 30% de sua economia baseada no agronegócio, investe fortemente na digitalização do campo e se consolida como um dos principais hubs nacionais de Agrotechs, as startups especializadas em desenvolver soluções inovadoras para o setor.
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No Estado, a região de Londrina tem papel fundamental na expansão do Agronegócio 4.0. Coordenado pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), um estudo realizado pela Agro Valley, o ecossistema de inovação do setor do agronegócio na Região Norte, apresenta um panorama da relevância dessa atividade para a economia paranaense. Na área de abrangência do estudo, da qual fazem parte 31 municípios, são mais de 35 mil trabalhadores formais e cerca de quatro mil estabelecimentos ativos. Entre 2022 e 2023, a região gerou mais de 8,6 mil postos de trabalho.
Quando se olha para as exportações, os números deixam claro a importância do setor para a região de Londrina. Em 2023, o volume exportado foi de US$ 2,4 bilhões - 61% acima do resultado de 2022. Em termos percentuais, apontou o estudo, as exportações da Agro Valley representaram 10% de todo o Paraná no período analisado. China, Irã, Estados Unidos, Argélia e Coreia do Sul foram os principais mercados.
A arrecadação de impostos do agro da região foi de R$ 880 milhões de tributos federais e um total anual médio de R$ 300 milhões em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
“Nos últimos anos, o campo passou por uma mudança enorme com o chamado Agronegócio 4.0. Hoje, a produção usa sensores, sistemas de monitoramento, Inteligência Artificial, drones e várias ferramentas digitais que ajudam o produtor a tomar decisões mais rápidas e certeiras. A agricultura de precisão aumentou a produtividade e reforçou o compromisso com o uso eficiente dos recursos”, avaliou o presidente da SRP (Sociedade Rural do Paraná), Marcelo Janene El-Kadre.
A digitalização do campo, destacou o presidente da SRP, coloca a cidade na linha de frente da inovação no setor e prepara os produtores locais para um mercado cada vez mais moderno e competitivo.
Economista e professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), José Luís Dalto ressaltou a atuação das instituições de ensino na expansão do agronegócio no Norte paranaense. Londrina e região contam com uma rede de universidades e institutos de tecnologia que fornecem conhecimento e capital humano com potencial suficiente para elevar Londrina ao posto de “capital tecnológica do agro brasileiro”, vislumbrou. “Desde o início dos anos 2000, tivemos um movimento de novas universidades e aprofundamento dos cursos de engenharia e tecnologia. A UTFPR é fruto disso e as escolas técnicas, como o Senai, têm importância imensa no ecossistema tecnológico, até chegar no hub de IA em Londrina.”
Especificamente no agronegócio, todo o conhecimento produzido nas universidades e centros técnicos do município e região colaboraram para tornar o setor mais sustentável e se Londrina souber aproveitar, afirmou Dalto, o impulsionamento pode ser ainda mais rápido e eficiente.
O professor aponta ainda a organização do ecossistema de inovação que viabilizou o trabalho integrado dos diversos atores, como Cocriagro, Smart Farm e SRP Valley. “Estavam todos desconexos, separados e sem sentido. Hoje, conversam entre si. Um entende o outro e isso os fortalece.”
Se a mecanização e o melhoramento genético elevou a produtividade no campo nos anos de 1970, o avanço tecnológico deverá propiciar um novo salto, com a oferta de um leque maior de produtos e a diversificação de mercados. “O Agronegócio 4.0 não reflete somente na produtividade. Há um crescimento dos modelos de negócios e novos produtos”, disse Dalto.
Olhando para frente, a partir das possibilidades que se desenham com o avanço da tecnologia a serviço do agronegócio, El-Kadre afirma que a tendência é o fortalecimento da integração entre inovação e desenvolvimento. “A chegada de startups, o avanço do agro digital e o fortalecimento das cadeias produtivas devem consolidar a cidade como referência em soluções tecnológicas voltadas ao campo. Com uma base econômica sólida e um cenário que incentiva novos negócios, o município segue preparado para continuar crescendo e inspirando as próximas gerações.”


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


