Crise do café impulsionou a criação de novos polos econômicos
Ao lado dos setores do comércio e serviços, indústria, agronegócio e construção civil fortalecem a economia londrinense
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
Ao lado dos setores do comércio e serviços, indústria, agronegócio e construção civil fortalecem a economia londrinense

A fundação e o desenvolvimento inicial de Londrina, ainda na década de 1930, foram estabelecidos sobre uma base econômica predominantemente agrária, tendo o café como o principal propulsor. O cultivo do grão moldou a identidade e trouxe riqueza para o Norte do Paraná, mas a consolidação do município como polo urbano e comercial que centralizava os negócios, serviços e logística do café despertou outras vocações econômicas. E com a geada negra de 1975, que dizimou as lavouras, a cidade teve que se reinventar economicamente.
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A partir da crise do café, Londrina utilizou o capital acumulado e sua posição geográfica estratégica para expandir e fortalecer outros setores, construindo uma economia mais resiliente. Comércio e serviços mantiveram sua relevância central e até hoje empregam o maior contingente de trabalhadores do município. Mas a construção civil, a indústria, a tecnologia e inovação e o próprio agro, que redirecionou a atividade, diversificando a produção, ajudaram a construir a Londrina que se aproxima do primeiro século de existência.
“O imóvel faz parte do DNA da cidade. As pessoas vieram para cá através da própria Companhia de Terras Norte do Paraná, que fez as pequenas glebas e as pessoas compraram terrenos”, relembrou a presidente do Sinduscon Norte Paraná, Célia Catussi.
O fortalecimento da construção civil no município se reflete no Ranking Intec das 100 Maiores Construtoras do Brasil. Na edição de 2025, o Grupo Plaenge figura na quarta colocação, a A.Yoshii, na 14ª posição, e a Vectra, em 36º lugar. “Quando você analisa a macro da construção civil e a representatividade das construtoras, isso vem da própria mão de obra e da expertise das construtoras de fazer um belo trabalho e levá-lo para fora dos limites da cidade de Londrina", analisou Catussi.
A presidente do Sinduscon ressaltou ainda o VGV (Valor Geral de Vendas) que, em 2024, registrou recorde de R$ 3,3 bilhões. “Esse resultado coloca Londrina entre uma das maiores cidades em termos de volume de vendas.”
“Ao completar mais um ano de história, a nossa cidade mostra, mais uma vez, por que se tornou um dos principais polos econômicos do Paraná. E quando a gente fala em desenvolvimento, é impossível não destacar o agronegócio. Ele sempre foi um fator fundamental, gerando emprego, renda e inovação e, ao longo do tempo, conseguiu unir tradição com muita tecnologia”, afirmou o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Marcelo Janene El-Kadre.
Londrina é um dos municípios com maior participação no VBP (Valor Bruto da Produção) agropecuário do Paraná. Em 2023, atingiu mais de R$ 1,4 bilhão, resultante de 28 culturas, sendo a soja a principal delas, somando cerca de R$ 560 milhões. Se somados os municípios vizinhos, a concentração do VBP agropecuário ultrapassa os 65%. O setor ainda tem muito potencial de expansão, mas há alguns desafios, como a infraestrutura logística.
No setor da tecnologia, afirmou o economista e professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) José Luís Dalto, os avanços vão além do crescimento da produção e um dos destaques é o desenvolvimento de novos produtos e modelos de negócios. “Até 20 anos atrás, tecnologia era só desenvolvimento de software, estava muito ligada à informática. Mas teve uma mudança no perfil industrial londrinense e no comércio e hoje se reconhece a tecnologia em vários aspectos. Essa evolução está diretamente relacionada à evolução das instituições educacionais da cidade.”
Embora a indústria não seja a principal atividade na composição do PIB do município, o setor representa um componente sólido e estratégico para a economia local, com vocação especial para setores de alta tecnologia e transformação. A indústria responde por cerca de 20% do PIB e os destaques são o setor de alimentos e agroindústria, metal-mecânico, construção civil e materiais, química e embalagens e alta tecnologia e saúde. Esforços conjuntos do poder público e do setor privado resultaram em projetos de atração de investimentos, como o desenvolvimento de novas áreas industriais.
“Foi bem desafiador, mas bem prazeroso ver Londrina da forma que está, crescendo, com o pessoal pensando em inovação e em tecnologia, não só nas empresas de tecnologia, mas em geral”, avaliou o presidente da Abratic (Associação Brasileira de Tecnologia Informação e Comunicação), Ronaldo Couza. Como aprimoramento futuro, ele defende a adoção de ferramentas de inovação e tecnologia para as administrações públicas com o objetivo de melhorar a vida dos cidadãos. “É preciso melhorar processos na prefeitura, agilizar atendimentos, abrir empresas mais rápido, diminuir a fila nas unidades básicas de saúde e ser mais assertivo no atendimento, com a integração dos dados.”
Catussi também faz um exercício de projetar o futuro de Londrina. Se a cidade evoluir em soluções de infraestrutura, como a instalação do ILS no aeroporto e melhorar a conexão com rodovias e ferrovias,aprimorar ainda mais o sistema de educação, executar obras públicas e de saneamento, exemplificou ela, ao completar cem anos a cidade estará mais industrializada, com regiões bem desenvolvidas, como a da Nova Palhano e do Jardim Botânico. “Londrina deve ser um centro de referência em crescimento e conexão com as cidades do entorno e produzindo riqueza para o Paraná. Tudo isso está documentado no Masterplan, que é a nossa referência.”


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


