Município de 20 mil habitantes localizado na região dos Campos Gerais, Tibagi é o maior produtor de melancia do Paraná.

Em 2021, a produção da fruta alcançou 6,6 mil toneladas cultivadas em 220 hectares, que resultaram em um VBP (Valor Bruto da Produção), a riqueza produzida pela atividade, superior a R$ 6,2 milhões.

Augusto Sampaio Cruzetta, técnico agrícola da prefeitura de Tibagi, explica que uma série de características posicionaram o município como líder na produção da fruta.

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“Aqui temos uma precipitação pluviométrica adequada para a cultura, temperatura favorável, altitude de 500 a 800 metros acima do nível do mar e o tipo de solo arenoargiloso, que é bem estruturado e drenado”, lista.

Ele explica que hoje a produção de mais de 6 mil toneladas está concentrada em pouco mais de dez produtores, sendo que o cultivo da melancia é 100% na modalidade familiar.

Além de servir como fonte de renda para as famílias, o técnico acrescenta que a produção de melancia é uma grande geradora de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e de postos de trabalho ao município.

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“A cultura é responsável hoje por empregar diretamente 50 pessoas e gerar outros 200 empregos indiretos”, contabiliza. Toda a produção é comercializada para o mercado interno, atendendo os estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

O técnico destaca que a prefeitura presta apoio ao produtor rural na fertilização e na correção do solo, subsidiando o frete dos produtos utilizados pelos agricultores, por exemplo.

ATIVIDADE RENTÁVEL

O produtor rural Nelson Junior Betim cultiva melancia em Tibagi há mais de dez anos. Ele começou a atividade com o auxílio de um amigo e segue até hoje.

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A expectativa para este ano é produzir cerca de 80 toneladas por alqueire – a propriedade dele conta hoje com quatro alqueires, o que totalizaria 320 toneladas da fruta para comercialização.

Por ser uma atividade rentável, Nelson conta que acabou optando pela melancia. No entanto, ele diz enfrentar alguns desafios ao optar pela atividade, como a falta de pessoal para trabalhar na lavoura. “O mercado reduziu muito por falta de mão de obra”, diz.

Em Tibagi, toda a produção é comercializada para o mercado interno, atendendo os estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina
Em Tibagi, toda a produção é comercializada para o mercado interno, atendendo os estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina | Foto: Arquivo pessoal

Por conta dessa limitação de gente para trabalhar na lavoura, Nelson vislumbra que não conseguirá ampliar a produção neste ano em comparação a 2022, devendo manter um volume semelhante em 2023. Toda a produção abastece o mercado interno.

“O preço depende muito do clima. Além disso, se a produção do mercado externo aumentar, também registramos desvalorização”, conclui.

PRODUÇÃO NO PARANÁ

O VBP (Valor Bruto da Produção) da melancia no Paraná atingiu R$ 67,9 milhões em 2021. Nesse ano, a fruta foi cultivada em 263 municípios paranaenses, quase 66% do total do Estado.

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Atrás de Tibagi no ranking estadual da melancia figuram Perobal, com produção de 5,2 mil toneladas e VBP de R$ 4,8 milhões, e Paula Freitas, com volume de 4,8 mil toneladas e Valor Bruto da Produção de R$ 4,5 milhões.

RANKING

Entre os estados, o Paraná é o 9º maior produtor de melancia em território nacional.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2020 mostram que no topo do ranking figuram Rio Grande do Norte (1º), São Paulo (2º) e Goiás (3º), seguidos de Rio Grande do Sul (4º), Tocantins (5º), Bahia (6º), Pernambuco (7º) e Pará (8º).