Francisco da Silva começou a beber aos 16 anos. "Eu trabalhava em um depósito de bebidas e como dizem, a gente nunca começa tomando muito"
Francisco da Silva começou a beber aos 16 anos. "Eu trabalhava em um depósito de bebidas e como dizem, a gente nunca começa tomando muito" | Foto: Gustavo Carneiro

Foi aos 16 anos e depois de perder os dois pais no espaço de nove meses que o motorista Francisco Ionaldo da Silva começou a tomar bebidas alcoólicas. “Eu vim morar em Cambé com meus quatro irmãos menores, na casa dos meus tios. Mas não dei conta da situação e comecei a beber. Eu trabalhava em um depósito de bebidas e como dizem, a gente nunca começa tomando muito. Tomava umas doses a tarde, depois comecei a ir em bares”, descreve.

Depois de quase sofrer um acidente de trabalho, ele perdeu o emprego. Silva diz que tentava parar de beber, mas não conseguia se manter sóbrio. Passou por algumas comunidades, foi levado pela família para São Paulo onde ficou durante dois anos, retornou e o vício ainda o atormentava. Há sete anos, entretanto, um evento mudou sua vida.

“Eu trabalho no Lar Santo Antônio, em Cambé, e um dia comecei a passar mal. Fui levado para o hospital e pela gravidade, me transferiram para Londrina. Era preciso fazer uma cirurgia para tirar um coágulo da cabeça. Era uma cirurgia de alto risco e avisaram que eu poderia não sobreviver ou ficar com várias sequelas. Mas Deus contrariou a medicina, eu fiquei seis dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e me recuperei, sem sequelas. Depois que sai do hospital, nunca mais bebi”, conta.

Silva é categórico ao dizer que não se intitula um ex-alcoolista. “Não existe isso, você sempre vai ser. Mas tenho certeza absoluta que foi Deus, eu sabia que Ele ia me tirar dessa vida. Hoje eu vou em um evento e não tenho vontade (de beber). Aprendi muito nos locais onde fiquei internado.”

O motorista faz questão de contar sua história e diz que sempre que pode fala para outros dependentes sobre o seu vício. Muitos não acreditam que ele um dia já chegou a morar na rua por causa do álcool e inclusive foi albergado no local onde hoje trabalha. “Sou muito grato às irmãs Claretianas e em especial à Irmã Aparecida Jardini, que sempre me ajudou. O fato da bebida ser lícita é mais difícil. É barata, é liberada e se você não tem dinheiro para beber seus amigos te oferecem. Mas o álcool te deixa em uma situação degradante, te leva para o fundo. É graças a Deus que estou vivo!”

TRATAMENTO

Com grandes impactos sociais, o alcoolismo exige muita disciplina de quem deseja parar de beber. Aniversários, casamentos, jogos de futebol, churrascos. Grandes ou pequenas, em praticamente todas as comemorações o álcool está presente. E há quem opte por ele também quando deseja esquecer os problemas.

Além dos impactos na vida social dos dependentes, a sociedade também é altamente afetada, já que muitos acidentes de trânsito, comportamentos antissociais, casos de violência doméstica e problemas no trabalho são decorrentes do uso abusivo da substância.

Quem precisa de ajuda conta com os grupos de apoio, como o tradicional Alcoólicos Anônimos, mas também pode procurar o serviço público de saúde. Em Londrina os dependentes são atendidos no Caps-AD (Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas). De acordo com Cláudia Denise Garcia, presidente do Comad (Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre álcool e Outras Drogas,) há uma equipe multidisciplinar apta a fazer o atendimento. São oferecidas consultas com médicos e psicólogos e a família também recebe atendimento.

“Se necessário é oferecido o tratamento medicamentoso ambulatorial ou hospitalar. Temos também diversas comunidades que prestam atendimento”, explica.

Serviço

Caps-AD

R. Alberto Preto, 75 - Conjunto Milton Gavetti

Telefone: (43) 3379-0877

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