Qualidades culinárias também precisam ser atendidas
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sábado, 01 de junho de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 
Alto potencial de rendimento, qualidade de grãos, resistência a doenças, tolerância a fatores climáticos são alguns das características que a pesquisa de feijão precisa estudar, da porteira para dentro. Entretanto, um alimento que ainda é alicerce da dieta dos brasileiros não será completo se a pesquisa também não olhar da porteira para fora: a qualidade culinária das cultivares que desenvolve. Um trabalho complexo, que envolve captar características de diferentes genitores, efetuar várias combinações por meio de cruzamentos para poder agrupar todas essas qualidades num único material. No Iapar, são diversas cultivares desenvolvidas por meio do melhoramento genético convencional.
A especialista em melhoramento genético vegetal da instituição, Vania Moda Cirino, cita algumas conquistas no trabalho do feijão, tanto em relação ao desempenho agronômico, fundamental para o produtor, como também às ligadas ao consumidor. “Desde 1992 o Iapar já colocou à disposição seis variedades resistentes moderadamente ao mosaico dourado e totalmente resistentes ao carlavirus, sendo cinco do grupo comercial carioca e uma do grupo preto. A última foi a IPR Celeiro, lançada em 2016”. Além disso, diversas variedades também são resistentes a outras doenças importantes da cultura, como antracnose, ferrugem (todas elas), mancha angular, crestamento bacteriano, entre outras.
Para a qualidade culinária, o trabalho de melhoramento também é fundamental. O objetivo das cultivares do Iapar é entregar um feijão que também tenha o caldo grosso, bom aroma, sabor agradável, cozimento rápido e não escureça rápido depois de cozido. Um case de sucesso da instituição é feijão IPR Uirapuru, lançado há 19 anos e plantado até hoje. “É um feijão preto com caldo grosso, cozinha super rápido, tem aroma e sabor deliciosos. Digo que quando cozinhamos o IPR Uirapuru, parece que estamos comendo chocolate derretido. Nem é preciso adicionar outros ingredientes nele.”
Para o grupo carioca, ela relata que é preciso olhar para outros fatores, como a coloração creme clara, listras marrons não tão pronunciadas (carioca leite), além de tempo de escurecimento mais longo durante o armazenamento. “O IPR Curió tem ciclo de 65 a 72 dias, não escurece no armazenamento durante quatro meses e ainda cozinha rápido. Além disso, a dona de casa não quer um feijão que depois de cozido fique escuro, com cara de feijão velho. Atualmente desenvolvemos variedades que não passem de 20 minutos no tempo de cozimento na panela de pressão.”
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